Política

Câmara quer portas de emergência abertas

Acesso está fechado desde incêndio na recepção do pronto-socorro

Créditos: Julian Kober
Para vereadores, abertura das portas da Emergência garantirá tratamento igual a pacientes da rede pública e da rede particular - Lidiane Mallmann

LAJEADO | O projeto de lei 061, que autoriza o Executivo a firmar termo de colaboração com a Sociedade Beneficência e Caridade de Lajeado - mantenedora do Hospital Bruno Born -, foi aprovado por unanimidade pelo Legislativo. Três emendas foram adicionadas ao documento, incluindo uma que exige a reabertura da porta do Setor de Emergência, fechada desde 1º de abril do ano passado após o incêndio na recepção.

Conforme a proposta do vereador Ildo Paulo Salvi, a entidade deverá manter acesso irrestrito no pronto-socorro via SUS nos mesmos moldes do atendimento privado, com acolhimento e triagem técnica. Ele será feito conforme o estado do paciente e serão atendidos, exclusivamente, os casos de urgência e emergência. Aqueles que não apresentarem risco de agravamento do quadro clínico serão encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município.

Ressalta-se, entretanto, que embora a porta tenha permanecido fechada por mais de um ano, o HBB não deixou de atender urgências e emergências aos usuários do SUS ou os socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os demais casos estão sendo encaminhados à UPA ou aos postos de saúde.

A emenda também prevê que os pacientes e familiares deverão ser informados quanto à previsão de espera e mudanças que possam causar demora no atendimento. Por fim, é solicitado que a entidade encaminhe relatório mensal - com os serviços prestados com recursos do SUS - para o Conselho Municipal de Saúde, Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores e Ministério Público Estadual, para analisar e fiscalizar o contrato.

Com a nova parceria, o município irá repassar, mensalmente, R$ 535,4 mil ao Hospital Bruno Born. Este valor será destinado ao setor de emergência para atendimento nas especialidades de traumatologia, psiquiatria, anestesiologia, pediatria, ginecologia, obstetrícia, cirurgia geral, radiologia, clínica médica e endoscopia. Além deste valor, serão destinados mais R$ 24,5 mil para outros procedimentos e medicamentos.


"Não pode ter barreira nenhuma"

A abertura das portas do pronto-socorro foi o tema mais discutido durante a sessão ordinária de ontem. O vereador Carlos Ranzi (MDB) fez críticas à Administração Municipal. "Vai dar quase R$ 600 mil por mês. A prefeitura vai pagar e não exigir nada? Falta pulso. Não pode ter barreira nenhuma."

Antes da votação, Paulo Tori (PPL) afirmou que a situação causa incômodo à comunidade lajeadense. "As pessoas são humanas, pagamos o imposto, e temos direitos. Não vamos liberar mais R$ 600 mil ao hospital sem resolver este problema."

Para Eder Spohr (MDB), há desigualdade no atendimento prestado aos pacientes do SUS e aos que possuem plano particular. Faz um apelo para que todos sejam tratados da mesma forma. "De um lado, a pessoa que paga mais de R$ 200 por mês tem uma porta bonita, atendimento com ar-condicionado e sofás para ficar esperando. Do outro lado, a pessoa tem que ficar ao relento tentando bater na porta para entrar."


Projetos aprovados

Outros quatro projetos foram aprovados por unanimidade. Três deles alteram artigos das leis que criam os fundos municipais de saúde, habitação e assistência social. Conforme a justificativa, assinada pelo prefeito Marcelo Caumo, tais modificações visam centralizar a movimentação financeira dos fundos municipais para facilitar as rotinas operacionais de liberação dos pagamentos.

Também foi aprovado o PL 062, que autoriza a renovação de concessão de área destinada pelo Jeep Clube Lajeado. O espaço, com 2.247 metros quadrados, é a sede social da entidade, sendo utilizada para diversas atividades.

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