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Operação apreende três toneladas de produtos e interdita padaria

Ministério Público realizou força-tarefa ontem e recolheu carnes, embutidos, pães e cucas em dois estabelecimentos

Créditos: Karolaine Pereira
Uma das câmaras frias do mercado foi interditada devido a temperatura alta - Lidiane Mallmann

ARROIO DO MEIO | Em apenas dez dias, pelo menos, 5,6 mil quilos de alimentos impróprios para consumo foram recolhidos em três cidades do Vale do Taquari. A última apreensão ocorreu ontem em Arroio do Meio. Duas toneladas de comidas inadequados foram encontradas em um mercado. Além disso, uma padaria foi interditada e uma tonelada de produtos acabaram recolhidos. A inspeção nos locais faz parte da Força-Tarefa do Programa Segurança Alimentar do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público.

Na operação desta terça-feira, os fiscais localizaram no mercado carnes sem procedência, vencidas e produtos fora da temperatura adequada. Já na padaria, o que mais preocupou os fiscais foi a sujeira do ambiente e dos utensílios usados na produção. "O que chama atenção é as péssimas condições de higiene de modo geral. Tudo que foi produzido neste ambiente está sendo descartado como forma de garantir a segurança das pessoas que iriam ingerir esse tipo de produto", explica o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Alcindo Luz Bastos da Silva Filho.

Na semana passada, a operação interditou uma fábrica de biscoitos e a padaria de um mercado de Westfália. Ao todo, foram duas toneladas de biscoitos e cerca de 100 quilos de alimentos apreendidos. Um dia depois foram recolhidos 600 quilos de alimentos impróprios para consumo e 563 munições em uma casa e um mercado de Imigrante. O Ministério Público chegou até os locais na região após denúncias. "Nas três cidades do Vale do Taquari bastante coisa irregular foram encontradas. As denúncias que a gente tinha foram confirmadas, pois são situações bem graves", explica.

A força tarefa é feita pela Promotoria de Justiça Especializada de Defesa do Consumidor de Porto Alegre, junto à Secretaria Estadual da Agricultura, Secretaria Estadual da Saúde, Delegacia de Polícia de Defesa do Consumidor (Decon), Gaeco - Segurança Alimentar e Vigilância Sanitária Municipal.

 

Carnes sem procedência e vencidas

O primeiro local que passou pela força-tarefa foi um mercado localizado no Bairro Aimoré. Por volta das 10h, os agentes se deslocaram a iniciaram o trabalho. As prateleiras, açougue, padaria, freezers, estoques e câmaras frias foram minunciosamente vistoriadas. O principal problema estava nas duas câmaras. Na maior, os fiscais localizaram carne bovina, suína e de frango com diferentes tipos de irregularidades. Elas não tinham procedência e nem identificação. Além disso, algumas estavam fora do prazo de validade. Os fiscais também identificaram carnes congeladas que deveriam estar resfriadas.

A câmara fria menor estava fora da temperatura adequada para cada produto. Foram apreendidos queijo, requeijão, mortadela, salame, iogurte, salsichas e presunto. Os fiscais analisaram a temperatura de cada alimento com um termômetro infravermelho. A segunda câmara vistoriada foi interditada pela Vigilância Sanitária Municipal. Os proprietários devem regularizar e acionar a Prefeitura. Em ambas, os produtos estavam mal organizados e não havia espaço para os fiscais circularem.

A padaria do mercado também foi alvo da operação. Foram apreendidos pães, massas, salgados prontos para fritar e condimentos de bolo sem procedência e em má conservação. Além dos produtos encontrados nos estoques, a vistoria também localizou irregularidades em locais expostos. Carne moída, de porco e peixe que estavam no açougue foram recolhidas. Os produtos não tinham a identificação correta de procedência. Além disso, a força-tarefa encontrou refrigerantes, temperos, farofas e geleias vencidas. O estabelecimento também comercializava chás que não podem ser vendidos em mercado, soda cáustica e álcool 92,8%. Ao todo, foram duas toneladas de alimentos apreendidos. Do número, eram cerca de 550 quilos de queijo e 600 quilos de carne.

 

Sujeira para todo lado

Insetos mortos, baratas, máquinas sujas e utensílios velhos. Assim estava a padaria interditada no Centro de Arroio do Meio. Os agentes chegaram no local por volta das 14h30min e em seguida o promotor Alcindo Luz mandou os funcionários pararem as máquinas de produção. "Os utensílios de cozinha onde são feitos os pães estavam em estado deplorável", diz. A padaria foi interditada pela Vigilância Sanitária do município e só poderá voltar a funcionar após todas as adequações e regularização do alvará de funcionamento, que estava vencido desde 2016.

Os fiscais recolheram cerca de uma tonelada de pães, cucas, bolachas, entre outros alimentos. Os produtos eram feitos em máquinas com sujeira incrustada e assados em formas enferrujadas e em má conservação. Além disso, os profissionais indicaram que a instalação elétrica estava precária e os encanamentos visíveis. O promotor destaca que faltava até pias para a lavagem dos utensílios. Também foram apreendidos leites vencidos. O maquinário fica apreendido na própria padaria e os donos não podem usar até resolver a situação.

 

O que significa carne sem procedência?

Nesta terça-feira, a maior parte das carnes apreendidas em Arroio do Meio foram levadas porque estavam sem procedência. Elas não tinham os selos necessários de inspeção. De acordo com o agente da Fiscalização Agropecuária Estadual, Cássio Lopes de Souza, a carne precisa ter rótulos de procedência na carcaça. Além disso, as que são inspecionadas de forma correta tem cortes específicos.

O profissional explica que a carne que não passou pela inspeção pode ter qualquer tipo de doença transmissível. "No clandestino não tem um veterinário para avaliar se aquele animal tinha alguma doença. Tem os bovinos condenados por tuberculose, por exemplo. Eles podem estar sendo aproveitados. A gente pode estar consumindo coisa que vai deixar a gente doente ou levar a óbito", explica.

Ele reitera que os cortes necessitam do selo de inspeção, que é o que garante que o produto não é clandestino. "Quando a gente não tem identificação que ela passou por inspeção, ela tem potencial de ter sido abatida em um local sem as condições higiénicas e de inspeção de veterinário. Tendo o selo é a garantia que a gente não está consumindo carne que possa nos trazer algum problema de saúde", diz. Os selos podem ser emitidos por órgão municipal, estadual ou federal.

 

Alegações dos proprietários

O proprietário do mercado no Bairro Aimoré, que não será identificado, alega que não compra carne sem procedência. "A gente não compra nada frio, toda a mercadoria é de frigorífico. Só que o funcionário desmanchou a carne e não botou o selo de inspeção", diz. Em relação aos alimentos na câmara fria ele disse que não seriam vendidos. "Na hora que o funcionário fosse pegar o produto, ia ver e jamais botaria para vender".

Os produtos vencidos e expostos o dono disse que foi um descuido dos funcionários. Ele acrescenta que irá providenciar a manutenção da câmara fria que foi interditada. O proprietário da padaria no Bairro Centro alegou que os fiscais chegaram na hora que os funcionários estavam fazendo a limpeza. "A Vigilância foi feita de forma correta, mas foi feita na troca de turno que é a hora da manutenção e limpeza dos equipamentos".

 

 

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