Mulheres que Transformam

Carmen Regina Pereira Cardoso

Educação, política e família

Créditos: Rita de Cássia
- Rita de Cássia

Conversar com dona Carmen Regina Pereira Cardoso (75) é estar frente a frente com a coragem. Essa foi a característica fundamental para transformar a menina estudiosa e determinada em uma mulher à frente do seu tempo. E foi justamente em uma época em que tudo era ainda mais difícil para as mulheres que ela conquistou seu próprio espaço e abriu caminhos para as novas gerações. Dedicou boa parte da sua vida à educação, mas foi na política que seu nome está marcado de forma memorável na história de Lajeado. Foi a primeira vereadora - cadeira mantida por 16 anos; a primeira a assumir a presidência do Legislativo e a primeira prefeita da cidade. E reeleita, foram dois mandatos à frente do Executivo. É apaixonada pela família, desde as mais doces lembranças dos pais até a chegada dos filhos e netos. Embora ainda aprecie festas e eventos, são os encontros com familiares que estão no topo das prioridades. Além da forte ligação com as escolas e com a política, sua vida sempre teve, e ainda tem, forte ligação com o Rotary. Primeiro por meio dos pais e do ex-marido Solon Cardoso, e agora, como integrante do Rotary Club Integração.

A menina batalhadora
Carmen Regina Pereira Cardoso nasceu no Hospital São Gabriel Arcanjo, em Cruzeiro do Sul, em 9 de novembro de 1943, filha do médico Thomaz de Assunção Pereira e da dona de casa Donatila Silveira. Morou na cidade durante quase 25 anos, e após, a família mudou-se para Lajeado. Estudou no Colégio Madre Bárbara e formou-se como professora de Séries Iniciais, História, Geografia e Moral e Cívica. Atuou pouco em sala de aula, pois desde o início da carreira já demonstrava aptidões para a área administrativa das escolas. Esteve na direção de várias delas. Aposentou-se na Escola Estadual Fernandes Vieira, no Centro de Lajeado. Foi lá, também, onde recebeu incentivo para ingressar na vida política. A primeira campanha foi feita com base familiar e com o apoio das colegas de trabalho. "Foi muito bonita. Tínhamos música, um Fusca, corações feitos manualmente. Então, me elegeram a primeira vereadora de Lajeado", lembra.

Mãe e avó
"A minha prioridade hoje em dia é a minha família. Estou numa fase da vida de somente agradecer por tudo", diz. Dona Carmen Regina conversou com a reportagem de O Informativo prestes a embarcar rumo a Recife, para ver a sexta neta, chamada Alice. São esses momentos que alegram a sua vida e, sempre que pode, está perto dos quatro filhos: Fabíola, Solon Filho, Álvaro e Melissa; e dos netos, claro. As fotos, carinhosamente distribuídas no apartamento onde vive no Centro de Lajeado, também demonstram a vontade de estar próxima ao seus, além das boas lembranças de quando os filhos eram crianças. "Nunca exigi que eles fossem os primeiros da classe ou que tivessem as melhores notas, mas sim, que estivessem entre os primeiros. Sempre tiveram toda a retaguarda da família, então, tinham a obrigação de dar um retorno. Graças a Deus estão todos formados e bem encaminhados", comemora.

Civismo e respeito
Com uma vida dedicada à família, mas também à educação e à política, dona Carmen tem uma reclamação a fazer. "Nunca deveriam ter tirado dos currículos escolares as disciplinas de Filosofia, Estudos de Problemas Brasileiros (EPB), Organização Social e Política Brasileira (OSPB), Educação Moral e Cívica (EMC). Aquele civismo, aquele amor à pátria, o respeito pelas coisas públicas se perderam com o tempo. Se os jovens tivessem tido essas disciplinas teriam mais garra para salvar essa nação brasileira. A educação ficou muito prática e tecnológica. Há um ditado que segundo ela, diz muito sobre a situação do país, "no recuo dos bons, avançam os outros". A sociedade se acomoda, deixa que os outros ocupem espaços, e nem sempre são pessoas bem-intencionadas".

A vaidade
Sempre elegante, maquiada e com o cabelo impecavelmente arrumado, Carmen Regina acredita que a vaidade está diretamente ligada com a autoestima. "Eu me sinto mal se alguém chegar aqui em casa e eu estiver de cara lavada. Não tiro foto sem estar maquiada. O rímel e os cílios postiços são bons aliados também. Minha mãe, Donatila Silveira, capinava nos fundos de casa usando brincos, então ela foi meu exemplo nisso também. Era uma pessoa muito alegre", lembra.

Papel da mulher
Na opinião da ex-prefeita de Lajeado, a mulher no dia de hoje é muito mais avançada, mas não é verdadeiramente reconhecida, seja na vida profissional, como mãe ou dona de casa. "A independência econômica da mulher é fundamental para que não precise se sujeitar ao desrespeito e a certas situações", afirma. Dona Carmen também é enfática em dizer que a mulher precisa ir à luta, deve estudar e ter suas próprias atividades. Ela lembra que na primeira campanha, em certa oportunidade pelo interior do município, ouviu de um homem que "mulher é para forno e fogão". Não gostou nada, é claro, mas entende que é uma opinião arcaica. "Uma expressão que sempre uso é que ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher, e nunca atrás. Muitos homens não suportam que a mulher seja mais importante que ele", comenta.

 

 

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