Colunistas

A Amazônia é nossa

Alexandre Garcia, jornalista


Esta semana, o Papa fez um apelo para que os líderes do mundo salvassem a Amazônia. Perdão, Santidade, mas quando estouraram os escândalos do Banco do Vaticano ou da pedofilia, não ouvi nenhum líder brasileiro pedindo que o mundo salvasse a Santa Sé. Há quase um ano, achei bom que o Papa não tivesse feito nenhuma manifestação quando o líder na campanha presidencial brasileira foi esfaqueado para morrer. Afinal, o Vaticano nada tem a ver com a política brasileira. Mas agora vão fazer por lá, em outubro, um Sínodo para a Amazônia, cujo relator é o arcebispo de São Paulo, Dom Claudio Hummes. Vão tratar da Amazônia brasileira, que é brasileira; e de suas populações, que são brasileiras - num território estrangeiro, tal como faziam os impérios espanhol e português, ao nos colonizarem.
Dois cardeais alemães discordam de Roma a respeito desse Sínodo. Alegam que a carta com princípios do Sínodo é herética, estúpida e apóstasa. Não chega às 95 teses de Lutero nas portas da igreja de Wittenberg, mas é um aviso. Problemas na Igreja, mas problemas maiores com o Brasil. Da Alemanha também nos chega a informação de que o governo pode suspender 35 milhões de euros que seriam destinados a projetos contra o desmatamento. O dinheiro alemão iria para ONGS que têm estabelecido territórios autônomos na Amazônia, onde já impediram a entrada de general brasileiro. 
Como passou o tempo de governos mais preocupados em garantir dinheiro para permanecer no poder, estamos descobrindo agora de quem é a Amazônia. A riqueza do solo e do subsolo é nossa e de mais ninguém. E a conquistamos a despeito do Tratado de Tordesilhas, não é, Pedro Teixeira? E depois de Tordesilhas, não é Plácido de Castro, não é José Maria da Silva Paranhos Jr? 
Na homenagem a Villas Boas no Senado, ocupou a tribuna o líder do MDB, senador Márcio Bittar, do Acre, que, repetindo Plácido de Castro, lembrou que essa terra é nossa. Não temos que receber lições de ninguém. E nem é preciso discutir o mérito, porque nossa soberania está acima de qualquer julgamento. Que toda essa cobiça insistente sirva para que pensemos sobre o bordão "sabendo usar não vai faltar". A Amazônia, porque é nossa, é nossa responsabilidade. Significativamente, o vice-presidente da República, General Mourão, encerrou seu discurso de saudação a Villas Boas com o grito de SELVA!


Alexandre Garcia

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