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Em busca de ajuda para reformar pavilhão

Entidade fornece atendimento a necessidades básicas, como alimentação, de pelo menos 35 famílias

Créditos: Kassieli dos Santos
CORAÇÃO DE MÃE: tia Sandra esquece de suas dificuldades para prestar atendimento às famílias da associação - Kassieli dos Santos

Lajeado - A reforma do pavilhão da Associação Simon Bolívar, localizado no bairro Santo Antônio, em Lajeado, está incompleta devido à falta de recursos. A presidente, Terezinha Ferreira (59), pede o apoio da Comunidade na doação de portas, janelas e madeiras em bom estado. "Esse é o socorro que pedimos, caso alguém possa ajudar, pois não temos um caixa e precisamos do nosso galpão para o trabalho e atividades com as famílias", explica.


No ano passado, a Associação recebeu ajuda financeira do Clube do Rock de Lajeado, que promoveu eventos para arrecadação de recursos, realizando parte da reforma. Contudo, a obra não pode ser concluída e o pavilhão ainda precisa de melhorias, o que impossibilita todo processo do trabalho diário dos catadores de materiais recicláveis, armazenagem e realização de outras atividades.


Devido ao processo de reforma no pavilhão, as refeições que alimentam as 35 famílias estão sendo preparadas na casa de "tia Sandra", como é conhecida a líder comunitária. Ela relata as dificuldades da falta de um forno para preparo dos pães, que precisam ser feitos em grande quantidade. "Quem vê o alimento pronto não pensa no trabalho que há por trás, usamos dois botijões de gás por mês, também gastamos muita luz, seria uma benção receber a doação de um forno grande de padaria, pois fazemos muitos pães e temos que assar várias fornadas", comenta ela.


Para fornecer a alimentação a Associação conta com as doações de alimentos do Mesa Brasil Sesc, o que possibilita servir duas refeições por dia às famílias, almoço e lanche da tarde. Tia Sandra se preocupa em proporcionar refeições variadas. No entanto, há momentos em que faltam produtos para o preparo das refeições, por isso, ela precisa de doações de alimentos como massas, feijão, arroz, farinha, leite, azeite e suco.


Ajudando quem precisa


Além do trabalho de coleta de materiais recicláveis, a associação possibilita o desenvolvimento de pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social. "Muitas coisas eles aprenderam a fazer na associação. Havia pessoas que não sabiam o que era um banho completo ou pentear o cabelo, e ali na associação mostramos que faz parte da saúde. Muitos não sabiam ler, e uma professora esteve alguns meses nos ensinando. Alguns já podem escrever até carta", comenta tia Sandra.


A presidente se dedica para proporcionar atividades envolvendo as crianças atendidas, para isso organiza campanhas e ações para o Natal mais Feliz, Páscoa e Dia das crianças. "Não deixamos de fazer nem um ano, é uma atividade para elas virem com os pais. As crianças gostam muito de jogar bola e, nesse ano, gostaríamos de presenteá-los na Páscoa com esse brinquedo", acrescenta.


A associação está aberta para receber o auxílio dos interessados em colaborar, seja com os materiais para a reforma do pavilhão ou com doações de alimentos, fraldas descartáveis, materiais de higiene e brinquedos. Os contatos podem ser feitos com tia Sandra pelo telefone (51) 98119-1386. A entrega de materiais deve ser realizada na Rua 19 de Abril, 305, Bairro Santo Antônio.


Voluntária por amor


Viúva, mãe de duas filhas, uma com 35 anos e outra com 31 anos, avó e bisavó, tia Sandra estudou até a 8ª série e casou aos 17 anos, quando mudou-se para Lajeado. Cuidava dos filhos e da casa, realizando reformas de roupas, trabalho que desempenha até hoje. Ela conta que envolveu-se com o trabalho voluntariado por amor. "Sou envolvida com trabalho voluntário a vida toda. Sou feliz por ter esse tempo para estar ajudando quem precisa, não tem coisa melhor do que fazer algo por outra pessoa, você se sente melhor ainda, gosto de fazer oque faço", afirma.


A vontade de ajudar as pessoas veio do aprendizado em casa, dos tempos em que morava no interior de Porto Xavier. "Plantávamos mandioca com minha mãe e ela colocava mais que o necessário, então ela nos explicava que outras pessoas poderiam comer, que poderíamos dar um prato de comida para alguém que precisasse", explica. Apesar de suas próprias dificuldades, não esquece do próximo.


Conhecida na comunidade, o apelido de "tia Sandra" surgiu a partir do nome originalmente escolhido pela sua mãe para registro, que seria Sandra Terezinha Ferreira. Porém, o pai, no momento de registrá-la, esqueceu o antenome, que mesmo assim permaneceu no convívio familiar e se popularizou. "E aqui no bairro não tem quem não me conheça por tia Sandra", conta ela, em meio a risos.


Associação Simon Bolívar


Assim como muitos brasileiros, tia Sandra vivenciou a dificuldade de ingressar no mercado de trabalho na faixa etária acima dos 40 anos. "Tínhamos entre 45 e 50 anos e pouco tempo de estudo, então não conseguíamos um vaga de emprego, estávamos passando por um momento muito difícil, e pensamos em formar o movimento", afirma. A entidade, fundada em 2000, começou com apenas três pessoas e logo se expandiu. "Fazíamos as visitas nas casas de moradores do bairro, verificando a necessidade, conforme a renda e número de pessoas, número de desempregados", conta. A entidade, que teve início como Movimento dos Trabalhadores Desempregados, tornou-se a Associação Simon Bolívar. "Iniciei como integrante e logo estava como braço direito, depois como coordenadora, e então fui votada para ser presidente", recorda, com orgulho.

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