Edson Brum

É preciso defender os produtores de leite

Artigo Edson Brum


Não é raro que mudanças abruptas nas regras do comércio internacional prejudiquem justamente os que trabalham com as menores margens. É o que está acontecendo agora: o Ministério da Economia suspendeu a tarifa de importação de leite em pó da União Europeia e também da Nova Zelândia. Desde 2001, o produto vindo da Europa era acrescido de 14,8% e, no caso da Nova Zelândia, 3,9%. Os mais prejudicados, com a concorrência que se tornará desleal, impraticável, são os pequenos produtores da cadeia leiteira; no Vale do Taquari, eles constituem a grande maioria do setor.


As novas normas não param por aí, com exigências que parecem feitas sob encomenda para o benefício dos grandes. Conforme o novo regramento, todas as propriedades precisarão ter tanques de armazenamento e resfriadores para manter a temperatura do leite ao máximo de 7°, mais baixa do que os atuais 10°.


Como é sabido, nem todos os produtores, no campo, têm à disposição a estrutura necessária para esta adequação; em muitos casos, o próprio fornecimento de energia elétrica é precário. Na agricultura familiar, esta é uma realidade constante. Além do mais, seria uma regra redundante, já que o leite fornecido pelos pequenos produtores, que formam as cooperativas, já se destaca em padrões internacionais de qualidade.


Conforme dados divulgados pela direção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lajeado, a oscilação do mercado fez com que, nos últimos dois anos, pelo menos 25 mil agricultores tenham deixado a atividade no Rio Grande do Sul. No Vale do Taquari, mais de 1,2 mil propriedades interromperam a pecuária leiteira.


Fui reconduzido à Assembleia Legislativa para o quinto mandato e, desde o início da minha trajetória, tenho participado das lutas do setor, com especial atenção às necessidades dos pequenos e os médios. É preciso que o os produtores se mobilizem e exijam do governo federal a revisão das mudanças para que não ocorram ainda mais prejuízos a este segmento já tão sobrecarregado. Protocolei pedido de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo para tratar do tema. Também já iniciei os contatos com a representação gaúcha no Congresso Nacional e outras autoridades em Brasília, pedindo providências para a reversão desta nefasta medida.

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