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Médico e dirigente por vocação

May ajudou a fundar a Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo

Créditos: Redação
- Unimed/divulgação

À frente da Federação Unimed/RS, o médico Nilson Luiz May, vai traçando sua trajetória na cooperativa com liderança, dinamismo e sem se distanciar do ofício da Medicina. Hoje morando em Porto Alegre, May viveu por muitos no Vale do Taquari, especialmente em Lajeado, onde ajudou a fundar a Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo. No entanto, antes disso, passou por vivências únicas na região, que o ajudaram a construir a sua história profissional.

O Informativo do Vale - Quem é Nilson Luiz May?
Nilson Luiz May - Eu nasci em 15 de maio de 1940, em Santa Cruz do Sul. Meu pai era jogador de futebol do Santa Cruz e foi contratado para trabalhar em Caxias do Sul. Nos primeiros anos em Caxias, nós morávamos perto do Colégio Nossa Senhora do Carmo, dos irmãos lassalistas. Minha mãe me ensinou a ler, a escrever. Quando entrei para o 1o ano, me passaram para o 3o ano. Então, quando eu tinha 7 anos, já estava no 3o ano primário. Acabei o ginásio com 14 anos. Quando terminei o ginásio, em 1954, comecei o Científico. Eu passei no vestibular de Medicina, na Ufrgs, com 17 anos. Em 1963, eu me formei. Um aspecto interessante, que formou o meu perfil e a história da minha vida, foi que, quando eu entrei no primeiro ano Científico, os irmãos me chamaram e me disseram: "Vimos a tua dedicação, estudo, e queríamos te convidar para ser professor de alunos mais velhos, no turno da noite. Eu tinha mais de 20 alunos na turma e aí comecei a fazer buscas, pesquisas para saber um pouco de didática, saber como dar aula. Acredito que isso tenha me dado um lastro para dirigir assembleias, reuniões. Considero esse fato muito importante.

O Informativo do Vale - Como foi a escolha pela Medicina?
May - Eu costumo dizer que, aos 7 anos, eu já era médico. Eu gosto de ser médico, acho que realizei com ética, com dedicação, com interesse pelos pacientes e ouvindo-os. Mas por que eu era médico aos 7 anos? Não tinha nenhum médico na família May e eu pensei: vou estudar Medicina. Quando cheguei para fazer vestibular, não tive dúvidas. Coincidiu a indicação com meu perfil, mesmo que paralelamente à Medicina eu sempre tenha tido outra vocação: a Literatura. No quarto ou quinto ano de Medicina, fomos para Santa Casa. Fiz concurso para o Sandu (Serviço de Assistência Médica Domiciliar e Urgente). Depois, fiz concurso no Pronto Socorro. Sábados e domingos, eu auxiliava um cirurgião. Fazia plantão de obstetrícia na Santa Casa. No segundo semestre do sexto ano, eu fiz um internato em Cirurgia, no Hospital Ernesto Dornelles. Não tinha muita residência naquela época. Portanto, de tanto que a gente tinha estudado, estava preparado para ir para o interior trabalhar com tudo, desde cirurgia de cabeça, parto, picada de cobra...


O Informativo do Vale - Qual a sua relação com o Vale do Taquari?
May - Em 1963, saí da faculdade. Minha vontade era começar a trabalhar fazendo tudo: medicina integral, cirúrgica, clínica, etc. Entre os locais, eu escolhi Vila Progresso (hoje Progresso) um hospital das Irmãs da Beneficência Portuguesa. Eu aceitei e, em 3 de janeiro de 1964, eu estava num ônibus. O ônibus ia a Lajeado e pegava-se outro ônibus, leva-se três horas para ir a Vila Progresso. Na época, passava-se por estradas de chão, com precipícios. Cheguei ao hospital sem raio X, sem exames de laboratório, tudo dentro da precariedade. O médico mais próximo ficava em Boqueirão do Leão e levaria algumas horas para me socorrer se eu precisasse. A luz apagava às 22h, se houvesse alguma emergência tínhamos de operar com lampião. Uma irmã me auxiliava na cirurgia e a anestesia era com o famoso "ombredane", um aparelho que se colocava sob o paciente e ficava pingando éter, ele ficava respirando éter até adormecer. 

Eu estou cercado de fatos trágicos, desde aquele período. Quando eu cheguei em Vila Progresso, o médico anterior, doutor Renan, de São Leopoldo, foi embora. No dia 15 de janeiro, ele voltou para uma pescaria com amigos. Ali pelas 23h, toca telefone na central comunicando que o doutor Renan morreu afogado no Rio Fão. As mulheres gritavam: "Doutor Renan voltou, doutor Renan é santo, ele voltou para ficar conosco". São histórias que a gente guarda.


Eu fiquei em Progresso por um ano, aí fui para Marques de Souza. Naquela época era mais importante falar alemão do que saber Medicina neste município. Então, o pastor me ensinou a falar em alemão, mas eu sempre tinha uma auxiliar, que me ajudava. Fiquei dois anos em Marques de Souza.


Nos três anos em que fiquei em Vila Progresso e Marques de Souza, atendi 12 casos de enforcamento. Dificilmente algum médico, que não seja legista, tenha essa infeliz vivência. Essa característica da região me fez estudar um pouco está área, porque naquela época não tínhamos medicamentos para depressão. 


O Informativo do Vale - Qual a experiência do senhor em Lajeado?
May - Em 1967, fui convidado, pelo doutor Gunter Fleischhut, a trabalhar em Lajeado. Aí fiz formação em Gastrenterologia, mesmo que essa especialidade signifique clínica, naquela época, eu fazia cirurgia do aparelho digestivo também. Fiquei em Lajeado até 1995, foram 27 anos trabalhando em Lajeado. 

Em Lajeado, fui presidente da Sociedade de Medicina do Alto Taquari, da década de 70 a 80, lá fizemos o primeiro programa de educação médica com um grupo de mais de 20 médicos. Fundamos uma das primeiras Unimeds do Estado do Rio Grande do Sul, em novembro de 1971. Neste ano foram criadas quatro Unimeds no Estado: Erechim, Ijuí, Lajeado e Porto Alegre. Isso foi inédito, novo, ninguém sabia para que servia essa tal de cooperativa médica.


Em Lajeado, na Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo, fui eleito primeiro membro do Conselho de Administração, depois vice-presidente, depois presidente por dois períodos. Como presidente, num movimento estadual, na época, criamos um grupo para assumir a federação, que é o órgão político, institucional. Participamos de uma primeira eleição, não tivemos êxito, mas na segunda fui eleito presidente da federação. Hoje, me orgulho da Unimed, com sede em Lajeado, ser uma das mais conceituadas do Brasil. 

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