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Canto da Lagoa está de volta

Em novembro, 15ª edição comemora os 25 anos do festival de música

Créditos: Rita de Cássia
comissão: prefeito de Encantado Adroaldo Conzatti e o coordenador do Festival, Luciano Moresco - Rita de Cásia

Encantado - Uma bela música pode mudar o seu dia. Várias canções podem transformar uma comunidade inteira. Prova disso é o Canto da Lagoa, que em 23, 24 e 25 de novembro terá sua 15ª edição. A primeira foi em 14 março de 1993. Talvez o idealizador, Adroaldo Conzatti, prefeito de Encantado, não imaginasse que o festival faria tanto sucesso e mobilizasse tantas pessoas - inclusive no Estado e além fronteiras. Nestes 25 anos, o próprio Canto da Lago, que premia compositores e intérpretes, também ganhou reconhecimento. Já foi agraciado com o Troféu Vitória, pelo governo do Estado, e o Troféu Laçador, como melhor festival gaúcho, entre outros.


O Canto da Lagoa logo caiu no gosto da população e de novos e consagrados artistas. Entre os concorrentes, no júri ou nos shows contratados, já participaram artistas como Yamandu Costa, Belchior, Chitãozinho e Xororó, Délcio Tavares, Elton Saldanha, Os Fagundes, Luis Carlos Borges e Jorge Moreira. O músico e hoje secretário de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Victor Hugo Alves da Silva, e uma das figuras mais emblemáticas da tradição gaúcha, Paixão Côrtes, integram a gigantesca lista de outros grandes nomes.


A organização ainda sonha em voltar a realizar o festival no local que inspirou a sua criação: a Lagoa da Garibaldi. A ideia era que isso ocorresse já em 2018, mas ainda não será desta vez. "É bem provável que a 16ª edição, em 2020, volte ocorrer lá", explica o coordenador Luciano Moresco. Para isso, uma obra de reformulação deverá começar em breve no ponto turístico. Por enquanto, o palco é o ginásio do Parque Municipal João Batista Marchese.

A origem

A ideia de criar o primeiro Canto Lagoa, realizado 1993, foi do atual prefeito de Encantado, Adroaldo Conzatti. Ele recorda que tudo começou em uma festa de amigos, na Lagoa da Garibaldi, em 1º de janeiro do ano anterior. "Estávamos reunidos e resolvemos fazer uma cantoria. Foi uma brincadeira que resultou na vontade de fazer algo maior", explica. O primeiro evento oficial foi no pavilhão da lagoa, com estilo de canção livre, e não era necessário que fosse inédita. "Começou às 11h e terminou às 23h, com 70 músicas apresentadas", recorda. Já naquela edição, Conzatti prometeu que a premiação do ano seguinte seriam dois automóveis - um para o vencedor da fase nacional e outro sorteado entre o público. A notícia logo se espalhou, gerou grande expectativa e a segunda edição foi um grande sucesso - com um palco sobre a lagoa. Assim, ganhou força, não só pela abrangência e premiação, mas pela qualidade musical, chamando a atenção também da imprensa de todo Estado. Começou tímido, cresceu e hoje é conhecido e reconhecido pela excelência musical. "Minha maior alegria é ver as pessoas unidas em um evento sadio, de todas as idades e que gostam de música. Me sinto realizado vendo a coisa acontecer, mas não adianta só a comissão organizadora se esforçar, a comunidade precisa estar conosco. E não só Encantado, mas toda a região", afirma Conzatti.

