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Sindicatos vão às ruas contra a reforma e em defesa da educação

Caminhada percorreu avenidas e bloqueou temporariamente a BR-386


Dezenas de estudantes e sindicalistas bloquearam o trânsito para protestar contra as propostas do presidente Jair Bolsonaro para Previdência Social e educação - Julian Kober

Lajeado | Sindicalistas e estudantes foram na manhã de ontem às ruas de Lajeado contra a Reforma da Previdência e os cortes na educação. O grupo concentrou-se às 8h30min na Avenida Piraí, Bairro São Cristóvão, e depois, por volta das 10h, iniciou a caminhada pela Avenida Senador Alberto Pasqualini e Benjamin Constant em direção à sede da administração municipal, percorrendo mais de três quilômetros. 

Representantes de mais de trinta entidades participaram da manifestação. Funcionários dos Correios decidiram aderir minutos antes da caminhada contra a Reforma da Previdência. "Viemos aqui por vontade própria. Temos a convicção de que esta proposta será um desastre. Quem está aqui não vai conseguir se aposentar. Vai afetar a todos nós", afirma o carteiro Leandro Luís Gall.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Avícolas e da Alimentação em Geral de Lajeado e Região (Stial), Adão Gossmann, acredita que o aumento da idade mínima, para 65 anos, será muito prejudicial aos trabalhadores. "Um funcionário de frigorífico, por exemplo, que é uma atividade penosa, não aguenta trabalhar até os 55 anos. Imagina ter que ficar mais dez. E quem vai manter um funcionário com 65 anos? É muito complicado." 

Rodovia bloqueada

Ao chegarem no viaduto onde a rua cruza com a BR-386, o grupo decidiu bloquear três trechos da rodovia por cerca de 30 minutos. De um caminhão com alto falante, representantes dos sindicatos discursavam contra a Reforma da Previdência, afirmando que prejudicará toda a população. "Vocês podem ficar brabos com a gente, mas esta proposta vai causar mais estragos que a paralisação", justificou um dos manifestantes.

Com o congestionamento, formou-se uma extensa fila de carros nas vias, deixando muitos motoristas irritados. Alguns protestavam buzinando, outros saíram dos carros e discutiram com os manifestantes. O motorista de uma van chegou a fazer ameaças com um facão, alegando que teriam tentado danificar o veículo. Apesar da confusão, não houve casos de violência. 

Apoiado na porta do carro, um motorista, que preferiu não ser identificado, criticou a paralisação. "Sou contra a reforma, assim como eles, mas não acho que é assim que vão convencer quem apoia. Não adianta empurrar goela abaixo que só vão deixar as pessoas ainda mais irritadas", afirmou.

Outro motorista aproveitou para escutar a rádio enquanto conversava com a reportagem. Para ele, faltou empatia por parte dos manifestantes. "Também não concordo com esta reforma, mas não pode interditar a rodovia. Deveria dar espaço para os carros passarem devagar, teriam mais apoio. Agora atrapalha a vida das pessoas, pode ter gente que precisa ir até um local urgente e está preso aqui. Acham que ela vai concordar com isso? Precisa ser feito do jeito certo, sem prejudicar os outros."
Silêncio no HBB e protesto na prefeitura

Da BR-386, o grupo voltou à Avenida Senador Alberto Pasqualini e seguiu pela Benjamin Constant. Logo que os manifestantes se aproximaram do Hospital Bruno Born, fizeram silêncio em respeito aos pacientes e funcionários da instituição. De lá, dobraram na Rua Júlio May e pararam em frente à prefeitura. Lá, integrantes do Sindicomerciários usaram o microfone e direcionaram a fala ao prefeito Marcelo Caumo. "Vai afetar os cofres públicos, porque os beneficiários injetam dinheiro na economia local", gritou um sindicalista. 

Depois de alguns minutos, os manifestantes subiram a Rua Júlio de Castilhos até o Posto de Combustíveis Faleiro, onde a caminhada encerrou por volta do meio-dia. 
Para o presidente do Sindicomerciários, Marco Daniel Rockenbach, um dos organizadores da caminhada, o ato conseguiu atingir seu objetivo e acredita que houve uma comoção importante por parte da comunidade. Como o projeto está sendo debatido no Congresso Nacional, não descarta a realização de mais mobilizações como a de sexta-feira. "Vamos acompanhar os trabalhos e ver o desenrolar. Para um primeiro ato, foi muito positivo. Sabemos que muitos pensam diferentes e vamos respeitar isso." Conforme a organização, a estimativa é de que 700 pessoas tenham participado da caminhada.

Em defesa da educação

Estudantes e professores também se juntaram à caminhada para protestar contra os cortes na educação. Dezenas de pessoas empunhavam cartazes com mensagens defendendo o segmento. "Educação é investimento. É prioridade. É direito", "Conhecimento não se corta" e "Educação não é despesa. É investimento" foram alguns exemplos.
Integrantes do 8º Núcleo do Cpers de diversos municípios do Vale do Taquari vieram a Lajeado uniram-se ao grupo oposto à Reforma da Previdência, do presidente Jair Bolsonaro. "Retirar da Constituição a aposentadoria é retirar um direito das pessoas. Retirar recursos da educação é acabar com os sonhos dos nossos estudantes, que querem ir para universidade, ter uma vida profissional e ser alguém na sociedade", afirma o diretor do 8º Núcleo, Gerson Luis Johann. Reforça que os educadores serão prejudicados pela reforma. "Vai significar mais tempo de contribuição, menor valor de aposentadoria e muita gente vai ter dificuldade de continuar em sala de aula. Não tem capacidade de atuar em uma sala extremamente lotada."

Alunos ligados aos grêmios estudantis apoiaram os seus professores. "A comunidade perde com o que está acontecendo com a nossa educação, não podemos ficar parados", gritava uma aluna. 

Dia de paralisação

Diversas cidades em todo o Brasil tiveram manifestações por mais recursos para a educação e contra as mudanças nas regras de aposentadoria. Nas capitais, o sistema de transporte público foram os mais afetados pela paralisação. De acordo com as centrais sindicais, estão previstos atos em mais de 300 cidades de 26 estados. No Rio Grande do Sul, a estimativa é de foram realizadas caminhadas em mais de 40 municípios. Até o final da tarde de ontem, cerca de 75 pessoas, 50 somente na capital, foram presas pela polícia nos atos. 

"Sabia que ia passar por isso", afirma presidente

Em café da manhã com jornalistas, nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro respondeu aos questionamentos sobre as greves gerais que ocorreram em todo o país. Para ele, o movimento é algo natural. "Quando resolvi me candidatar, sabia que ia passar por isso", disse. Ele afirmou que o governo até poderá ceder para ver a Reforma da Previdência aprovada e garantiu que ela vai destravar os investimentos no país. "Os empresários querem investir, mas precisam de segurança", afirmou.

Paralisação em rodovia gerou fila de veículos; alguns motoristas se posicionaram contra a reforma

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