Polícia

Após assalto, agência bancária não tem previsão de reabertura

Impacto da explosão danifica estrutura física e sistema operacional da unidade de Santa Clara

Créditos: Naiâne Jagnow
- Naiâne Jagnow

Santa Clara do Sul - Os moradores da área central do município viveram momentos de pânico na madrugada de ontem, durante um assalto a uma agência bancária na Avenida 28 de Maio. Foi o terceiro ataque a banco no Vale do Taquari em menos de 15 dias. Os criminosos armados e encapuzados explodiram o cofre e o terminal de caixa eletrônico, e fizeram um cordão humano com reféns para intimidar qualquer investida policial. As vítimas seriam funcionários de uma empresa que haviam deixado o trabalho minutos antes. A quantia levada pelos bandidos não foi divulgada.

Um casal de moradores das proximidades conta que ouviu cerca de três disparos de arma de fogo, pouco antes das 3h. O homem ficou assustado ao perceber a movimentação nas ruas e logo notou que o banco seria o alvo da ação. "Nós ouvimos conversas e carros passando. Eu sabia que não podia ligar a luz ou me mexer. Quando ouvi o som do dinamite tive certeza do ataque e fiquei escondido. Fomos surpreendidos, mesmo prevendo que isso poderia acontecer porque ocorre em todo o lugar. Não iríamos ser os únicos protegidos. Mas realmente dá um susto ser acordado por estrondos de dinamites no meio da madrugada."

A ação durou poucos minutos. Enquanto um grupo fazia reféns e acionava os explosivos, um homem ficava mais distante dando cobertura e impedindo que alguém se aproximasse. As testemunhas ouviram pelo menos quatro explosões e diversos disparos de arma de fogo. De acordo com a polícia, eram cerca de seis assaltantes em dois veículos, sendo que uma caminhonete GM Montana foi abandonada logo após o ataque. O automóvel havia sido roubado em Gravataí, no dia 25 de janeiro, e estava com placa clonada de Novo Hamburgo.

Policiamento

No momento do assalto não havia guarnição da Brigada Militar (BM) de serviço no município. Alguns moradores, porém, sentem-se aliviados por isso, já que poderia ocorrer um confronto. "Quem sofre mais é o povo. Eu estava com medo de a polícia chegar e fazer um enfrentamento. A diferença de poder de fogo entre a BM e os bandidos é muito grande. A nossa segurança que deveria ser forte, mas realmente está fraca. A gente só fica feliz por ninguém ter se ferido. Santa Clara é uma cidade boa de morar e é tranquila. Aconteceu isso aí, fazer o quê?", observa uma testemunha.

Os criminosos teriam fugido em direção ao município de Mato Leitão e o policiamento teria chegado ao local do crime em menos de cinco minutos após ser comunicado da ocorrência.

A unidade mais próxima de atendimento da BM seria a de Cruzeiro do Sul, cerca de nove quilômetros distante. As investigações estão sob responsabilidade da Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil.

Clientes serão atendidos em Lajeado

Os usuários da agência do Banco do Brasil (BB) de Santa Clara do Sul deverão buscar atendimento na unidade de Lajeado. Devido ao prejuízo causado pelos criminosos, ainda não há previsão de retomada dos serviços no município. O presidente do Sindicato dos Bancários de Lajeado, Edson Leidens, não descarta a possibilidade de suspensão definitiva, como ocorreu em outras cidades onde houve assaltos. No ano passado, as unidades de Boqueirão do Leão e Progresso encerram as atividades. Em Paverama houve anúncio de fechamento, no entanto, a agência foi reaberta após mobilização política local. No dia 21 de fevereiro, bandidos tentaram arrombar o caixa eletrônico do Banco do Brasil em Pouso Novo. Desde então, o posto está fechado.

Para Leidens, a medida prejudica a comunidade e também sobrecarrega os funcionários das agências que precisam receber os clientes remanejados. "Não é por falta de lucro que as instituições não investem em pessoal, tecnologia e infraestrutura. Como entidade, vamos buscar a reabertura dessas agências para atender à população do Vale do Taquari." Como Lajeado possui apenas uma agência do BB, alguns servidores de Santa Clara do Sul foram transferidos temporariamente para atender à demanda.

Uma alternativa para os moradores de cidades em que o atendimento foi suspenso é o internet banking. As transações online são rápidas e podem evitar deslocamentos, mas o presidente do sindicato alerta que os usuários precisam estar atentos aos endereços e formas de acesso para não serem vítimas de fraudes. "Nossa cultura ainda não permite uma mudança tão radical de comportamento. Algumas pessoas já utilizam os serviços online, mas agências físicas são necessárias. O banco em Santa Clara era bem movimentado, porém no momento existe essa incerteza sobre o atendimento."

Outra incógnita é a escolha dos assaltantes por determinados bancos. No Vale, os principais alvos são Banco do Brasil, Sicredi e Banrisul. Conforme o representante da entidade, não há consenso sobre a motivação dos ataques a estas instituições. Ele pondera que os assaltos podem estar vinculados a informações privilegiadas fornecidas aos assaltantes a respeito das movimentações financeiras, datas de maior fluxo de clientes e dinheiro ou até de carências de sistemas de segurança.

O outro lado

O major Marcelo de Abreu Fernandes, que responde pelo Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Taquari (CRPO-VT), afirma que a BM tem adotado, eventualmente, o sistema de patrulhamento intermunicipal (Patrim) devido ao efetivo reduzido em algumas localidades, principalmente em função do deslocamento de pessoal para a Operação Golfinho. Assim, uma mesma guarnição atua em duas cidades limítrofes em determinadas faixas de horário. Ele garante, porém, que o quadro de servidores será integralizado a partir de hoje.

De acordo com o oficial, esse tipo de policiamento evita o emprego de servidores de forma isolada, dando mais segurança às equipes para ações preventivas e repreensivas. "É uma forma de otimização dos recursos humanos que proporciona presença constante da BM em ambas as cidades".

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