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A vergonha de muleta

Paulo Gregory Advogado


O episódio dos procuradores e do juiz, se organizando para melhor proceder no processo, para obtenção de um resultado desejado, merece reflexão. Diz a máxima do Direito que, no processo judicial, a conjugação é só no singular: "eu, tu e ele". Não existe o plural. Pergunte para um amigo seu, que lida com o Direito. Portanto, não pode o "nós"! Eu e o juiz (ele) contra o tu e nem salada de frutas dos três. (o juiz não aconselha nenhuma das partes no processo. Juiz julga).

É certo que as informações foram obtidas por meio de crime de violação, porém, a pergunta que também fica é: a forma foi ilícita, mas o conteúdo não é? Então não vamos ficar na discussão estéril, para este espaço curto, de forma e conteúdo.

Acontece que, "a coisa" vem muito antes. Sob um conceito ético mediano, cabe a pergunta: é tolerável que um juiz agilize um processo para condenar um candidato antes das eleições, para que o outro ganhe a eleição, o nomeie ministro para ficar esquentando uma cadeira, enquanto aguarda a aposentadoria ou morte de outro ministro para ocupar a sua vaga? Acho que não!

Pois então! Esta é apenas mais uma das frustrações que sofremos. Pensávamos que o arauto da Justiça, o grande salvador da pátria, aquele que ia escrever uma nova história para o País, fosse o guardião da ética e da moralidade. Não era bem assim, como aliás, nada neste País é bem assim!

Do bordel até a catedral, passando pelos palácios, a verdade foi estuprada, obrigada a se vender, lhe deram roupas novas e brilhantes e um nome de guerra: "mentira".
Disso tudo se tira uma lição: quando a ética cai, é a vergonha que anda de muleta!

Boa Semana! Obrigado Celso Bücker pelo ânimo de voltar a escrever.


Paulo Gregory

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