Política

"Não a estupraram? Que pena", diz vereador de Taquari para deputada

Clovis Bavaresco (PP) foi criticado por comentários em uma rede social, referindo-se à petista Maria do Rosário

Créditos: Luísa Schardong
- reprodução facebook

Vale do Taquari - Na noite de quarta-feira, a deputada federal Maria do Rosário (PT) foi assaltada em frente à sua residência, em Porto Alegre. Depois do ocorrido, a assessoria de imprensa da parlamentar divulgou uma nota, informando que "além do carro, foram levados pertences pessoais", mas que ela e o marido passavam bem. O assunto repercutiu nas redes sociais e um vereador de Taquari virou protagonista do episódio.

Pelo seu perfil em uma rede social, Clovis Bavaresco (PP) escreveu: "Não a estupraram com violência? Não mataram nenhum parente dela? Que pena! Ela deveria sofrer na carne!". Em outro comentário ele ainda questiona: "Não quiseram estuprá-la? Vagabunda!".



As declarações fazem referência a um posicionamento adotado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) quando, em 2014, durante fala na tribuna, ele disse que só não estupraria Maria do Rosário porque ela "não merece". Bolsonaro foi denunciado pela pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pagar indenização de R$ 10 mil à deputada por danos morais e incitação ao crime de estupro e injúria.

Por aqui, o vereador foi criticado por parlamentares e eleitores. Vice-presidente do Legislativo de Taquari, Ramon Jesus (PT) publicou uma nota sobre o assunto. "Defender um determinado partido ou contrariar as posições de outro fazem parte da democracia. Infelizmente as manifestações de ódio, palavras indevidas e incitação ao estupro e o desrespeito para com as mulheres não podem estar inseridos dentro do debate de legisladores", escreve.

Eleitores também criticaram Bavaresco. Uma das reações classifica a atitude como intolerável e aponta o vereador como "seguidor de Bolsonaro, machista, misógino", e pede sua cassação. Escrito por uma mulher, uma das colocações lembra: "É por esse tipo de comentário, esse tipo de gente, que muitos 'machões' se sentem no direito de agredir, verbalmente, psicologicamente e fisicamente uma mulher! O senhor vereador em questão foi muito infeliz no comentário... e espero que se retrate perante o seu município e a todas as mulheres!".
Segundo o Ministério da Saúde, são registrados cerca de dez estupros coletivos por dia - em 2014, o Brasil tinha um caso de estupro notificado a cada 11 minutos e 67% da população tem medo de ser vítima de agressão sexual.

Repúdio
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), através da subseção de Taquari, encaminhou ofício ao Legislativo, ontem, para "registrar veemente repúdio às manifestações de ódio, preconceito, desrespeito, incitação a práticas criminosas e machismo" praticadas por Bavaresco. "A postura adotada pelo referido vereador mostra-se incompatível com o decoro e a ética exigidos de um representante do Poder Legislativo, especialmente considerando os princípios da democracia e da dignidade da pessoa humana." E finaliza, avisando que a "OAB mantém-se vigilante."



O outro lado

O Informativo do Vale - Porque o senhor escreveu aquele comentário?
Clóvis Bavaresco - Foi num contexto de indignação. Já fui assaltado duas vezes e chamado de vagabundo. Também fui vítima de abigeato. Minha filha, inclusive, sofreu assalto.

O Informativo do Vale - Mas porque o comentário foi dirigido à deputada?
Bavaresco - Porque ela é uma representante desse caos social. Ela defende esse tipo de gente, bandidagem. Não quero isso pra minha família.

O Informativo do Vale - O que o senhor quis dizer com aquela colocação? Que ela merecia ser estuprada?
Bavaresco - A ideia não era essa. Estão dando a conotação errada. Na verdade, perguntei se alguma daquelas coisas tinham acontecido, não disse que era pra acontecer com ela.

O Informativo do Vale - Algumas pessoas, principalmente mulheres, ficaram incomodadas com o seu comentário. O senhor se arrepende do que escreveu?
Bavaresco - Não. Continuo indignado.

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