Saiba Mais

1º Canto da Lagoa - 14 de março de 1993 / Lagoa da Garibaldi

  • Comissão organizadora - prefeito, Adroaldo Conzatti; vice-prefeito, Odilon Oscar Gheno; coordenador, Gilson Conzatti; promotores Associação Pró-Menor Encantado (AME), Apae e Prefeitura de Encantado; apresentador, José Claucir Cunha dos Santos
    - Foi gravado em fita cassete
    - Comissão julgadora - Sílvia Porto, Analice Daltoé, Geraldo Pecin (in memoriam), Dinorvan Saraiva (in memoriam) e Luciano Lucca; e o som ficou a cargo do Ricardo Walter

Vencedores

1º lugar - Claudemir e Danimar - Carazinho
2º lugar - Marcelo Nólibus e Daniel Orlandini - Encantado
3º lugar - Banda Aero Willis - Encantado
4º lugar - Ercilio Nunes - Encantado
5º lugar - Namir e Nei Barzotto - Encantado
Mais popular - Grupo Sempre Contenti - Nova Bréscia

Estilos musicais

Assim como outros grandes festivais, no início, o Canto da Lagoa tinha uma linha mais tradicionalista, nativista e gauchesca. Teve vencedores como Délcio Tavares e Elton Saldanha - que concorreu e ganhou na terceira edição. E as participações de Luis Carlos Borges e Yamandu Costa. Os principais nomes da música do Rio Grande do Sul já estiveram como convidados, concorrendo ou fazendo shows. Mesmo com a influência de grandes eventos semelhantes pelo Estado - que exaltam em sua maioria as canções da cultura dos pampas - o primeiro Canto da Lagoa teve como vencedora uma dupla sertaneja; segundo lugar, pop; e terceiro, o rock. Conforme o coordenador do evento, Luciano Moresco, com o tempo, passou-se a permitir todos os gêneros musicais. "Hoje é um festival aberto. Vivemos num país com diversas influências musicais e étnicas como a alemã, africana, italiana e a gaúcha, que é fortíssima. Mas também tem o pop, o rock, o funk, samba e pagode. É extremamente plural. Mas o Canto da Lagoa atinge, especialmente, um público que tem mais afinidade com a música, e não é uma música por vezes muito popular", explica Moresco.


Uma das novidades desta edição é que não haverá a tradicional gravação do CD. As canções selecionadas e classificadas serão disponibilizadas em plataformas digitais. Também este ano, o Canto da Lagoa terá premiação especial para composições que cantem as belezas do Rio Taquari.

Inscrições até segunda

As inscrições para o 15º Canto da Lagoa encerram-se na próxima segunda-feira. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no link @festivalcantodalagoa, disponíveis nas plataformas digitais Facebook e Instagram. O material deve ser preenchido e enviado por e-mail ao endereço [email protected] Para a fase regional, em 23 de novembro, podem se inscrever músicos e compositores das cidades que compõem a Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), com obra inédita. Quatro passam para a fase nacional, em 24 de novembro, que reúne artistas de todo o território nacional e da América Latina, com obra inédita.

Fase estudantil

Em 25 de novembro, a partir das 17h30min, é a vez da fase estudantil. Um dos grandes avanços do evento, segundo o coordenador Luciano Moresco. "Muitos músicos de hoje na região se inspiraram a se tornarem músicos pelo Canto da Lagoa, e pensaram em um dia estar no palco." Além das escolas da região, também são convidados a participar as principais universidades do Brasil que têm cursos de música de graduação e licenciatura. Podem inscrever-se estudantes da rede pública e privada, matriculados do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, no Ensino Médio ou no Educação de Jovens e Adultos. Mais detalhes estão disponíveis na página oficial do evento no Facebook. A mobilização estudantil tem o apoio da 3ª Coordenadoria Regional de Educação, que está atuando junto aos diretores e professores das escolas estaduais. "Para nossa grande alegria o festival está de volta. E, mais uma vez, a 3ª CRE participa na divulgação e palco de talentos. A etapa estudantil entra em nossas escolas de forma muito proativa, pois temos muitos talentos. Compor uma letra é um exercício rico de conhecimento e isso nossos alunos têm. Em novembro, estaremos lá para mostrar isso", comenta a titular da 3ª Coordenadoria Regional da Educação, Greicy Weschenfelder.

