Nilo Leopoldo Schneider
Por: Celso Carlos Prediger
Nilo atuou vários anos como técnico em Agropecuária na Emater/RS-Ascar, onde desenvolveu importantes trabalhos na orientação aos produtores rurais. Depois de aposentado, foi convidado a fazer assessoria à Regional dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais do Vale do Taquari, onde desempenha atividades em uma área composta de 23 municípios.
O Informativo do Vale - Quanto tempo faz que te contrataram para atuar como assessor para a área técnica e educacional da Regional dos STRs?
Nilo Schneider - Atuo como assessor regional sindical da Associação dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais do Vale Taquari, ligada à Federação dos Trabalhadores Rurais no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), desde janeiro de 2008. A minha área de atuação está concentrada em 23 municípios do Vale, atendendo 16 sindicatos e uma associação de agricultores familiares. A função do assessor é apoiar as atividades de coordenação, de organização, de formação sindical e de execução das tarefas e ações de mobilização do movimento sindical, atingindo todos os trabalhadores rurais e lideranças sindicais, para que se mantenham fortalecidos. O objetivo é atuar em defesa da categoria, assim como diagnosticar as fragilidades existentes, articular projetos de desenvolvimento municipal ou regional e encaminhar as ações expressas.
O Informativo do Vale - Como têm sido as experiências de trabalhar com o público do interior, com o qual já tinhas convivência antes, mas agora em uma nova situação?
Nilo - A atuação de aproximadamente 35 anos na extensão rural e assistência técnica, nos setores privado e público (32 anos na Emater), sempre ligado com o público do interior, me garantiram auferir conhecimentos suficientes para contribuir ainda com algo mais para a defesa da agricultura familiar na nossa região. Com o trabalho no movimento sindical, sem dúvida, foi uma nova missão desafiadora. Embora tivesse, ao longo do tempo, a convivência com vários dirigentes sindicais, agora isso se dá em uma situação e função diferentes. A experiência de trabalhar com esse público, envolvido no movimento sindical, é muito gratificante. Nota-se ainda uma enorme carência de informações do movimento sindical, que muitas vezes não chegam em tempo hábil a essas pessoas que vivem lá, distante, no interior, com dificuldade para acessar os serviços e benefícios que estão à sua disposição. O sindicato do município é a ferramenta de lutas e conquistas da categoria dos trabalhadores da agricultura familiar. Sabe-se que, em cada município, ainda tem uma enorme parcela de agricultores não filiados, porém, que estão usufruindo as conquistas do movimento sindical. Hoje precisamos estar atentos e mobilizados para manter alguns benefícios já conquistados, pois a todo o momento estamos diante de mudanças de legislação e de novas regras que atingem a nossa categoria de trabalhadores.
O Informativo do Vale - O produtor rural mais jovem já se mostra mais receptivo às novas tecnologias e formas de trabalhar, para obter da agricultura sua sobrevivência?
Nilo - Sem dúvida, obter da agricultura familiar a sobrevivência será o grande desafio do futuro, também para o movimento sindical inserido nesse contexto. A agricultura familiar vem passando por uma grande transformação e mudanças nos últimos anos. Hoje, não basta apenas ser receptivo às novas tecnologias de produção existentes. A agricultura familiar precisa ter uma visão, acima de tudo, planejada e sistêmica, e a propriedade organizada na forma de trabalhar. O nosso agricultor e, em especial, o jovem rural, para permanecerem na atividade rural, precisam alcançar renda na atividade que exploram, para ter motivação, autoestima e melhores condições de vida. Tivemos, nos últimos anos, diversos períodos de ondas de inovação tecnológica, que tem seus custos para a pequena propriedade. Hoje vivemos as redes da informática, da informação e da inovação, da biotecnologia, da produtividade radical, do sistema integrado, da ecologia industrial e da energia renovável. E pergunto: o pequeno agricultor familiar tem condições de absorver tudo isso para sua sobrevivência, aonde temos interferência e decisão na formação do preço do produto que produzimos na nossa propriedade? Será que a sociedade sabe que a agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos que são colocados na mesa do brasileiro? Se você hoje já tomou seu café, almoçou e jantou, agradeça a um agricultor familiar. Somos responsáveis por 70% da produção de carne de frango, 56% do leite, 60% da carne suína, 49% do milho, 67% do feijão, e assim por diante.
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