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IBGE apresenta dados prévios do Censo Agropecuário em Lajeado

Cidade perde mais da metade do número de estabelecimentos rurais listados na última apuração, de 2006

Créditos: Lucas George Wendt
CRESCIMENTO: com a urbanização, áreas consideradas rurais, hoje veem o avanço de loteamentos, residenciais e prédios em Lajeado - Lucas George Wendt

Lajeado - Depois de meses de trabalho, a rotina dos recenseadores do Censo Agropecuá­rio está perto de terminar. A perspectiva é de que os censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) terminem a fase de coleta até 28 de fevereiro. Com o final do trabalho próximo, já é possível contabilizar, confirmar tendências e fazer projeções. Até o momento o IBGE recenseou 304 estabelecimentos agropecuários no município de Lajeado. Em 2006, de quando remonta o mais recente levantamento, eram 632 listados.

"Vemos uma mudança de realidade no campo"

O coordenador da área do IBGE em Lajeado, Gustavo Reginatto, explica que o trabalho que indica o recuo da área rural da cidade começou ainda antes do início da coleta, em outubro do ano passado."O objetivo do censo é mapear tudo." Dessa forma, o trabalho do instituto permite visualizar uma fotografia ampla da região e, também, de cada município. A relação de retração das áreas rurais, evidenciada pelo número menor de questionários - caiu quase pela metade nesta fase final de recensea­mento -, está baseada na expansão de loteamentos e da demanda por áreas residenciais, em Lajeado.

Os números demonstram as dinâmicas sobre as quais tanto se fala. Na área de cobertura da agência do IBGE de Lajeado, são cerca de 15,8 mil estabelecimentos previstos para serem recenseados. Deste total, cerca de 79% (ou 12,5 mil) já haviam sido visitados ao final de janeiro.

"Pensamos que talvez não cheguemos aos números do censo anterior. Lajeado é um exemplo clássico disso. Aqui houve um avanço do movimento urbano sobre o ambiente rural. Hoje encontramos muitos loteamentos em áreas que eram de produção agrícola", explica Reginatto.

No entanto, se os dados não forem alcançados na região, outras possibilidades podem ser a justificativa. "Às vezes, os filhos não continuam o trabalho dos pais. Em outros casos, conforme ficam mais velhos, os donos vendem ou arrendam terras", detalha. O inverso também pode acontecer. Filhos podem fragmentar a terra dos pais e estabelecimentos maiores podem ser divididos em lotes menores. "É tudo muito dinâmico." Conforme o coordenador, a expectativa, no entanto, é de que, especialmente em Lajeado, o número se reduza quase pela metade nestes mais de dez anos que se passaram, desde o último levantamento.


"O centro está cada vez mais perto"

É o que diz Erno Dörr (78), pai de Rosane Sprandel (49), residentes de Lajeado, moradores dos limites do Bairro Moinhos D'Água. São sete pessoas na casa, das quais quatro diretamente envolvidas com a lida no campo. Na semana passada, elas receberam o recenseador do IBGE, que a visitou na Rua Aldino Henz. Propriedades do entorno das terras da família já pertencem a imobiliárias. Eles são um exemplo de pessoas que resistem à força da urbanização e continuam no campo, residindo no mesmo local há mais de 50 anos. "Somos uma das últimas famílias que trabalha neste sistema na vizinhança." O trecho recentemente asfaltado da Avenida Benjamin Constant corta a propriedade da família ao meio, deixando 4,5 hectares em cada lado da via.

No interior, Rosane considera importante a pesquisa do IBGE. "Sou envolvida com o Conselho Agropecuário, e conseguimos chegar mais perto dos órgãos municipais a partir dos dados. Com estes números, nós, produtores, podemos traçar o caminho a ser percorrido na exploração agrícola. Por exemplo, aqui, em Lajeado, devemos focar em produzir alimentos. Não podemos pensar em produzir grãos." Para ilustrar as mudanças geográficas do entorno, ela resgata o fato recente. "Temos um pastor que ficou 15 anos na paróquia e se mudou. E ele veio nos visitar na semana passada. Quando chegou, teve dificuldades para encontrar nossa casa, que visitava semanalmente quando estava aqui. Ele mesmo ficou pasmo", relembra. Em relação ao questionário do Instituto, Rosane, que foi a respondente, diz que não teve dificuldades. "Foi fácil lembrar dos dados. Só puxar da memória", conta. "É necessário valorizar a origem do alimento. Precisamos do agricultor para produzir." A família se dedica ao leite, feijão, batata doce, arroz, aipim, morango e cítricos.

Como funciona a metodologia do censo

No fim de janeiro, 94.3% do trabalho previsto na Lista Prévia do Censo Agropecuário 2017 já havia sido executado pelos recenseadores do IBGE na região da Agência de Lajeado. O percentual do executado, na cidade, é menor - 66,4% do projetado já foi integralizado.

A Lista Prévia, como é chamada a relação de estabelecimentos que deverão ser visitados, é formada por endereços georreferenciados do Censo Agropecuário de 2006, e também do Censo Demográfico de 2010. Conforme as visitas são desempenhadas, os locais são atualizados - confirmados ou excluídos pelos recenseadores, de acordo com o que verificam in loco. Ainda, novos endereços podem ser incluídos.

Isso oferece uma perspectiva dinâmica da ruralidade de cada município e também serve como a base para o próximo censo a ser realizado - provavelmente o demográfico, em 2020.


O coordenador operacional do Censo Agropecuário no RS, Luís Eduardo Puchalski, esclarece uma distinção importante que precisa ser considerada para entender o censo agro. Estabelecimento agropecuário não é um sinônimo de propriedade rural. "É possível que se tenha mais de um estabelecimento agropecuário numa mesma propriedade rural ou se tenha um estabelecimento agropecuário cuja exploração ocorra integralmente em terras de terceiros, arrendadas, por exemplo", explica.

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