Jorge Moreira

O poeta e compositor Jorge Moreira faz parte da história do festival - participou em mais de 90% das edições. Ele destaca várias de suas composições como Rumos de Esperança, Dinheirinho, João e Maria, Ronda de Pescador, Festa na Capela, Pescaria no Taquari e Cadê São Pedro. "Este festival é muito importante porque divulga o nome de Encantado em todo o Brasil e resgata ritmos musicais de diversas regiões, oportunizando a participação de artistas", destaca. Moreira tem carinho especial pela canção Rumos de Esperança, por ser a mais interpretada por prendas em todos os rodeios artísticos e concursos do Rio Grande do Sul.

Paixão de infância

Um amor que começou na infância hoje é o tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da encantadense Isabela Hammes (21), estudante do Curso de História da Unisc. "Escolhi esse tema pois me remete a algo vivido por mim desde criança, mas também por fazer parte da história do nosso município e pela euforia da espera de mais uma edição. Vai além do racional. Falo do sentimento das pessoas por uma cultura tão linda. Por isso, queria fazer algo em prol da cidade, direcionada à região e para ficar registrado como material histórico do Canto da Lagoa", explica. Segundo ela, há vários registros no museu do Canto da Lagoa - que funciona junto à biblioteca pública - como fotos, troféus e CDs, mas não há um livro que conte toda a trajetória. "Por isso, pensei em fazer algo que pessoas possam ler, pesquisar e conhecer mais sobre a cultura", destaca.


Para ela, a figura mais marcante de todos os festivais é Paixão Côrtes. "Para mim ele foi a pessoa mais importante que esteve presente. Assim podemos perceber o quanto o evento foi e é grandioso para o nosso Estado." Além dele, o poeta Jorge Moreira - que inclusive dá nome ao museu do festival. "É uma pessoa muito ativa em participações no evento e pelas composições que despertam o amor de todos por nossa terra", afirma. Isabela aguarda ansiosa para acompanhar a edição dos 25 anos e preparar uma publicação especial inspirada em seu TCC. "A nossa ideia inicial é deixar exemplares nas escolas, na biblioteca e um no museu. Será algo principalmente para as crianças terem um contato e conhecerem a história".

Reconhecimento

O secretário de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Victor Hugo Alves da Silva, tem grande carinho pelo evento e confirmou que estará presente. Ele foi jurado da segunda edição, apresentou o festival durante alguns anos, concorreu e tem músicas em discos do Canto da Lagoa. "É um grande festival. A minha análise é primeiro como artista que participou. Me comparo a um técnico de futebol que já foi jogador. Então, o secretário de Cultura do Estado veio dos palcos. Por isso, sei da importância que tem, teve e precisa ser resgatado no cenário do Rio Grande do Sul. Nenhum outro Estado do Brasil tem tanta tradição em cantar e contar a nossa cultura. Os gaúchos gostam de fazer festivais. E dentro deste grande leque, Encantado encontrou a sua forma de fazer com diversidade estética e vários estilos. "Eu quero ajudar como artista e como secretário, e pretendo participar em 2018, nem que seja para bater palmas e recordar as boas lembranças", afirma.

Shows em 2018

Esta edição contará com dois shows. Na sexta-feira, dia 23 de novembro, Kleiton e Kledir, apresentam-se às 22h30min, no Ginásio Municipal de Esportes. O ingresso é livre, mas pede-se a doação espontânea de brinquedos e alimentos. No sábado, dia 24 de novembro, a dupla Fernando e Sorocaba, às 0h30min, na área coberta, com espaço para oito mil pessoas - atrás do ginásio do festival. Ingresso pago. Saiba mais na página do Facebook do evento.

História

A sala Jorge Moreira - Memorial Canto da Lagoa - funciona junto à Casa de Cultura Dr. Pedro José Lahude, no Centro de Encantado. O local conta a história do festival de música - um dos maiores do Rio Grande do Su. São inúmeras fotos, registros e troféus que mostram a trajetória de sucesso do evento.

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