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Representatividade feminina engatinha nas eleições do Vale

Apenas 25% dos candidatos a deputado da região são mulheres

Créditos: Jean Peixoto e Julian Kober
- Lidiane Mallmann/arquivo

Vale do Taquari - Mais eleitoras e menos candidatas. Assim se desenha o quadro eleitoral de 2018 no Vale do Taquari. Dos 20 postulantes aos cargos de deputado estadual e federal, com base nos 36 municípios que compõem a região, apenas cinco são mulheres. Em contrapartida, a quantidade das que votam no Vale é 3% maior que o total de homens.
Para a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia RS (CRPRS), Priscila Detoni, a representatividade feminina no Congresso e na Assembleia Legislativa do Estado ainda é baixa, mesmo em comparação a países com vasto histórico de opressão e cerceamento dos direitos das mulheres. "Na Arábia Saudita, apesar de ser um país extremamente machista, tem uma representatividade feminina maior que no Brasil. É que nós não tínhamos essa tradição política. Mas acredito que isso vai se modificar", comenta a professora da Universidade do Vale do Taquari - Univates.
Priscila afirma que ainda hoje as mulheres não ocupam os espaços públicos, mantendo-se em casa ou ocupando funções de cuidadoras como enfermeiras e professoras de educação infantil. A psicóloga reitera que há também mulheres que sustentam discursos que podem se voltar contra as suas próprias liberdades. "Além de ter mulheres, é importante que elas tenham propostas. Tem candidatas que apoiam pautas que são contra as mulheres, pois reproduzem discursos machistas. Não é só a questão de ser mulher, mas de apoiar os nossos direitos. Não é possível acreditar que tenham mulheres que apoiam candidatos extremistas", destaca. As candidatas do Vale do Taquari também se posicionaram com relação ao tema.

 

Bispa Claudete, candidata do PMN
"Penso que nós, mulheres negras, devemos continuar nos posicionando e lutando cada vez mais pelos nossos direitos. É histórica a posição inferior que ocupamos na sociedade como um todo. Vivemos em uma sociedade racista e machista, portanto, precisamos de mais mulheres na política para luta pela igualdade de gênero. Quando se fala em política, o que se pensa é logo em um homem, um empresário. Hoje existem estudos que comprovam que mulher negra ganha 50% a menos de salário que uma mulher branca da mesma idade. Eu venho com uma proposta diferente. Quero dizer para as mulheres que elas se incentivem, mesmo sem dinheiro, como eu, que elas tenham coragem, pois isso é o mais importante. Eu quero levantar uma bandeira onde o povo participe da política e o povo seja eleito. Eu prezo que a mulher negra venha a ter essa participação no pleito eleitoral."

Mareli Vogel, candidata do PP
"A representatividade feminina é importante na medida em que traz equilíbrio à sociedade. Pois ambos, homens e mulheres, temos necessidades diferentes, mas complementares. No meu entendimento, a junção da visão e ação masculina e feminina proporciona uma sociedade melhor, com equilíbrio e harmonia, por isso, buscamos uma vaga na Assembleia Legislativa. Para mim, política não é só uma questão de gênero. Hoje, homens e mulheres trabalham lado a lado nas mais diferentes áreas para o sustento das nossas famílias e para o desenvolvimento social. Minha proposta é estar atenta, sensível e aberta às necessidades dos homens e das mulheres nas questões de trabalho, de renda, moradia, educação, saúde, segurança, no bem estar das famílias, sendo assim, uma porta-voz na Assembleia Legislativa."

Raquel Diehl, candidata do DEM
"Ainda são as mulheres as responsáveis por manter a família saudável. E saudável significa uma família que educa seus filhos, criando oportunidades de melhoria e futuro; que alimenta e supre as necessidades básicas da sobrevivência e que também dialoga. Toda representatividade é importante. E representatividade feminina não é apenas ser feminista. É também representar as mulheres conservadoras, defensoras da vida (contra o aborto) e defensoras da família. Muitas mulheres são mães. E como mãe de dois filhos, Vicente (7 meses) e Isadora (8 anos), sei das necessidades das mulheres que precisam trabalhar e deixar seus filhos na creche. A falta de creches é uma realidade. Como deputada, tenho como meta, lutar para que as mães possam deixar seus filhos bem cuidados. Tenho um projeto denominado 'Creche para todos'."

Mariela Portz, candidata do PSDB
"Nós precisamos incentivar a participação feminina na política pela capacidade que elas têm de se empenhar e fazer o melhor pelas pessoas. A mulher tem uma visão diferente das coisas e consegue dialogar com as diversas frentes para buscar uma solução que seja eficiente para todos. Quero representar o Vale não apenas pelo fato de ser mulher, mas sim pela capacidade que eu tenho para defender nossas propostas junto ao governo do Estado."

Márcia Scherer, candidata do MDB
"Tanto quanto concorrer, as mulheres também devem conseguir se eleger para conseguir promover o equilíbrio no espaço público. Como o ambiente político partidário é extremamente masculino, por natural, durante a história da humanidade se contemplou o que os homens consideravam importante. E eles, por mais que se esforcem, verão o mundo a partir dos aspectos que para eles são importantes, deixando de contemplar aspectos imprescindíveis para a mulher e para a família. Então, as mulheres devem participar para promover esse equilíbrio. Deve-se dizer que a gente vem para colaborar e não para competir. Nossa ideia é promover, por todos os meios possíveis, o fortalecimento das mulheres para que elas se reconheçam como seres de dignidade e construam a sua autonomia."

Saiba mais
Em 2018, a conquista pelo voto feminino completou 86 anos. Em 24 de fevereiro de 1932 foi concedido às mulheres brasileiras o direito de votar. Entretanto, o decreto de Getúlio Vargas permitia o direito básico ao voto somente às mulheres casadas e autorizadas pelos maridos, além das viúvas e solteiras que tivessem renda própria. Na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte de 1933, as mulheres puderam votar ser votadas pela primeira vez. A médica Carlota Pereira de Queirós foi eleita, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo de deputada federal no país.

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