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Vizinhos são unidos pelo bairro e conectados pelo WhatsApp

Moradores criaram um grupo para trocar informações e buscar melhorias

Créditos: Jean Peixoto
CLÁUDIO RICARDO DE OLIVEIRA: "Sempre fazemos as solicitações do bairro em conjunto. Juntos temos mais força" - Jean Peixoto

Lajeado - No dia 31 de janeiro, o presidente do Facebook e proprietário do WhatsApp, Mark Zuckerberg, anunciou que o aplicativo de mensagens havia alcançado a marca de 1,5 bilhão de usuários ativos por mês. Na ocasião, foi constatado que aproximadamente 60 bilhões de mensagens são enviadas todos os dias. Por ser considerado o meio de comunicação mais rápido e prático para troca de informações, um grupo de moradores do Bairro São Bento decidiu se juntar a esses bilhões de usuários do serviço, há cerca de três anos.


Dúvidas, comunicados, preocupações e pedidos de ajuda são algumas das pautas abordadas no grupo de WhatsApp dos moradores do Loteamento Hagemann, na Rua Érico Webber e transversais. Criado em 13 de maio de 2016 por Cláudio Ricardo de Oliveira (43), hoje, o grupo já conta com 40 membros. "No início tinha umas 16 pessoas, mas com o tempo foi aumentando", lembra o fundador. Ex-comprador em uma empresa da região, Oliveira percebeu que o WhatsApp poderia ser uma ferramenta muito útil para a comunicação em grandes grupos. "Na empresa em que eu trabalhava, tinha grupo para tudo. Quando haviam situações que demandavam troca de informações, eles compravam walkie talkies ou celulares. Mas da última vez, não foi necessário. Fazíamos tudo por WhatsApp. Com isso, eliminou-se, em muito, os custos para a comunicação da empresa. Daí tive a ideia de criar o grupo do bairro junto com os vizinhos André Hauschild e Carlos Quaresma."

Conexão

Há 10 anos, Oliveira trocou o agito da vida na capital gaúcha pela tranquilidade de Lajeado. Há três anos, se mudou com a esposa Kellen e o filho Henrique para o São Bento. "Vim para cá em busca de tranquilidade", relata. No entanto, em julho de 2017, parte do sossego tão almejado foi interrompido.


Até a data, a Rua Érico Veríssimo, que é asfaltada, terminava em uma área verde, alguns metros à frente da residência de Oliveira. A proximidade com a natureza e o refúgio oferecido pela rua sem saída foram as principais razões da escolha do local para viver com a sua família. "Em questão de uma semana, abriram a rua e fizeram essa conexão com o Bairro Floresta", conta. Antes, os vizinhos eram reconhecidos até mesmo pelo som do carro que dirigiam. A partir da abertura, passaram a trafegar ônibus e caminhões pela via. Além do barulho, a poeira vinda do trecho pertencente ao Floresta - que não é asfaltado - também causou incômodo às famílias. Outro problema observado pelos moradores foi aumento dos casos de furtos em diversas residências.


A mudança foi discuta entre os membro do grupo de WhatsApp. Oliveira foi um dos que buscaram orientação legal para saber como proceder. No entanto, foi constatado que a abertura foi feita de acordo com a legislação prevista. Embora descontentes, aos poucos, a nova condição foi sendo aceita. "Tem até alguns membros do lado do Floresta aqui no grupo agora", acrescenta.

Colaboração

A solidariedade é membro ilustre no grupo de WhatsApp do São Bento. Oliveira comenta que recentemente foi feita uma movimentação para ajudar uma vizinha que se encontra acamada. Identificar as demandas do bairro e repassar às autoridades também está entre as finalidades. "Se alguém vê uma movimentação suspeita, quando falta água ou energia elétrica, o pessoal já comenta lá", afirma. Ele recorda do vandalismo ocorrido no cemitério do bairro, que foi noticiado pelo Informativo do Vale, e resultou em uma reunião entre moradores e representantes do poder público. "Sempre fazemos as solicitações do bairro em conjunto. Juntos temos mais força", ressalta. Atualmente, não existem regras para participar do grupo, mas mesmo assim, o fundador salienta que o convívio é totalmente pacífico. "Nunca houve uma briga sequer. Todos se respeitam e se ajudam. Há grupos com menos pessoas ou de família em que os membros não conseguem conviver em paz."

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