Polícia

Operação da PF cumpre ordens judiciais em empresa na região

Frigorífico com unidade em Arroio do Meio é investigada por fraude em análise relacionada à contaminação por salmonela

Créditos: Redação
Vale do Taquari - A unidade da BRF (Brasil Foods) de Arroio do Meio foi um dos locais em que a Polícia Federal (PF) cumpriu 91 ordens judiciais na terceira fase da Operação Carne Fraca, na manhã de ontem (5). A Operação Trapaça dá andamento a investigações sobre fraudes praticadas por empresas e laboratórios que burlaram o Serviço de Inspeção Federal (SIF), impedindo a fiscalização eficaz do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com a PF, foi cumprido um mandado de busca e apreensão e outro de condução coercitiva na BRF de Arroio do Meio. A empresa detém as marcas Sadia, Perdigão e Qualy, entre outras.

As investigações apuraram que laboratórios credenciados junto ao Mapa e setores de análises do grupo empresarial fraudavam resultados de exames em amostras do processo industrial, relacionados à contaminação por bactérias Salmonella pullorum. O objetivo era omitir as condições sanitárias dos lotes de animais e produtos. As fraudes ocorreram entre 2012 e 2015. Segundo o delegado da PF, Maurício Boscardi Grillo, o esquema iniciava nas granjas de cooperados e estendia-se até plantas frigoríficas e análise laboratorial.
O Ministério da Agricultura esclareceu, porém, que não há risco à saúde dos consumidores. Conforme o órgão, a presença da salmonela em alimentos é comum e o risco depende da forma de preparo e consumo dos produtos. A bactéria é destruída quando exposta a altas temperaturas. Em nota, o Mapa explicou que existem mais de duas mil variedades de salmonela e apenas duas geram preocupação para a saúde animal e duas para a saúde das pessoas.

A partir da operação, as unidades em que foram cumpridas as ordens foram proibidas de exportar produtos a países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação da salmonela. Os laboratórios alvo da operação terão seus credenciamentos junto ao Mapa suspensos até a finalização dos procedimentos e o órgão prometeu intensificar a frequência de medidas complementares de fiscalização. Os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade documental, estelionato qualificado, formação de quadrilha, e crimes contra a saúde pública. Onze pessoas foram presas temporariamente e levadas à Superintendência da PF em Curitiba. As ordens judiciais foram cumpridas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás e São Paulo.
 
Apoio
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) emitiu uma nota apoiando as investigações relacionadas a possíveis fraudes laboratoriais. A entidade defendeu o correto levantamento de problemas e punição aos envolvidos, mas ressaltou que existe um esforço contínuo do poder público e iniciativa privada pela transparência no processo produtivo. "Ao consumidor, é importante esclarecer: não há riscos!  A investigação se relaciona com as análises de presença do grupo de Salmonella spp, que são destruídas durante o cozimento dos alimentos".  
 
Relembre o caso
A Operação Carne Fraca foi deflagrada em março do ano passado, depois de uma ação trabalhista movida por uma ex-funcionária e desarticulou um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e proprietários de frigoríficos no Paraná, Minas Gerais e Goiás. Os fiscais alvo da operação recebiam propina das empresas para emitir certificados sanitários sem fiscalização da carne, permitindo a venda de produtos com prazo de validade vencido. Após a primeira fase, o Brasil recebeu mais de 300 comunicados oficiais envolvendo demandas de 93 países preocupados com a qualidade da carne produzida no país. Alguns, inclusive, suspenderam temporariamente as importações de determinados tipos de carnes ou oriundos dos frigoríficos alvos de investigação. Em dezembro, o governo federal lançou o selo Agro Mais Integridade, concedido a empresas do setor agropecuário que adotam medidas capazes de impedir práticas de corrupção ou outras ilegalidades.
 
Outro lado
No final da tarde de ontem, a BRF emitiu um comunicado geral a respeito da Operação Trapaça. Em nota, a empresa afirmou estar mobilizada para prestar todos os esclarecimentos à sociedade e que segue todas as normas e regulamentos brasileiros e internacionais referentes à produção e comercialização de seus produtos. "Há mais de 80 anos demonstra seus compromissos com a qualidade e segurança alimentar, que estão presentes em todas as suas operações no Brasil e no mundo. A BRF possui importantes certificações internacionais de qualidade. É a única empresa brasileira a participar do GFSI (Global Food Safety Initiative). Com base nos documentos disponíveis, a BRF entende que nenhuma das frentes de investigação da Polícia Federal diz respeito a algo que possa causar dano à saúde pública". O documento explicou que a empresa também segue todos os monitoramentos estabelecidos pelo Plano Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) e Instrução Normativa número 20. "No lote de 46 mil pintos citado na acusação foram realizadas análises microbiológicas que não identificaram presença da bactéria S.Pullorum. Porém, ela foi identificada em matrizes e lotes de frango de corte no mesmo período em Carambeí. Os resultados dessas análises foram devidamente notificados ao Serviço Veterinário Estadual e ao Serviço de Inspeção Federal, como determina a legislação. O ofício nº 016/16/Matrizes foi encaminhado no dia 18 de abril de 2016 ao Serviço Estadual. Outros 28 ofícios relacionados ao assunto foram encaminhados ao Serviço Federal". 

Quanto ao composto utilizado na ração oferecida aos frangos, a empresa garantiu que os processos de produção seguem normas técnicas nacionais e internacionais. De acordo com a nota, as fábricas que produzem o composto são registradas e certificadas pelo Mapa e passam por fiscalização constantemente. "A última auditoria do Mapa na BRF ocorreu em outubro de 2017, e todos os parâmetros estavam devidamente dentro das normas. Os e-mails revelados pela investigação em curso são de três anos atrás. O teor das mensagens está sendo investigado pela empresa".

 

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