Colunistas

Um viva à gentileza

Tudo teria sido um martírio, não fosse a bondade de uma moça bonita, moradora de Estrela, que cedeu seu lugar para esta senhora, que agora escreve


Dia desses chovia muito e então resolvi pegar um ônibus para ir para casa. Desembarcaria na BR-386, mas, tudo bem, estaria perto de onde moro. Quando embarquei, fui surpreendida com o ônibus lotado. E lá fui eu, segurando firme nas barras. Mas a dificuldade aumentava a cada curva. Tudo teria sido um martírio, não fosse a bondade de uma moça bonita, moradora de Estrela, que cedeu seu lugar para esta senhora, que agora escreve.

Amigo leitor, quando chegamos a certa idade, nosso equilíbrio diminui. Ah, e como! Lembro muito bem quando trabalhava em Estrela. Quanto viajar de pé! Mas, na naquela época, tudo era mais fácil, a idade contribuía. Hoje convivemos com as dores naturais da data de nascimento antiga - nem tão antiga! E ficamos por demais agradecidos quando um jovem nos presenteia com uma gentileza, o que nos leva a concluir como foi a criação dada pelas pessoas que os rodeiam. Como é bom nos sentirmos acarinhados, paparicados pelos mais novos! Como é gratificante encontrar ex-alunos e receber deles um abraço de reconhecimento pelos ensinamentos dados há anos atrás! Dizem que gentileza gera gentileza. Será por isso que hoje recebemos a recompensa?

Sabemos que estamos vivendo num mundo conturbado, onde os valores da vida estão sendo desperdiçados por aqueles que não conhecem gestos afetuosos, palavras de otimismo, atos generosos... Enfim, estão agindo por interesses próprios, em que o egoísmo ocupa todos os espaços. Assistindo e lendo as notícias da última semana, ficamos cada vez mais perplexos com as reações do homem e da própria natureza. Quanta tristeza vivida por tanta gente de bem! Contudo, quanta solidariedade vista em momentos de terror! Que bom que nem tudo está perdido! Existe gente de bem espalhada pelo mundo todo, com as mais diferentes idades.

No dia 1º de outubro comemoramos o Dia do Idoso. Receber um abraço, uma visita, uma atenção especial de quem se ama é muito gratificante. Pois, para aquele que não consegue mais produzir, que não consegue mais fazer suas caminhadas, sentir todas as limitações deve ser muito triste. Entretanto, quanta alegria lhes pode ser proporcionada com uma verdadeira demonstração de amor, dedicando um tempo para ouvir as histórias vividas por aqueles que carregam a dignidade na alma, a verdade, o amor em cada gesto, também a saudade no olhar distante e que, mesmo com as mãos trêmulas, a audição escassa, são capazes de oferecer o carinho que nunca esqueceremos. E o que podemos oferecer, além do nosso tempo, é respeito, gentileza, paciência e muito amor.

Caro leitor, se realmente retribuirmos as gentilezas recebidas, poderemos transformar os espaços que ocupamos, mas nunca esquecendo que a verdade é o espelho de nossa alma.


Paz e bem
Homenageio, com carinho, meu filho mais velho, Josué, que ontem esteve de aniversário. Felicidades sempre!! Abraço também a querida Marlene Hexsel, leitora assídua das minhas crônicas, e parabenizo a minha amiga Márcia Wüst, aniversariante do dia 11, quarta feira.

PS.: Gostaria de poder contar com meus amigos, ex-colegas, ex-alunos, enfim, gostaria de ter, na noite do dia 17 de outubro, no Parque do Imigrante, a presença de quem me quer bem, pois serei a Patrona da 12ª Feira do Livro de Lajeado. Isto não conquistei sozinha. Foram todos vocês que me impulsionaram para chegar até aqui. O evento inicia às 19h30min e estarei lá, esperando por aqueles que gostam de mim e que apreciam meu trabalho.

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