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Cresce o número de pessoas com mais de 60 anos em Lajeado

Estudo divulgado pela Fundação de Economia e Estatística amplia conhecimento acerca da população gaúcha

Créditos: Carolina Schmidt e Lucas Wendt
Pesquisa: Arlete Ely Kunz da Costa estuda o envelhecimento da população na região - Lidiane Mallmann

Lajeado - Na última década, a população acima de 60 anos na cidade aumentou de 6.706 para 10.778 pessoas. Estas e outras informações foram divulgadas, ontem, pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Rio Grande do Sul. O estudo publicado pela entidade mapeou todos os municípios gaúchos e apresenta dados relevantes para o entendimento do comportamento da população gaúcha.

O levantamento é realizado pelo Núcleo de Demografia e Predivência (NDP) da FEE e possibilita conhecer a evolução populacional dos municípios gaúchos com segmentação no sexo e grupos etários.

Somente em Lajeado, em uma década, o número de pessoas que chegou aos 60 anos é superior a 4 mil. O aumento da expectativa de vida da população traz à tona as especificidades desse grupo de indivíduos. Conforme a professora da Univates, doutora Arlete Ely Kunz da Costa (52), a sociedade não está preparada para atender as demandas da terceira idade. Arlete foi responsável por conduzir uma pesquisa, durante sua tese de doutorado, sobre a qualidade de vida na terceira idade. Seu estudo envolveu 75 idosos de 15 cidades da região.

"Ainda estamos construindo estruturas sociais capazes de fornecer atendimento com qualidade para os idosos", destaca. Segundo Arlete, hoje a terceira idade apresenta necessidades diferentes como, por exemplo, entender e se relacionar com as tecnologias. Ao mesmo tempo, acredita que a Educação Superior tem dado mais atenção ao envelhecimento da população nos cursos de graduação, com uma forma de preparar os profissionais que, no futuro, lidarão com o grupo crescente de pessoas que ultrapassa a marca dos 60.

O comportamento social do idoso está mudando, conforme ele fica mais exigente e busca por interação e por movimento. "Os idosos se consideram mais felizes", conclui Arlete.

Levantamento mapeia todas as cidades gaúchas
A pesquisa lançada ontem é divulgada anualmente desde 2001 e contempla todos os municípios do Rio Grande do Sul. Os dados mais recentes, de 2016, foram compilados pelos estatísticos Pedro Zuanazzi e Mariana Bartels com supervisão de Juarez Meneghetti. "A população é a base para a maior parte dos estudos sociais.

Sem as estimativas, por idade e sexo, não é possível mensurar a maioria das taxas de criminalidade, de saúde ou educação. Mais do que isso, as estimativas auxiliam também o setor privado, pois apontam as dinâmicas demográficas dos públicos alvos das empresas. Se pretendo abrir uma faculdade, posso verificar em que regiões vêm crescendo a população de 18 a 24 anos, por exemplo", explicou Zuanazzi, coordenador do NDP.

A Pirâmide Etária
O estudo também trouxe outras informações do Estado. Segundo o estudo e dados divulgados, é possível observar que a tendência de envelhecimento da população se manteve, com o maior aumento populacional na faixa etária acima dos 60 anos, tendência verificada em Lajeado. O número de pessoas idosas no estado chega a 1,8 milhão de pessoas: 16,06% da população total de 11,3 milhões de habitantes do Rio Grande do Sul.

Já na população total, há uma relação de 94,8 homens para cada 100 mulheres (são 5.492.563 homens e 5.793.937 mulheres).

Os dados do Núcleo de Demografia e Previdência da FEE evidenciam que os pequenos municípios concentram os maiores percentuais de idosos no Estado. O destaque é Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari, que ocupa a primeira posição com 37,45% da população com 60 anos ou mais.

O número de nascimentos no Rio Grande do Sul também apresenta destaque, que em 2016, cai pela primeira vez desde 2010. O índice retorna a patamares de 2013, com um total de 141,4 mil nascidos vivos. Ainda assim, a faixa etária de zero a 4 anos atinge o maior contingente desde 2009, com 716 mil crianças.

O estado tem um percentual de crianças com até nove anos de 12,35%. O número de óbitos mantém crescimento gradual e alcança 87,5 mil e o crescimento vegetativo (relação entre nascimentos - óbitos) volta a cair, atingindo 53,9 mil em 2016, em comparação a 66,0 mil em 2015. Entre os municípios que mais ganharam população, está Caxias do Sul. Porto Alegre ficou com a segunda colocação.

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