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Ciclistas de rosa

No Dia do Ciclista conheça o grupo de mulheres que "vive" sobre duas rodas

Créditos: Natália Richter*
O grupo adora registrar todos os lugares que conhecem - arquivo pessoal/reprodução

Elas têm orgulho da camiseta cor de rosa e das suas histórias sobre os aros das bicicletas tipo mountain bike. "Nós já fizemos cada loucura com essas bicicletas, é uma paixão", fala, sorrindo, Graziela Spohr. Ela é uma das 26 mulheres do grupo Vira Pedal Lajeado.

Um dia a Grazi e a amiga Mari Vieira decidiram começar a correr. Após algum tempo praticando o esporte, Grazi descobriu um desgaste no quadril que a impedia de continuar. "Então a única coisa que eu podia fazer era andar de bicicleta", lembra. Há quatro anos, as duas, incentivadas pelos maridos ciclistas, descobriram na bike uma paixão.

O gosto pelo pedal incentivou as amigas a divulgarem a prática a outras mulheres. Em pouco tempo duas se transformaram em muitas mais e a cor rosa na camiseta é a marca do grupo. "As meninas foram entrando no grupo para ver se identificavam-se com a prática. As que foram se apaixonando começaram a divulgar também. Assim, uma foi puxando a outra", explica Grazi.

Por ser um grupo grande, sempre tem mulheres iniciantes, algumas fazendo mais quilometragem e outras menos. Elas esclarecem que por meio de um grupo no WhatsApp acabam combinando diferentes pedais no mesmo fim de semana. "O grupo se subdivide, às vezes, pois algumas não têm tanta resistência, outras não gostam de estrada de chão ou não querem pedalar no asfalto", constata Renata Huwe.

Elas dizem sentir orgulho por inspirarem outras mulheres. "Elas nos veem e acham lindo, querem participar também", comenta Grazi. Renata diz que muitas pessoas reconhecem o grupo por causa da cor da camiseta.


Laços e paixão

O ciclismo do fim de semana passou a ser paixão. "Eu estava trabalhando muito, então, se não conseguisse dar pelo menos uma voltinha, já sentia falta", relata a integrante do Vira Pedal, Ivete de Jesus. Como a maioria das mulheres têm filhos e vários compromissos com a família, Renata comenta que este acaba sendo um momento só para elas.

Para as ciclistas, o vento no rosto, a sensação terapêutica e de liberdade não têm preço. Um dos momentos mais marcantes foi um passeio que parte do grupo fez até a Praia do Rosa (SC). "Já fizemos tantos trajetos. Tem vezes que você está no interior, em lugares que nem se localiza mais por um tempo", diz Mari. Juntas, as mulheres também já se aventuram no Morro do Paraglider, Lagoa da Garibaldi, Lagoa da Harmonia, entre outros.

Tudo aquilo que passa despercebido aos olhos no dia a dia toma forma quando elas estão pedalando. "Nós observamos os detalhes, as paisagens. Sem contar as amizades, os momentos únicos e as boas risadas", relata Mari. As amigas Grazi, Mari, Renata e Ivete sorriem enquanto lembram com carinho das paisagens que já admiraram juntas e das bergamotas que ganham dos produtores por onde passam.

Para aquelas que pensam em começar a pedalar, Grazi aconselha para começarem já. "É uma sensação maravilhosa, é prazeroso. Tu cria um vínculo muito grande com as outras gurias do grupo", exalta.


Novos desafios

Elas iniciaram em percursos de 10 quilômetros, mas a necessidade de novos desafios as leva mais longe e hoje chegam a pedalar 125 quilômetros. Nós queremos fazer mais quilometragem, conhecer novos lugares, subir mais morros", revela Mari.

Um dos objetivos do grupo é participar neste ano do Audax. A prova de regularidade, resistência e união conhecida internacionalmente ocorre no mês de novembro, em Santa Cruz do Sul. Por ser a primeira que vão participar, a distância que precisam percorrer é de 200 quilômetros. Por isso, além dos pedais de lazer, as garotas também treinam bastante.

