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Agricultores não associam uso inadequado de agrotóxicos ao seu estado de saúde

Pesquisa do PPGAD foi realizada com 130 agricultores de Imigrante

Créditos: AI Univates
- Univates/divulgação

Imigrante - Apesar de conhecerem os problemas que os agrotóxicos podem gerar ao meio ambiente e à sua saúde, os agricultores não relacionam o uso inadequado dos agrotóxicos ao seu estado de saúde. Esse foi o resultado de uma pesquisa desenvolvida pela diplomada em Ciências Biológicas, Mônia Wahlbrink, sob orientação da doutora Claudete Rempel, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) e ao PPG em Sistemas Ambientais Sustentáveis (PPGSAS) da Univates, realizada com 130 agricultores do município.

Os dados foram obtidos a partir da resposta dos participantes a um questionário que abordava temáticas como o perfil do trabalhador, a utilização de agrotóxicos, a saúde, a segurança e a higiene do trabalhador.

A maioria declarou que começou a trabalhar ainda na infância na propriedade, em média aos 12 anos de idade. Grande parte dos agricultores de Imigrante (89,2%) disse ter conhecimento sobre os riscos que o uso de agrotóxicos pode ocasionar e nenhum afirmou comer ou fumar durante a aplicação dos agrotóxicos.

Entre os entrevistados, 73,3% relataram ter sentido ao menos um sintoma de intoxicação por pesticida nos últimos seis meses, sendo o mais citado a dor de cabeça (70,2%), seguido por cansaço (52,1%) e dor no corpo (46,0%). Dos 73,3% que mencionaram ter sentido ao menos um dos sintomas, 17 agricultores (18,1%) acreditam que esses podem ter alguma relação com o uso de agrotóxicos.

Quando questionados se ao longo da vida já haviam sentido algum mal-estar por ter usado agrotóxicos, 54 agricultores (41,5%) responderam que sim, sendo a dor de cabeça novamente o sintoma de intoxicação mais citado (55,6%), seguido por enjoo (48,1%) e fraqueza (11,1%).

De acordo com Mônia, de maneira geral, os resultados obtidos mostram que existe um quadro de exposição humana e ambiental aos agrotóxicos. "Grande parte dos agricultores afirma conhecer os riscos que essa exposição pode ocasionar, porém é notável o uso parcial dos EPIs, bem como a não leitura e a falta de compreensão do rótulo e da bula dos agrotóxicos pela maioria dos agricultores", analisa ela, acrescentando que foi observado que quase metade dos entrevistados já sentiu algum sintoma de intoxicação.

A orientadora da pesquisa, professora Claudete, destaca que os dados mostram que os estudos de percepção de riscos são importantes instrumentos para a gestão ambiental e o controle dos riscos associados ao uso de agrotóxicos no trabalho rural. "Percebe-se a importância da implementação de políticas públicas que incentivem a prática agrícola mais sustentável e que reduzam a vulnerabilidade a que os agricultores e o meio ambiente estão expostos", explica ela. Claudete afirma, ainda, que é necessário também incentivar o enfoque agroecológico e o desenvolvimento de práticas agrícolas sustentáveis, "o que contribui para a manutenção da capacidade produtiva e a diminuição dos efeitos negativos que os agrotóxicos causam à saúde humana e ao meio ambiente", finaliza.

Dados do gráfico
Perfil dos respondentes
Total de respondentes: 130
Homens 93,8%
Mulheres 6,2%
Escolaridade: Ensino Fundamental incompleto 83,1%
Relação de trabalho: Proprietário 85,4%
Idade média 54,7 anos
Média de idade com a qual começou na atividade rural 12,0 anos
Tempo médio de utilização de agrotóxico (em anos) 18,1 anos

Principais sintomas reportados
73,3% relatam ter sentido ao menos um dos sintomas nos últimos seis meses
Sintomas mais citados foram dor de cabeça (70,2%), seguido por cansaço (52,1%) e dor no corpo (46%)

Mal estar
54 agricultores (41,5%) responderam já ter sentido mal estar após uso de agrotóxicos.Dor de cabeça foi novamente o sintoma de intoxicação mais citado (55,6%), seguido por enjoo (48,1%) e fraqueza (11,1%).

Uso de Equipamento de Proteção Individual
118 (90,8%) utilizam algum tipo de EPI
12 (9,2%) não utilizam nenhum tipo de EPI

EPI's mais utilizados
95,0% usam botas;
93,3% usam roupa longa
1,7%  utilizam viseira

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