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Conscientização é o caminho para prevenir a proliferação do aedes

Em 2017, apenas um foco do mosquito aedes aegypti foi encontrado em Lajeado, mas ações de prevenção e conscientização são contínuas para evitar a infestação

Créditos: Ana Caroline Kautzmann
ORIENTAÇÃO: a moradora Greuce Winck recebeu a visita da agente comunitária Ane Lise, no Bairro São Bento - Lidiane Mallmann

Lajeado - Com a chegada do verão, período característico pelas altas temperaturas e chuvas rápidas, aumentam as chances de proliferação do mosquito da dengue, o aedes aegypti. Mas, com a conscientização, o cenário pode continuar tranquilo em Lajeado, já que no ano passado, apenas um foco do mosquito foi encontrado na cidade.

Para continuar com o cenário atual, o município aposta nas ações anuais de prevenção, estabelecidas já há 10 anos, como visitas domiciliares e a pontos estratégicos. "As ações para evitar o mosquito são contínuas e feitas durante o ano inteiro, fazemos visitas, por exemplo, onde temos o apoio de cerca de 86 agentes comunitários de saúde, que vão nas residências, observam se existem criadouros e se existirem focos de fácil resolução, elas já eliminam e se forem casos mais difíceis, passam para nós" explica o biólogo responsável pela Vigilância Ambiental de Saúde, Fernando Diel.

Infelizmente, aponta Diel, muitos agentes encontram resistência dos moradores para efetuar o atendimento. "Tem visitas que são apenas de orientação, onde os agentes não entram nas casas, mas em outras situações, eles entram para observar possíveis focos e, nesses casos, muitos têm dificuldade, porque encontram resistência dos moradores, principalmente em bairros de classe social alta."

As denúncias, outra ação atendida pela vigilância, também aumentam nesta época do ano. E as piscinas abandonadas são os principais motivos de reclamação. "Nós recebemos denúncias quase que diariamente, e agora aumentam as reclamações de piscinas, e isso é um dos nossos maiores problemas, principalmente as piscinas em casas abandonadas, porque as pessoas esquecem que aquilo vira um grande criador de mosquitos. Como nós não somos um órgão fiscalizador da prefeitura, temos grande dificuldade para abordar esse tipo de situação", relata o biólogo. Para denunciar casos como este, o número da Vigilância Ambiental de Saúde é o 3982-1216.

Apenas um foco
Em 2017, apenas um foco do mosquito foi encontrado no município, no mês de março. Em novembro, a vigilância executou o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti, o LIRAa. São visitados cerca de 5% dos imóveis da cidade. "Visitamos imóveis que estão espalhados por todos os bairros, fazendo um levantamento da ocorrência real do aedes aegypti e neste último, não encontramos nenhum" explica Diel.

Alguns casos de dengue já foram vistos em Lajeado, mas nenhum que foi adquirido dentro do município. "Já tivemos casos de dengue aqui em Lajeado, mas de pessoas que viajaram, voltaram e então desenvolveram a doença. Nós, sempre que encontramos focos, fazemos rastreamento, que é onde delimitamos o foco e em um raio de 300 metros vistoriamos todas as residências e terrenos baldios, eliminando e tratando com larvicida o mosquito, para barrar esse alastramento de infestações" conta .

Além disso, Diel afirma que Lajeado nunca teve um grande índice de infestação e que não há área característica com mais focos na cidade, mas que o histórico colaborou para que o município fosse decretado como infestado. "Em 2016, fomos decretados como um município infestado, que é quando tem a presença confirmada de aedes, justamente pelo nosso histórico realizado desde 2013. Sendo assim, o Estado decreta essa infestação e isso muda as características do programa de prevenção."

Mas a equipe pequena e a falta de carros para os agentes comunitários delimitam o trabalho de prevenção, o que pode esconder focos do mosquito presentes em áreas não fiscalizadas. "Nós somos entre seis agentes para cobrir um total de mais de 50 mil imóveis. Temos o apoio dos agentes comunitários, porém eles não fazem o trabalho que um agente de endemia faz, que é coletar a larva, trazer para o laboratório para saber qual mosquito é. Eles realizam um trabalho mais básico, que é passar orientações para a população e localizar criadouros, por exemplo", alega Diel.

Na tarde de ontem, o agricultor aposentado, que mora no Bairro São Bento, Theo Purper (69) recebeu a visita da agente comunitária Ane Lize Ritter e recebeu, junto à filha, Greuce Winck, indicações de como proceder para evitar a presença do mosquito na propriedade. "É a primeira vez que recebo a visita de uma agente, mas nós sempre cuidamos, inclusive minha esposa começou a furar os vasos em baixo para não acumular água", conta.

Focos do mosquito Aedes aegypti em Lajeado por ano
2012 - 1 foco
2013 - 6 focos
2014 - 25 focos
2015 - 10 focos
2016 - 11 focos
2017 - 1 foco

Mosquito parecido gera confusão
Outro mosquito, o aedes albopictus, tem características muito parecidas ao aedes aegypti, como listras brancas distribuídas pelo corpo, o que é capaz de confundir a população. Mas Diel explica que o albopictus não transmite a dengue e que pode ser diferenciado do outro. "Muitas pessoas ligam dizendo que foram picados pelo aedes, justamente porque eles são muito parecidos, mas na maioria das vezes é o albopictus, e, para este, não existem comprovações científicas de que transmita a dengue. Para quem é leigo e olha a olho nu é difícil perceber a diferença entre os dois, mas no aegypti o tórax tem um desenho de duas listras e no albopictus, uma só."

Caso houver dúvida quanto ao mosquito que picou, o biólogo afirma que não adianta se desesperar. "Nós temos a janela imunológica, então os sintomas começam a aparecer apenas após uma semana. Justamente por conta disso que logo após a picada, caso sejam feitos exames, nada aparece, então não adianta se desesperar, o correto é esperar e ficar atento aos sintomas."

Conscientização e prevenção
Ações básicas são capazes de evitar a proliferação do mosquito. Por conta disso, além das visitas periódicas, a vigilância ambiental realiza, também ao longo do ano, campanhas de divulgação nas escolas, panfletagem e contam com o item principal da prevenção: a conscientização da população.

Para não receber a visita do mosquito da dengue, Diel orienta os moradores a evitarem qualquer foco de água parada como pratinhos nos vasos de flores. "O mais recomendado é evitar as flores naturais que precisam de água constantemente, e usar as artificiais com a areia que vá até a borda do vaso, porque qualquer espaço dá lugar para água parada e isso já é suficiente pro mosquito" lembra.

Cuidar de calhas e realizar a limpeza, não deixar piscinas abandonadas e fazer roçada em terrenos baldios são outras indicações. "As pessoas precisam entender que todo tipo de recipiente, desde uma tampinha de garrafa até uma caixa d'água destampada pode ser foco do mosquito, então a dica mais valiosa é evitar a água parada em todas as suas formas" orienta.

Diel alerta para uma prática comum no município, a de guardar água da chuva. "A medida de guardar água de chuva é muito boa porque economiza água, mas as pessoas precisam ter cuidado, tampar a água com uma tela, para o mosquito não entrar. Outra prática é de deixar a água dos animais na rua, às vezes parada por até uma semana. Esse tempo é exatamente o do ciclo do mosquito. Entre o ovo e o mosquito adulto é de 5 a 7 dias, então é muito rápido" comenta.

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