Política

Câmara quer audiência pública sobre mudanças na educação

Vereadores comentaram reestruturação. Comunidade escolar pede mais diálogo

Créditos: Luísa Schardong
IMPASSE: comunidade escolar exibiu cartazes pedindo mais diálogo - Luísa Schardong

Lajeado - O Legislativo repercutiu o anúncio das mudanças na gestão da rede pública municipal de Educação. Uma reunião com diretores, professores, monitores, pais e alunos, que aconteceu ontem no plenário da Casa, adentrou o horário da sessão ordinária e teve que ser encerrada sem conclusão. Cartazes com palavras de ordem e pedidos por respeito foram fixados nas paredes do plenário.

"O nosso regimento interno determina os horários. Mas vamos fazer uma audiência pública que permitirá a todos expressar sua opinião", garantiu o presidente da Mesa, Waldir Blau (PMDB). "Não será um convite à Secretaria de Educação, mas uma convocação." A audiência está prevista para o próximo dia 9, um sábado, na Câmara. O horário do encontro ainda não foi definido.

O que pensam os vereadores
Para Mariela Portz (PSDB), a reestruturação vem oferecer oportunidades iguais as crianças. "O nosso desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é muito baixo, apesar da equipe tão qualificada. Podemos mais", disse.

Sérgio Rambo (PT) foi incisivo. "Essa senhora do Rio de Janeiro deve entender de Carnaval, não de educação", disparou. "Foi feito de forma autoritária. Não podemos retroceder."

Sérgio Kniphoff (PT) foi pela mesma linha. "A vantagem de destruir educação pública é investir na educação privada. A ex-secretária da pasta do Governo Carmen Regina, do mesmo partido do prefeito, já criticou esse modelo que se quer implementar aqui", lembrou.

Já Nilson do Arte (PT) falou em falsa economia. "Eu não tenho conhecimento de causa para avaliar as mudanças. Mas nós, enquanto vereadores, temos que apoiar o que é melhor para a comunidade", comentou.

Já Neca Dalmoro (PDT) pediu prudência. "Só com essa primeira explicação, não fui convencida de que isso é bom ou ruim. A impressão que tenho é que um trabalho de anos foi desconstruído. Quero ouvir e conversar com as escolas para entender", garantiu.

Para Éder Spohr (PMDB), a falta de diálogo é o que incomoda. "A Prefeitura precisa começar a prestar atenção nos maiores interessados das mudanças - e não só com educação, mas com vários setores. Politicamente, o prefeito vai pagar caro por essas imposições", avaliou.

Carlos Ranzi (PMDB) também lamentou a situação. "Quero deixar claro que vereador nenhum votou ou soube disso antes - se definiu em escritório, sem consultar professores", levantou.

Parlamentares de situação defenderam a alteração. Fabiano Bergmann (PP) disse que nada estava fechado ainda. "Vamos conversando com a população para resolver a questão", sugeriu. Waldir Gisch (PP) disse que para a Prefeitura, "não interessa a questão partidária, mas o que é melhor para o povo" e que diálogos eram permanentes.

Líder de Governo na Casa, Mozart Lopes (PP) pediu confiança. "Toda mudanças gera reação. Vamos dar um voto de confiança na credibilidade desse novo governo, para abordar o assunto da melhor maneira. Se percebermos um erro, seremos humildes e reconheceremos", resumiu.

Nova sede e independência da Casa
Diante do impasse gerado entre os parlamentares, o presidente do Legislativo adianta que bancará sozinho a decisão sobre a nova sede. Mas mantém o mistério: "já optei por uma, porém só vou anunciar qual é quando tiver os papéis todos em dia, prontos. A decisão está tomada", garante.

Ainda, uma resolução aprovada hoje pelos vereadores declarou a independência financeira e orçamentária da Câmara de Lajeado, com a desvinculação dos serviços administrativos de Controles Contábeis e Financeiros do Poder Executivo. "Para comprar uma caneta hoje precisamos de autorização do Executivo. A independência vai agilizar tudo. O próprio Tribunal de Contas do Estado apontou para essa necessidade", justifica Blau.

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