O Vira Pedal também participa de diversas provas e desafios. Para quem quiser acompanhar os pedais e trajetos das gurias, basta acessar o Instagram do grupo pelo link https://www.instagram.com/virapedallajeado/.


Solidariedade por meio do ciclismo

Nesse ano, as gurias da bike abriram o grupo misto, trazendo os maridos e outros amigos. "É um grupo muito família. Além dos pedais estamos sempre nos reunindo para jantar, conversar, beber", conta Ivete. Elas também transmitem a paixão os filhos, incentivando-os a praticar o ciclismo.

Renata percebe que o pedal também une mais os casais. "Depois que eu comecei a pedalar, ele também começou. Eu percebo que incentivo ele, durante a semana nós saímos juntos para andar de bicicleta", relata.

O grupo de homens e mulheres participou do Passeio Ciclístico de Páscoa do jornal O Informativo, quando ganharam uma bicicleta por serem o grupo com maior número de participantes. "Foi engraçado, porque ficamos pensando no que poderíamos fazer com uma bicicleta só em um grupo de mais de 50 pessoas", lembra Grazi. Foi então que decidiram realizar uma uma ação beneficente.

Eles conseguiram arrecadar doações e montaram uma ação entre amigos e o valor arrecadado será revertido para ajudar a Casa de Passagem do Vale do Taquari. O espaço foi escolhi pois uma das participantes do grupo é a presidente e explicou a situação do local e a necessidade de recursos. A ação entre amigos está vendendo mil números a R$ 5 e o sorteio será realizado no dia 9 de outubro. Para quem desejar mais informações ou desejar ajudar, basta entrar em contato com algum integrante do Vira Pedal ou pelo número (51) 99881-3836.

 

Segurança para os ciclistas

As meninas alertam para os cuidados nos trajetos. A cor rosa da camiseta foi escolhida porque os ciclistas devem usar cores chamativas para serem vistos mais facilmente pelos motoristas. Deve-se sempre usar protetor solar, capacete e demais acessórios de segurança, luz dianteira e traseira na bicicleta, carregar lanterna e bastante água. Ivete comenta que o ideal é nunca fazer um passeio longo sozinha.

Um dos maiores desafios é a falta de respeito com os ciclistas no trânsito, principalmente dos caminhoneiros. Outro desafio é a falta de ciclovias, problema sentido em Colinas, um dos lugares favoritos para passeio do grupo Vira Pedal.

 

Turismo ciclístico

Assim como para elas, Colinas é o ponto de pedal de mais de oito mil ciclistas por ano. Segundo o prefeito, Sandro Herrmann, o motivo do fluxo intenso de bicicletas no município seria motivado pela beleza da região. A estrada plana e a receptividade dos moradores também incentivam o turismo ciclístico.

Estrela e Imigrante também recebem um grande número de ciclistas. Segundo o secretário de Esportes de Estrela, Júlio Saldanha, Estrela estimula muitos eventos de ciclismo e alguns chegam a se destacar regionalmente. "Realizamos os passeios ciclísticos que são, também, uma forma de promover o uso da bicicleta, não só como lazer, mas também como transporte", declara.

Preocupados com a falta de segurança na maior rota de ciclismo da região, no início do ano passado os governos de Estrela, Colinas e Imigrante encaminharam ao Governo Federal um projeto que prevê a construção de uma ciclovia (ciclofaixa) e sinalização intermunicipal num trecho de 37 quilômetros.

Para Herrmann, o projeto não se trata apenas de Colinas. "Ele (o projeto) irá favorecer o crescimento do turismo ciclístico em toda a região", explica.

Conforme Lisiane Diehl, assessora administrativa da Central de Projetos de Estrela, o projeto está em análise no Ministério do Turismo. "Esta rota é roteiro diário de ciclistas, seja para treino ou simplesmente atividade física", fala. Ela sustenta que não se trata o ciclismo apenas como esporte, mas também como via turística envolvendo natureza e saúde.

 



 

*estagiária sob supervisão da editora Luciane Eschberger Ferreira

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