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Gaúcho até embaixo d'água

Rodeio Crioulo Estadual, realizado no Parque do Imigrante, reuniu 1,2 mil laçadores e 85 ginetes de diferentes estados


A chuva insistente que caiu em boa parte dos cinco dias da quarta edição do Rodeio Crioulo Estadual não inibiu a presença de tauras, que acompanharam, mesmo debaixo d'água, provas que fazem parte do dia a dia do homem do campo. Destaque para o tiro de laço e a gineteada, novidade nesta edição. Mais de 80 ginetes, incluindo os melhores do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, demonstraram habilidade na montaria de animais xucros. No total, mais de R$ 60 mil em prêmios, incluindo dez motos zero-quilômetro, foram distribuídos aos competidores.
Até crianças e prendas se aventuraram sobre o lombo de ovelhas e pôneis. O patrão do CTG Quero-Quero - promotor do evento -, Everaldo Reginatto, explica que a opção por abrir espaço à gineteada levou em conta o gosto popular. "É uma atração para o público. As pessoas adoram torcer para o cavalo", brinca Reginatto.
Quem não estava para brincadeira era João Adan (21), de Taquari. Desde os 15 anos, o laçador percorre os maiores rodeios do Sul. O que era hobby virou profissão. Já são 15 motos no currículo e até o título de no Campeonato Nacional de Laço, competição realizada em Esteio. No sábado, Adan já tinha garantido uma novilha e buscava mais uma moto. "Para laçar bem, além de boa mira, precisa sangue frio", ensina.
Quem também percorre rodeios Brasil afora é o laçador paulista Rafael Pires (25). Morando atualmente no Paraná, Pires pegou gosto pela lida campeira com o pai. "Ele criava boi. Lá no interior de São Paulo é bem forte, mas aqui o gado é melhor", admite. O laçador já percorreu rodeios em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e até em Rondônia. O rodeio de Lajeado é apenas um do circuito que irá participar em janeiro. "É um atrás do outro agora."

Para todos

Rodeio não tem restrição a peso, idade ou sexo. Gordinhos, magrelos, homens, mulheres e crianças são bem-vindos. A única exigência é ser apaixonado pela lida campeira. Mesmo com o mau tempo, lá estavam Noa Rosenbach (34) e o afilhado Willian (12), com guarda-chuva em punho e olhos fixos no tiro de laço. "Lido com gado de leite em Arroio do Meio. Todo o fim de semana estamos em rodeio", conta Noa. Já a pequena Alana Tamara Schefer (9) não se contenta só em olhar. Montada, confirma o que ela e todos que foram ao Parque do Imigrante mais gostam de fazer: "Andar a cavalo e laçar".

Ermilo Drews
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