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A última travessia no Rio Taquari

Entre Taquari e General Câmara barcas mantêm serviço de travessia de veículos e pessoas. É o único serviço desse tipo que ainda persiste na região nas águas do Rio Taquari.

Créditos: Alício de Assunção
Barca facilita serviço de travessia para veículos e pedestres entre Taquari e General Câmara - Alicio de Assunção

Muito mais que um negócio, é um serviço social e de utilidade pública. Assim o empresário taquariense Adroaldo da Silva Couto (72) define a travessia das barcas de sua propriedade, pelas águas do Rio Taquari, entre a cidade e o interior de General Câmara, local conhecido como Passo da Barca. No manancial, que já contou com dezenas de embarcações do final do século passado até a década de 1970, realizando travessias desde a localidade de Santa Bárbara, em São Valentim do Sul, onde a junção dos rios das Antas e Carreiro dão início ao Taquari, até São Jerônimo, onde o Taquari deságua no Rio Jacuí, resta somente essa embarcação de transporte aquaviário em operação no território do Vale do Taquari. 
Diariamente, são 36 viagens nos dois sentidos, entre 5h30min e 23h. A cada meia hora, a travessia ocorre por um trecho de 500 metros entre uma e outra margem, durando, em média, oito minutos. A barca oficial é a "Taquariense", tem 54 metros de comprimento e 15 metros de largura, com capacidade para transportar até 60 veículos por viagem. A reserva é a barca Deusa do Jacuí, de menor porte, utilizada quando a outra estiver em manutenção. Paralisação dos serviços somente em épocas de cheias. Os maiores usuários são os carros que pagam R$ 14 - os ocupantes não pagam tarifa. Muitas pessoas pegam carona na barca e por isso o empresário salienta a relevância do serviço. "São trabalhadores que atuam em diversas empresas da cidade e por isso não cobramos taxas se a pessoa passar sem o veículo. Sabemos da importância dessas pessoas para o desenvolvimento do município". 
Detentor da concessão da barca desde 1979, Couto recorda que o serviço existe desde 1940. "Em 1982 iniciou-se o transporte de automóveis e 1988 para caminhões com a saída da Prefeitura de Taquari na operação". A primeira barca de Couto, que mantém um estaleiro onde realiza a manutenção das embarcações, recebeu uma denominação especial: Sílvia, em homenagem à sua esposa. 
Embora o movimento tenha diminuído, Couto considera que a balsa realiza algo fundamental para o desenvolvimento dos municípios. Emprega dez funcionários, profissionalmente denominados de marinheiros. "Sem a existência do serviço de barca, teríamos que fazer uma volta de cerca de 60 quilômetros, indo até Mariante para acessar para o outro lado. Assim, além dos trabalhadores, o transporte de madeiras e alimentos e a circulação de representantes comerciais ficam facilitados", comenta. E assim, de domingo a domingo, enquanto a barca transitar de margem à margem, as águas do Taquari e o barulho do motor da embarcação serão testemunhas dos sonhos de pessoas que por ali transitarem.

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