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Federasul apresenta oportunidades de crescimento para a região

Encontro na Acil reuniu entidades e empresários da região

Créditos: Julian Kober
Economista João Fernandes espera que a Reforma da Previdência seja aprovada até final do ano e inicie uma série de mudanças para melhorar a economia - Julian Kober

LAJEADO | Lideranças empresariais e políticas do Vale do Taquari estiveram reunidas no salão de eventos da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) para conhecer as dez macro-oportunidades para o desenvolvimento da região. A proposta é da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), por meio do Fórum "O Rio Grande em Transformação", para mapear as prioridades das oito macrorregiões do Estado. Após o estudo ser concluído, será entregue ao governador Eduardo Leite (PSDB) e à Assembleia Legislativa, no 15º Congresso da Federasul, que acontece nos dias 24 e 25 de outubro, em Gramado.

O levantamento de oportunidades contou com a participação de empresários e políticos dos municípios da região. O trabalho deveria envolver também representantes do Vale do Jacuí-Centro e Rio Pardo, mas eles não compareceram. Sendo assim, foram elencadas dez prioridades ao Vale do Taquari, incluindo o reconhecimento como Vale dos Alimentos, a criação de um núcleo setorial de cooperativismo e associativismo, retomada do porto hidro-ferroviário de Estrela, entre outros. A apresentação foi feita pelo vice-presidente regional da Federasul no Vale do Taquari, Renato Lauri Scheffler. "O que é incomum a todas é a questão das rodovias, já que as estradas estão em situação delicada", afirma.

Conforme o vice-presidente de integração da Federação, Rafael Goelzer, o fórum é um movimento para engajar os empresários a participar ativamente da política no âmbito estadual e nacional. "Percebemos que o Estado e o país estão tentando se recuperar da crise. E chegamos nela porque nos afastamos da política. Precisamos voltar a estar ativamente no processo. Temos que ser protagonistas da transformação." Para ele, as macro-oportunidades contribuirão de forma efetiva, mas só serão realizadas com o apoio do empresariado.

A presidente da Acil, Aline Eggers Bagatini, enalteceu o trabalho da Federasul pela iniciativa que provoca todas as regiões a identificar as prioridades de desenvolvimento e levar o material ao Governo do Estado. "A postura empreendedora, líder e comprometida no crescimento do nosso Estado está alinhada com o papel que esperamos da nossa entidade maior. E o propósito da Acil, definido nessa gestão, é promover e potencializar o desenvolvimento regional com qualidade de vida. Percebemos que a Federasul atua com o mesmo objetivo."


As dez macro-oportunidades para o Vale do Taquari

1. Inclusão no Programa de Concessão no trecho entre Venâncio Aires-Muçum tendo como pré-requisito a extinção imediata da EGR.
2. Busca por investidores para o tratamento de dejetos suínos devido à grande carga orgânica nos Rios Forqueta e Taquari
3. Turismo: criação de um núcleo regional de turismo. Incentivar e orientar investidores para a área do turismo; agrupar o trade do turismo regional
4. Busca de novos investidores para PCHS no Vale do Taquari. Aproximar a Secretaria de Desenvolvimento do Estado para colocar as PCHS no portfólio de oportunidades de investimentos do RS.
5. Melhorias na infraestrutura de telefonia e dados da região
6. Ser reconhecida como o Vale dos Alimentos
7. Ampliar as referências de saúde da região
8. Criar um núcleo setorial de cooperativismo e associativismo no Vale do Taquari
9. Aumento do efetivo policial
10. Avaliação de viabilidade e retomada do Porto hidro-ferroviário de Estrela


Perspectiva econômica

Durante o fórum, o colunista de O Informativo do Vale, João Fernandes, economista formado e com mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, falou sobre as perspectivas econômicas para o Rio Grande do Sul e o Brasil. Fernandes inicia explicando que o crescimento mundial está passando por um processo difícil, preocupando investidores. Entre as causas, a guerra comercial envolvendo Estados Unidos e China. No entanto, acredita que se o Brasil se fortalecer e permitir a entrada de capitais pelo fato de estar passando por um processo de mudança interna, isso poderá ajudar a tirar o país da crise.

O economista faz uma análise sobre a taxa de crescimento do PIB, e destaca que este é o pior índice desde 1900. "O Brasil está saindo de sua maior recessão e crescendo num ritmo muito fraco. Normalmente, o crescimento médio nos anos seguintes a uma queda do PIB é de 4%. Desde 2017, o crescimento é de 0,9%", afirma.

Para ele, são necessárias mudanças a médio prazo, que tragam mais confiança aos investidores, reduzindo o risco-país, e que garantam mais infraestrutura, menos burocracia e credibilidade ao Banco Central.

Fernandes elogia a agenda da nova equipe econômica, chefiada por Paulo Guedes, com as reformas da previdência, tributária e política, que também aposta na abertura da economia, enxugamento e eficiência do Estado, independência do Banco Central, privatizações e desburocratização da economia.

Acredita que a Reforma da Previdência, a principal das mudanças, deverá ser aprovada até setembro. "É fundamental ter uma reforma que traga mais equilíbrio, porque a grande razão do Brasil ser deficitário é a previdência. E a consequência de um país que gasta mais que arrecada faz com que a dívida pública exploda. Para 2019, a previsão é de que ela chegue a 90% do PIB, o dobro de outros países emergentes."

Em relação ao Rio Grande do Sul, boas notícias: apesar da crise econômica, o Estado tem registrado crescimento do PIB, com aumento da arrecadação do comércio varejista e da produção industrial. "O Estado acelerou antes das outras regiões e hoje está maior em termos de crescimento que todo o país. Nesse processo de retomada, ele tem sido uma liderança e vai colher os frutos neste processo de reformas que temos pela frente."


Sim à Reforma da Previdência

"Ou quebramos os privilégios, ou os privilégios vão quebrar o Brasil. Diga não às injustiças sociais. Diga sim à Reforma da Previdência", este foi o mote da fala da presidente da Federasul, Simone Leite, durante o fórum na Acil. Reforça à plateia que o sistema previdenciário atual só provoca ainda mais desigualdade, além de ser caro. Por isso, defende que a reforma é necessária. "Há muitos críticos. Daqui a pouco, a sociedade pode entender que ela é ruim. Nós temos que ser um contraponto a isso. A Federasul diz sim à reforma. Criamos a campanha porque entendemos que ela é mãe de todas as reformas."

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