Feira do Livro é Paixão
Por: Joice A. Trentini Pereira
A Feira do Livro de Porto Alegre é uma das mais antigas do país. Sua primeira edição ocorreu em 1955, e seu idealizador foi o jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de Notícias. Inspirado por uma feira que visitara na Cinelândia, no Rio de Janeiro, Marques convenceu livreiros e editores da cidade a participarem do evento.
O objetivo era popularizar o livro, movimentando o mercado e oferecendo descontos atrativos. Na época, as livrarias eram consideradas elitistas. Por esse motivo, o lema dos fundadores da primeira Feira do Livro foi: ?Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo?.
A Praça da Alfândega era um local muito movimentado na Porto Alegre dos anos 1950 e de 400 mil habitantes. E no dia 16 de novembro de 1955, era inaugurada a 1ª Feira do Livro, com 14 barracas de madeira instaladas em torno do monumento a general Osório.
Na segunda edição do evento, iniciaram-se as sessões de autógrafos. Na terceira, passaram a ser vendidas coleções pelo sistema de crediário. Nos anos 1970, a feira assumiu o status de evento popular, com o início da programação cultural. A partir de 1980 foi admitida a venda de livros usados. E na década de 90, foram conquistados grandes patrocinadores, estimulados pelas leis nacional e estadual de incentivo à cultura.
A infraestrutura foi ampliada e modernizada, os eventos culturais se consolidaram, e a feira passou a receber grandes nomes do mercado editorial brasileiro e internacional.
A Feira do Livro de Porto Alegre adotou a tradição de eleger um patrono na 11ª edição, escolhendo o jornalista, político e escritor Alcides Maya. Os patronos eram eleitos entre escritores e livreiros significativos para o mercado editorial gaúcho e já falecidos. Entre os anos de 1965 e 1983, foram homenageados 13 escritores gaúchos, um jornalista, três livreiros e dois escritores estrangeiros.
Em 1984, a 30ª edição iniciou uma nova fase. O patrono Maurício Rosenblatt, um dos fundadores e grande incentivador da feira, foi o primeiro homenageado em vida. Desde então, os patronos passaram a ser escritores gaúchos ou radicados no Estado em atividade. Na 40ª edição, a Câmara do Livro fez uma homenagem a outros fundadores do evento. Foram escolhidos como patronos Nelson Boeck, Edgardo Xavier, Mário de Almeida e Sétimo Luizelli.
Outros grandes nomes que já figuraram entre os homenageados foram João Simões Lopes Neto (1966), Luís Vaz de Camões (1972), Erico Verissimo (1976), Auguste Saint-Hilaire (1979), Mario Quintana (1985), Moacyr Scliar (1987), Luis Fernando Verissimo (1991) Lya Luft (1996), Luiz Antonio de Assis Brasil (1997), Barbosa Lessa (2000) e Ruy Carlos Ostermann (2002).
Neste ano, o patrono de 2009, Carlos Urbim, entrega o posto a seu sucessor, o tradicionalista Paixão Côrtes, eleito por um colegiado composto de ex-patronos e ex-presidentes da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), membros do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho Estadual de Educação, além de titulares de entidades vinculadas ao livro, autoridades, reitores de universidades e representantes dos patrocinadores e apoiadores.
O evento inicia-se em 29 de outubro e vai até 15 de novembro, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre.
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