Geral

Um sistema viário para evitar a iminência de um caos urbano

O aumento da frota de veículos e o modelo de desenvolvimento adotado pela cidade impactaram a mobilidade urbana. O Plano Diretor quer traçar ruas facilitem o tráfego

Créditos: Luísa Schardong
TRANSPORTE: soluções precisarão ser incorporadas ao Plano de Mobilidade Urbana, em 2019 - Lidiane Mallmann

Lajeado - Basta ver as ruas em horário de pico para entender que o mapa viário de Lajeado não é o ideal. Além de acessos mal planejados e passagens estreitas, filas de carros causam congestionamentos cada vez maiores - e não é para menos: em 2014, um levantamento da 13ª Delegacia da Receita Estadual (13ª DRE) apontou que o número de veículos em Lajeado havia aumentado 80,96% naquela última década.

De lá para cá o cenário se agravou. Em janeiro do ano passado, a frota lajeadense foi registrada como a sexta maior do Rio Grande do Sul, conforme um levantamento do Estado. São 778 veículos para cada mil habitantes.

O modelo de desenvolvimento adotado até agora, que estimula o uso do transporte individual motorizado, é um dos fatores que contribuem para esse cenário, conforme o secretário de Planejamento e Urbanismo (Seplan) de Lajeado, Rafael Zanatta. O Plano Diretor (PD) quer trazer alternativas para que seja possível escoar o tráfego diário.
Zanatta lembra que a cidade, hoje, está consolidada. "É impossível, por exemplo, duplicar a Rua Júlio de Castilhos", aponta. "Por isso, a ideia do PD não é mudar sentido de ruas ou abrir mais vias agora. Esta parte é muito técnica e precisaria de um estudo voltado exclusivamente para o sistema."

Segundo ele, o objetivo imediato é traçar, no papel, ruas que serão fundamentais para dar a estrutura viária que Lajeado precisa para se desenvolver ordenadamente no futuro. "Deixamos os pontos mapeados, mas sem uma previsão de execução dessa infraestrutura. Quando surgir a verba, já teremos um ponto determinado e garantido no PD."

Perspectivas de desenho
O mapa que se quer aprovar prevê três tipos de vias: as perimetrais, que circulam a cidade; as radiais, que saem do Centro e levam para outras regiões; e ruas de ligação, em escala de bairro, entre quadras.

Perimetrais
Rafael Zanatta explica que, na divisa entre Cruzeiro do Sul e Lajeado, a via perimetral irá respeitar uma estrada já existente, onde as propriedade se adequam ao recuo previsto (15 metros de cada lado). "Mover essa perimetral significaria desapropriar residências, então não é uma alternativa para nós", justifica. "Há quem diga que isso beneficia a cidade vizinha. É verdade, mas não vemos problema nisso. A Avenida Benjamin Constant também foi asfaltada até quase Santa Clara do Sul. As pessoas que trabalham em Lajeado usam essas ruas e precisam ter condições de trafegabilidade."

Radiais
Embora pouca coisa mude, uma das metas do Plano Diretor para desafogar o trânsito é duplicar e asfaltar a Rua Bento Rosa desde a BR-386 até a Univates, da ponte seca à universidade. Ela ainda continuaria até chegar à Rua Rio Grande do Norte, no Bairro Carneiros - uma via que precisará ser pavimentada, perto da Avenida Amazonas.

Ligação
Do mapa viário atual para o novo, a prefeitura propõe quadras menores, ou seja, mais ruas e menos condomínios fechados. Zanatta explica que se percebeu um aumento de loteamentos murados que bloqueavam a circulação e exigiam deslocamentos maiores dentro dos bairros. "Acaba prejudicando a qualidade de vida do entorno do empreendimento."
O secretário garante que o direto das propriedades foram respeitados. "Alguns não poderão abrir um loteamento, pois terão que seguir o regramento. Mas a necessidade coletiva vem antes da individual. Dilemas pontuais serão tratados, mas não vamos tirar o direito de ninguém, só moldar o desenho do bairro para que seja viável para todos."

Transporte coletivo e ciclovias ficam para o Plano de Mobilidade Urbana
O transporte público coletivo não é eficiente quando a cidade é dispersa. O Bairro Conventos é exemplo disso, diz o secretário da Seplan, Rafael Zanatta. "O dono de ônibus deve ter um mínimo de passageiros por quilômetro rodado, mas hoje precisa andar muito mais para poucas pessoas. Para as empresas se resolverem economicamente, baixam a oferta de horários - a cada um hora, duas horas", explica. "O morador não tem esse tempo de espera, então acaba comprando uma moto. Isso significa que não se consegue gerar um estímulo para o uso do transporte público. Daí a importância de Lajeado ser mais compacta."

Enquanto isso não acontece, o Plano Diretor aponta o adensamento como solução, criando minicentros de bairro. A curto prazo, a solução da prefeitura é fazer uma nova licitação para o transporte, ainda este ano, com linhas que priorizem bairros periféricos. Enquanto isso, uma comissão estuda a criação do Plano de Mobilidade Urbana, exigido por lei para cidades acima de 20 mil habitantes. "O PD não consegue englobar essa parte, então este novo estudo entra aí, para 2019. Nele, vamos propor maneiras de inserir o transporte ativo, com ciclovias e ciclofaixas."

Na matéria de amanhã, você confere quais são as sugestões do Plano Diretor para a melhoria das transposições urbanas.

Comentários

VEJA TAMBÉM...