Somos mais do que simples eleitores
Por: David G. Orling
A sobrevivência do povo brasileiro é um dos mistérios da civilização humana. Por meio dos anos continuamos a existir como povo a despeito das contínuas violações e tentativas de esfacelamento da ordem democrática. Em cada geração, inclusive a nossa, enfrentamos inimigos. Sobrevivemos a vários momentos históricos que nos impuseram tentativas de destruição de toda sorte de valor social e democrático.
Se é um mistério compreender como nos mantivemos como povo, mistério ainda maior é o fato de termos sobrevivido a uma história tão dura e ainda podermos continuar a viver com otimismo e idealismo, empenhados em fazer deste um mundo melhor para todos os filhos desta terra.
Apesar de nossa história, entrecortada por períodos sombrios, continuamos a ser um povo idealista que anseia e luta por um futuro melhor. Em essência, somos imbuídos da esperança de um amanhã melhor para nós e para toda a humanidade.
Será que somos muito inocentes? Será que não avaliamos corretamente o sentimento anticidadão que percorre a mente de muitos? Será que nossa fé em Deus, que dizemos ser brasileiro, é tão extraordinariamente forte para desafiar todo o sofrimento a nós infringido, durante nossa história, parecendo indicar que o anti-humanismo pode persistir e triunfar? Talvez muitas pessoas que refletem e se preocupam com nossa história e dignidade como nação fazem essas perguntas a si próprias e concluem, sabiamente, que desconhecem a resposta a esse enigma, mas se sentem orgulhosas de ser parte do problema.
Se não fomos derrotados durante tanto tempo de violação do direito democrático, de espoliação dos recursos públicos e propaganda mentirosa, não será hoje que nosso povo se deixará abater, deixando triunfar aqueles que nos querem mal.
Os últimos meses têm sido muito duros para o Brasil e para o povo brasileiro. Por todos os lados vemos violência e uma forte campanha da normalidade dos erros. No entanto, em meio a essa difícil situação, algo voltou a ficar evidente: a união de todos os brasileiros, mundo afora, entre as ideologias e verdades que insistem em ser mais fortes do que o bem comum e entre todas as frentes da sociedade democrática de direito. É isso o que nos sustenta e nos mantém erguidos e confiantes de que esse almejado futuro existe à nossa frente. Em todas as partes, assistimos a demonstrações de insatisfação e não aceitação do que está errado. De maneira não clara e proposital está-se formando uma coalizão nacional de pessoas conscientes que apoiam a dignidade do Brasil e do seu povo. As manifestações democráticas, mesmo que não articuladas, estão a cada ano que passa e que amadurecemos como nação reunindo forças para que a natureza do Estado brasileiro seja a dignidade ética e moral. Somos milhões em topo o país que podemos pela participação democrática assumir o compromisso não apenas do voto, mas da participação efetiva do controle da nossa nação. O povo brasileiro nas suas mais diferentes funções necessita urgentemente manifestar o seu amor e cuidado pela nossa terra amada para que cresçamos nas ciências, na paz e no compromisso.
O desafio à nossa frente, hoje e sempre, é crescermos como um povo forte e consciente e unido, nos lembrando sempre de que nossa desunião, alienação no passado histórico, levou-nos a consequências sérias. Somos um só povo que precisa nesse tempo transcender a simples denúncia e reclamação. Somos um só povo que precisa assumir nossa história democrática de direito.
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