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Casa de Acolhida encerrará atividades em março

A partir do mês que vem, as atividades serão transferidas para o Abrigo São Chico

Créditos: Thaís Presser
- Lidiane Mallmann/arquivo
Lajeado - A partir de março, os serviços disponíveis para moradores de rua na Casa de Acolhida serão transferidos para o Abrigo São Chico.

Conforme o secretário do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sthas), Lorival Silveira, a inviabilidade do alojamento localizado no Centro motivou a decisão.

"Na casa, o custo mensal da Prefeitura com o serviço é de R$ 26,5 mil para atender entre 10 e 15 pessoas. No Abrigo, poderá ser mantido o número de atendimentos por um valor muito menor", declara, revelando que, neste novo modelo, a Administração Municipal terá um custo extra mensal estimado em R$ 14 mil.

"Assim, faremos uma economia muito grande e, ainda, será oferecido às pessoas um atendimento mais estruturado", comenta Silveira.

O melhor atendimento do qual o secretário se refere diz respeito a inúmeros fatores agregadores para os futuros moradores do São Chico. Enquanto na Casa de Acolhida os moradores de rua têm acesso a serviços como jantar, banho, pernoite e café da manhã, das 19h às 7h, no Abrigo São Chico o suporte será estendido e qualificado.

"O pessoal terá ao seu dispor serviços de profissionais especializados, como psicólogos e assistentes sociais, de forma permanente. Além disso, será oferecido a eles almoço e permanência 24 horas", salienta Silveira.


Opiniões divergentes
O coordenador do Fórum de Enfrentamento à Drogadição, delegado Juliano Fernandes Stobbe, não considera positiva a mudança de local. Ele frisa que as formas de atendimento das duas instituições são diferentes pelas peculiaridades, no entanto, em várias tratativas com a Prefeitura, Sthas e demais serviços envolvidos, constatou-se a impossibilidade de manutenção de duas casas de acolhimento, com duas estruturas completas.

"Diante disso, foi constatado que a possibilidade de aumento de vagas do São Chico seria a única forma de não desamparar totalmente os usuários da casa de acolhida e compatibilizar com o orçamento possível da Administração", afirma.

De acordo com Stobbe, o Fórum participou da discussão ativamente e defendeu a permanência da Casa de Acolhida, no entanto, a manutenção não foi possível. "Os integrantes do Fórum tiveram voz na questão, no entanto, compreenderam as dificuldades de caixa no momento atual, vendo que a possibilidade era a única que se apresentava", pondera.

Até o término do prazo de funcionamento da Casa, o coordenador do Fórum de Enfrentamento à Drogadição destaca que todos são bem-vindos. "Quem quiser pode ir até a Casa de Acolhida, mas salientamos que é necessário atender aos requisitos que são solicitados, sendo o principal deles ter sido atendido nos serviços do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e/ou do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), e ter recebido autorização de entrada", esclarece.


Novo lar
O titular da Sthas explica que, atualmente, são atendidas cerca de 30 pessoas por dia no Abrigo. "Como a Prefeitura já tem convênio com o São Chico, conseguimos ampliar essa parceria. Antes, o Abrigo recebia aproximadamente R$ 33 mil mensais e, agora, para os novos atendimentos, ficou acordado mais R$ 14 mil de repasse financeiro", ressalta.

Conforme Silveira, a decisão de encerrar os trabalhos da Casa de Acolhida, e transferir para o Abrigo São Chico foi amplamente discutida com o Fórum da Drogadição e com os Conselhos Municipais. "Acreditamos que, desta forma, conseguiremos atender mais pessoas e com maior qualidade, oferecendo um atendimento mais próximo e permanente, que elas não tinham", diz.

De acordo com o administrador do Abrigo são Chico, Luiz Carvalho, a ideia de transferência dos serviços foi muito bem aceita. "Sempre estivemos abertos a negociações e quando vieram conversar conosco sobre a possibilidade de mudança, logo abraçamos a causa", destaca. Carvalho afirma que já estão sendo feitas adaptações e reestruturações no Abrigo para receber os novos moradores. "Será um prazer receber mais pessoal aqui e estamos trabalhando para suprir as necessidades dos futuros moradores", reitera.


O antigo e o novo abrigo
Desde 15 de junho de 2016, a Casa de Acolhida recebe pessoas em situação de rua e serviços como jantar, banho, cama e café da manhã, no horário das 19h às 7h. A Prefeitura custeia despesas como o aluguel, luz, água, vigias e monitores. O contrato de aluguel, feito em junho terminou no dia 15 de dezembro de 2016 e, desde então, era discutida a manutenção ou o fechamento da casa.

Há cerca de duas semanas, a Administração Municipal estendeu seu convênio com o Abrigo São Chico e, a partir de março, os atendimentos oferecidos na Casa de Acolhida serão transferidos. O Abrigo está localizado na Rua 15 de novembro, nº 403, no Bairro Moinhos.

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