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Descontos da Black Friday prometem movimentar o comércio

Procon recomenda atenção com maquiagem de preços e dá orientações sobre lojas virtuais

Créditos: Luísa Schardong
OFF: lojas estão garantindo preços promocionais - Lidiane Mallmann

Vale do Taquari - Com origem nos Estados Unidos, a Black Friday marca a data que inaugura a temporada de compras natalinas, e acontece no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças. Febre de consumo no Brasil, que importou a mega campanha norte-americana, a Black Friday também promete descontos para os clientes de Lajeado.

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do município, Heiz Rockemback aponta que as promoções vêm ganhando força nessa época do ano. "Não temos uma projeção de vendas, mas a expectativa é de que façamos boa vendas. Isso ajuda a impulsionar o comércio local, principalmente por causa da repercussão que a Black Friday ganhou nos últimos anos", explica. "Essa cultura vem ganhando força, e o lojista está preocupado em acompanhar a tendência e preparar boas promoções. É algo bastante positivo."

A gerente da matriz das Lojas Prata, Marciane Zang concorda. "Mal começou e já atraiu muita gente, com muito movimento", diz. Segundo ela, uma estratégia promocional de marketing foi desenvolvida para a rede, especialmente para a data. "Trabalhamos com diversas coleções de todas as estações, também para plus size." Os descontos vão até 70%.

Para garantir a confiança do cliente, a rede optou por manter o preço original das etiquetas em todas as peças. "Assim o consumidor pode confiar no desconto, dá mais segurança na hora da compra." Assim como em outras lojas do Centro, a promoção se estende até sábado.



Fique atento
O Programa Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) alerta para condutas maliciosas do mercado, como maquiagem de preços e ofertas enganosas que violam direitos do consumidor - quando, por exemplo, o valor dos produtos é aumentado semanas antes da Black Friday e, depois, são ofertados com valores mais próximos aos originais, com alegações de desconto.

"Não temos notícias de situações deste tipo aqui, mas se algum consumidor se sentir prejudicado ou lesado por uma compra efetuada, ele pode buscar o órgão de defesa do consumidor de sua cidade. Caso não haja Procon no seu município, também é possível recorrer ao Juizado Especial Cível, mais conhecido como Juizado de Pequenas Causas, no fórum", explica o coordenador do Procon de Lajeado, Pedro Rodrigues Dourado Bezerra.

Ele lembra que os direitos para as compras realizadas pela internet são os mesmos de quando o consumidor realiza uma compra em um loja física. "Ressalte-se que, nesta situação em particular, há a possibilidade do exercício do direito de arrependimento, por meio do qual o consumidor pode desistir da compra realizada em um prazo de até sete dias, devolvendo o produto e recebendo de volta o valor pago." O direito de se arrepender está previsto no artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor e pode ser exercido sempre que o consumidor efetuar a compra fora do estabelecimento comercial, sendo contado do momento em que o produto é recebido.

Dicas para comprar bem

O Procon de Lajeado tem orientações para evitar surpresas desagradáveis:
- Verifique se o item realmente está em promoção, já que as empresas não necessariamente disponibilizam descontos para todos os produtos que vendem.
- Apesar da facilidade de comprar pela internet, é importante pesquisar se o endereço é confiável e apresenta dados como CNPJ, endereço físico e canais de atendimento disponíveis em seu site. O Procon/SP disponibiliza uma lista com mais de 400 lojas virtuais que devem ser evitadas: www.sistemas.procon.sp.gov.br/evitesite/list/evitesites.php
- Leia as políticas da empresa sobre prazos de entrega, especialmente nesse período em que o volume de vendas é mais alto. Informe-se, também, qual o procedimento adotado para o caso de troca imediata.
- Por último, mas não menos importante: não compre por impulso, pois essa atitude pode comprometer o seu orçamento pessoal a longo prazo.

A pressão de consumir
A corrida pelos superdescontos dá margem para o consumidor pensar em uma oportunidade única de compra pelo preço mais baixo possível. Mas a psicológa Francine Delavald Bottoni alerta para o outro lado da moeda: o consumismo.

"A Black Friday, além de carregar a promessa de se conseguir um objeto por um valor mais acessível, também carrega a promessa de se conseguir um determinado lugar. Por isso, a sensação de estarmos excluídos quando não participamos desse tipo de promoção: é como se não tivéssemos garantido nosso pertencimento a certo lugar social, de consumidores ativos e pertencentes a uma lógica de descarte e de valorização do novo", analisa.

Ela traça um paralelo entre a promoção e a lógica contemporânea que permeia as relações: "tudo é fluído e se esvai, dando espaço ao novo e ao mesmo tempo destacando uma intolerância com o velho, usado, esfolado. É como se a Black Friday possibilitasse o encontro com determinado desejo. Mas sanar esse desejo dá lugar a outro desejo, e outro, e outro. É uma busca incessante. Nenhum objeto irá nos satisfazer completamente."

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