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Eles estão sempre prontos

Pelo 11º ano consecutivo, Corpo de Bombeiros é a instituição na qual os brasileiros mais confiam


- Lidiane Mallmann

Gatinho ameaçando saltar do terceiro andar, acidente de trânsito com lesões ou até mesmo um grande incêndio residencial. Quando a população se vê precisando de ajuda são eles que são procurados.

Mais uma vez, o Corpo de Bombeiros ficou em primeiro lugar no Índice de Confiança Social (ICS). A pesquisa, realizada pelo Ibope Inteligência e divulgada neste mês, mostra que os Bombeiros continuam no topo do ranking pelo 11º ano seguido, liderando com 88 pontos.

Esta confiabilidade que os brasileiros têm na instituição se explica quando alguém conta como foi o atendimento desde a primeira ligação ao 193 até o socorro prestado no local do fato.

Acidente de trânsito

Thalia Rodrigues Ghedin estava completando 21 anos justamente no dia em que sofreu um acidente de trânsito. Naquela terça-feira, dia 18 de junho, ela ia até sua manicure conduzindo uma Honda Biz. No entanto, a programação foi desfeita quando uma outra motorista, que estava em um carro, cortou sua frente fazendo com que Thalia fosse ao chão.

Tão logo sentiu o corpo bater no asfalto, a estudante do curso Técnico em Enfermagem já ouviu a sirene do Corpo de Bombeiros Militares de Estrela. "Eu lembro de cair e querer até levantar, mas eu fiquei mal e os bombeiros chegaram muito rápido. Só foi o tempo de ver alguém falando no telefone e já ouvi o barulho deles se aproximando", recorda.
A caminho estava o sargento Paulo Rogério Corrêa de Goes (48), o responsável pelo salvamento e por acalmar a jovem. "Ele que ligou para minha mãe. A forma como ele me acalmou, como fez o atendimento, foi incrível. Tanto que eu vim agradecer depois." Cerca de um mês após o acidente, Thalia levou uma caixa de bombons como forma de reconhecimento ao trabalho prestado pelo sargento e por sua equipe.

Há 29 anos atuando como bombeiro militar, o sargento Goes conta que é comum a comunidade ir até o quartel para demonstrar agradecimento aos servidores que em algum momento foram os responsáveis por salvar vidas. "Em um acidente em meados de 2013, na BR-386, a gente socorreu uma criança e a família é lá de Crissiumal. Até hoje temos uma história de amizade e eu tenho essa criança quase que como minha afilhada. A gente fica muito contente, nossa retribuição é essa", destaca o sargento.

No topo do prédio

O eletricista Rafael Augusto Schneider (25) havia acabado de almoçar e descansava no topo do prédio de oito andares em construção no Centro de Lajeado. Ele trabalhava junto com uma equipe de 30 operários. O incêndio, que começou no início da tarde daquele 10 de junho de 2013, é um dos casos de sinistro mais relembrados pelos lajeadenses. "Por acaso, fui até o peitoril olhar para baixo, foi quando vi uma ambulância e um pessoal reunido em frente ao prédio, em seguida comuniquei meus colegas que teria dado um acidente, mas não enxergava acidente nenhum ao redor do edifício", recorda Schneider.

Depois que uma pessoa fez um sinal para que ele olhasse para cima, o eletricista se deparou com a fumaça densa e escura saindo pelos dutos dos elevadores de carga. "De imediato tentei correr para a escadaria, mas ao entrar já não enxergava nada. Tínhamos água para beber e com essa água molhamos a camiseta e cobrimos o rosto para não respirar tanta fumaça."

Quando o nervosismo começou, Schneider pôde visualizar a equipe do Corpo de Bombeiros de Lajeado chegando com o caminhão escada, que alcançaria 30 metros de altura para salvar os trabalhadores e, dentro de um cesto, levá-los ao solo. Com apoio de um serviço de guincho particular, todos os homens foram resgatados. "Tivemos que cortar uma tela para ter acesso à gaiola, foi nessa hora que comecei a sentir falta de ar. Dois colegas desceram primeiro, ficando eu e mais um por último", lembra Schneider. Já no chão, o eletricista conta que começou a passar mal e foi encaminhado ao hospital. Foram três dias em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "Tenho que parabenizar os bombeiros por aquele dia no qual se dedicaram a todos os trabalhadores do prédio", destaca.

Um destes dedicados homens foi o soldado Ramon Santos Pereira (34), que está há dez anos do Corpo de Bombeiros de Lajeado. Ele destaca que, além de confiar no colega, é preciso confiar no equipamento disponível. "Como eu opero o caminhão escada, eu coloquei meu colega a 30 metros e ainda faltou um tanto. O pessoal estava lá em cima com aquela fumaça preta, tóxica e a gente estava com medo que se atirassem. Encostamos o cesto e tivemos que pedir para eles pulassem que a gente os seguraria. Eles precisavam confiar", pondera.

Fazer o bem sem olhar a quem

O atendimento do Corpo de Bombeiros é igual para todos e feito com a mesma seriedade independentemente da situação. "A nossa função é desde tirar um gatinho de uma árvore até um acidente grave ou incêndio de grandes proporções. Liga 193 e eu garanto que na primeira ou segunda chamada, vamos atender. Por isso que a instituição tem esse nível de confiabilidade", afirma o sargento Paulo Rogério Corrêa de Goes. Ele reitera que não importa classe social, cor ou ficha criminal. Todos são atendidos e socorridos da mesma forma. "Se o cara levou um tiro porque estava roubando, eu vou atender, eu não olho para ele como marginal, o que a gente atende é uma vítima."

O tenente Paulo Cesar Sulzbach acredita que a corporação tem tamanha credibilidade com a população devido à eficiência e agilidade com a qual trabalha. "Os bombeiros têm como característica a coragem de salvar e proteger as pessoas. A gente atua em qualquer ambiente, qualquer lugar, qualquer hora. Chamou, a gente vai", afirma Sulzbach, que comanda cerca de 20 pessoas que trabalham hoje no Corpo de Bombeiros em Estrela.

"Frisamos que o Corpo de Bombeiros tem uma missão, mas sempre tentamos fazer mais. As pessoas brincam que salvamos muito gatinho, mas vai desde o gatinho até uma ocorrência mais grave. Tentamos ajudar a comunidade, seja qual for o problema", destaca o soldado Ramon Santos Pereira, do Corpo de Bombeiros de Lajeado, que conta com 25 servidores divididos entre setor administrativo e operacional.

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