Colunistas

Verdade e as narrativas

Douglas Sandri Engenheiro


O capitalismo nada mais é do que a descrição de um sistema de produção que decorre naturalmente das trocas voluntárias entre as pessoas. O comunismo, por sua vez, é um sistema político-econômico construído, inventado do zero com base na suposta luta de classes.

O termo narrativa é empregado pela esquerda porque esta é a verdadeira essência do socialismo. Falam em narrativas, pois querem relativizar a verdade e a mentira. Pois, se um aliado seu está preso, basta criar uma narrativa de que este criminoso é preso político ou de que roubou para manter um projeto supostamente bom para o povo e, voilà, a militância cega está instrumentalizada.

Criar uma narrativa significa relativizar a verdade, negar a realidade ou, como ensinamos às crianças, mentir. Trata-se de um método sofisticado descrito no materialismo dialético de Engel e Marx, passando pela hegemonia cultural de Gramsci e pela Escola de Frankfurt - as bases teóricas da esquerda de hoje.

A divulgação das supostas conversas entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, obtidas de maneira criminosa por meio da invasão, sem qualquer autorização judicial, de mensagens privadas, em uma violação aos princípios constitucionais fundamentais de liberdade e privacidade, caiu como uma luva nas narrativas defendidas por quem briga com a realidade e a Justiça brasileira, na defesa de políticos corruptos.

O factoide criado com o vazamento que não trouxe à tona nenhum crime - senão o próprio crime de invasão da privacidade - só conseguiu convencer aqueles que já eram seduzidos pelo romantismo das narrativas fantasiosas do grupo político que levou o Brasil à ruína econômica. Separar versão falaciosa do fato concreto, desmontar narrativas para iluminar o debate público com a verdade: a batalha é inglória para os que não se permitem utilizar da falsificação da realidade como arma de convencimento e de tomada do poder.


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