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Endividamento

Lauro Baum


A sociedade vive um mundo capitalista, quase selvagem. Aliado à democracia, há uma liberdade total para comprar e gastar onde bem entender até onde os limites permitem. Permitem? Sim. A diferença, no entanto, está no limite e na capacidade de decifrá-lo para controlar ou não sua honra. Quando estes dois pontos não andam em sintonia, é muito provável que o Brasil continua aumentando o grupo de pessoas endividadas, algumas conformadas e outras que continuam falando das más condições financeiras do país, das remunerações má reconhecidas entre outros males culpados pelo sistema.

A sociedade vive um mundo capitalista, quase selvagem. Aliado à democracia, há uma liberdade total para comprar e gastar onde bem entender até onde os limites permitem. Permitem? Sim. A diferença, no entanto, está no limite e na capacidade de decifrá-lo para controlar ou não sua honra. Quando estes dois pontos não andam em sintonia, é muito provável que o Brasil continua aumentando o grupo de pessoas endividadas, algumas conformadas e outras que continuam falando das más condições financeiras do país, das remunerações má reconhecidas entre outros males culpados pelo sistema.

As oportunidades esbanjam opções, mas, da onde vem essa síndrome que não permite a algumas pessoas negar, ignorar, "passar reto" em vez de bater o olho e comprar simplesmente para saciar esse desejo de levar para si? Uma parte pode vir da disfunção de casa, quando em vez das primeiras orientações e limites as crianças são contentadas com o tudo dá, simplesmente para acalmar.

Avançando para a fase que potencializa o campo dos horizontes da vida, preciso dizer que pessoas bem conhecidas que fixaram residência em outros países revelam exemplos de causar inveja a cada cidadão de como os alunos recebem aulas que tratam a dinâmica das possibilidades e como a pessoa deve estar preparada para enfrentar o mundo em seu dia a dia.

Um simples incremento no currículo para a formação da disciplina. Já na nossa realidade os números não entusiasmam tanto. Recentemente foi publicada a lista de competitividade pelo IMD _ um instituto internacional que avalia o desempenho escolar. De um universo de 63 países analisados, o Brasil ocupa a 59ª posição. Certamente isso explica porque tantos estudantes no Ensino

Fundamental continuam com dificuldades de interpretar o livro que leem ou compreender um cálculo de lógica. Como mencionei, as oportunidades esbanjam opções. Mas, podemos acrescentar que o aproveitamento é das pessoas ágeis. Às demais resta o risco de cair nas tentações do orçamento frustrado. Realmente é mais fácil executar uma compra em dez, doze ou 18 parcelas e assim por diante. Ou ainda, distanciar a primeira até um ano da data da compra.

O gesto é uma tentação para negócios desnecessários e o caminho do vaivém dos pagamentos pode ser mais uma armadilha para pegar os desatentos. Enquanto que para algumas pessoas é normal, para outras é a dificuldade de compreender como pode alguém se entusiasmar a pagar um produto que talvez até já esteja desgastado nesse período.

Os americanos costumam dizer que o brasileiro é um povo rico quando comparam o preço que pagam por um veículo com um correspondente aqui no Brasil. Pelo preço, realmente parece que somos ricos. Pelo valor também, porém, se a compra é necessária, sentimental, impulsiva ou invejosa, é outro detalhe. Mas, que há uma pobreza pela falta de capacidade de refletir, de agir e defender o justo e necessário, é inegável. Diz o ditado que "uma pessoa rica não é aquela que tem mais, mas sim, aquela que precisa menos".


Lauro Baum

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