Política

Comerciários pedem audiência sobre abertura das lojas aos domingos

Grupo promoveu manifestação com cartazes na sessão de ontem da Câmara de Vereadores

Créditos: Matheus Aguilar
PROTESTO: trabalhadores do comércio levaram cartazes e nariz de palhaço para mostrar insatisfação com o projeto - Matheus Aguilar

Lajeado - A mobilização de comerciários pode fazer com que o projeto que altera o Código de Posturas do Município para permitir a abertura dos estabelecimentos comerciais aos domingos e feriados seja discutido em audiência pública. A proposta de lei tramita em regime de urgência na Câmara dos Vereadores. Mas o debate promete ser longo. Ao menos é o que deu a entender a sessão de ontem do Legislativo.

Munidos de cartazes, bonecas e nariz de palhaço, trabalhadores do comércio manifestaram seu desgosto com a possibilidade de que as lojas possam abrir nos dias que hoje são de descanso. O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Lajeado (Sindi Comerciários), Marco Daniel Rockenbach, afirma que a mobilização vai continuar. Ele revela que os vereadores foram procurados na manhã de ontem. "Nestas visitas, nos informaram que o texto ainda não seria votado. Ainda assim, fizemos este importante movimento para que os vereadores percebam que a categoria está insatisfeita com esse projeto", ressalta.

O Sindi Comerciários também protocolou uma solicitação de audiência pública para abordar a abertura dos estabelecimentos de forma mais ampla. "Não é só uma questão de abrir as lojas. Tem que ver se tem estrutura para isso, como transporte, creche para que pais e mães tenham onde deixar os filhos. Os supermercados já sofrem com isso aos domingos", indica Rockenbach. Em conversa com o grupo que esteve na sessão de ontem, ele solicitou reforço na mobilização e novo ato na próxima terça-feira na Câmara.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura, Douglas Sandri, frisa estar tranquilo com o debate. "Já é um tema que está sendo tratado desde o ano passado no Conselho de Desenvolvimento Econômico. As entidades também falam disso há bastante tempo, inclusive já se posicionaram a respeito", descreve. Segundo ele, o Município está aberto ao diálogo sempre.

Opiniões divididas

Entre os vereadores, há favoráveis e contrários a abertura do comércio em domingos e feriados. O debate mais amplo, no entanto, é defendido na Casa. Arilene Maria Dalmoro (PDT) diz saber que a proposta é polêmica. "Por isso estamos avaliando com o maior cuidado e respeito. Entendemos a situação de todos e não queremos prejudicar ninguém", aponta. Já Sérgio Miguel Rambo (PT) diz que o projeto carece de dados. "Não há informação de quantos empregos ou quanto de renda uma alteração dessas pode gerar. Precisamos ampliar a discussão e ver o que isso acrescentaria na nossa economia", indica.

Nilson José do Arte (PT) comenta que este é o principal assunto do município nos últimos dias. "As pessoas nos perguntam como será meu voto diante de uma situação como essa. Precisamos de muito debate sobre esse assunto, que a Câmara esteja cheia de pessoas que venham colocar suas visões para que a gente possa ter uma posição", descreve. Ildo Paulo Salvi (Rede) aponta que o comércio tem que ser livre para atuar. "Mas precisamos pensar como um todo. Não podemos prejudicar o que já temos aqui. Acredito que devemos ser a favor da geração de empregos, mas avaliar com cautela essa proposta", refere.

Carlos Eduardo Ranzi (MDB) manifesta que falta debate em diversos assuntos. "Quando tudo é emergencial, falta organização. Muitos assuntos, como é o caso deste, precisam de tempo para análise e discussão", frisa. Colega de partido, Antônio Marcos Schefer lembra que já existe uma lei sacramentada no município a respeito da abertura do comércio em domingos e feriados. "Precisamos lembrar que a Prefeitura e a Câmara não funcionam nesses dias. E há mais uma série de fatores que precisam ser levados em consideração. Temos que debater e avaliar se há estrutura para que as lojas funcionem", aponta.

Mozart Pereira Lopes (PP) já disse ser favorável à aprovação do projeto. "Lajeado é um polo comercial. Sou a favor da livre negociação, sem a retirada de direitos de nenhum trabalhador. Temos que pensar na geração de mais vagas de trabalho", reforça. Já Paulo Adriano da Silva (PPL), tem opinião contrária. "Já trabalhei aos finais de semana e não desejo isso pra ninguém. Não tem preço uma folga no final de semana para aproveitar com a família", comenta.

O presidente da Câmara, Ederson Fernando Spohr (MDB), informa que a possibilidade de realização de audiência pública vai ser discutida internamente no Legislativo. "É um assunto que merece atenção e vamos analisar a possibilidade de realizamos esta audiência."

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