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"Estou no campo e sou um produtor de leite"

Representante sindical, o presidente do STR Lajeado, Lauro Baum (52), é o personagem da entrevista desta segunda

Créditos: Lucas George Wendt
- Lidiane Mallmann

O Informativo do Vale - Como iniciou seu envolvimento com o sindicalismo?

Lauro Baum - Cursei Administração na Univates. Procurar conhecimento para mim foi fundamental. Eu não estava atrás de um diploma. O aprender precisa ser diário e você tem que estar atento. Sou lajeadense, mas moro em Forquetinha. O associativismo começa nas comunidades - na escola, na Igreja, a base das nossas localidades. Eu nasci nesse meio. Meu pai participava das diretorias e era um defensor do produtor. Isso vem da infância.

O Informativo do Vale - E a sua rotina?

Baum - Se você me pede onde vou estar amanhã, não sei. Meus dias são assim. Aqui eu não tenho horas. Quando eu chego em casa, esqueço meu dia no STR. Ainda tenho a regalia de comer a bergamota do pé? Hoje estamos vivendo uma economia mista, no mundo. Tenho meus animais e minha produção, o que é comum na Europa, e posso trabalhar tranquilamente oito horas em outro lugar. Tenho 52 anos, e sou a terceira geração da família que atua na propriedade. A casa foi construída em 1926. Estou no meio dos milharais. Vamos ver se meu guri vai continuar?

O Informativo do Vale - Na área social de atuação, qual é o desafio do STR Lajeado hoje?

Baum - Jamais esquecemos nossas origens. Estamos participando de todos os movimentos em defesa da nossa classe, da agricultura. Lajeado, Forquetinha, Marques e Canudos são os municípios-base para a atuação social do STR. São cerca de 1,2 mil associados. Discutimos constantemente. O STR sempre está junto. Trabalhamos também com todas outras áreas, mas a questão do leite é muito preocupante. O problema do leite é um desafio. Atinge toda a economia - não só a cadeia leiteira. Os altos investimentos feitos agora têm que ser pagos no banco. Um dos entraves é a importação, mas não é só ela. Tem que regulamentar preço. Eu não conheço ninguém que parou de produzir leite e voltou. Estudos apontaram que nosso custo de produção chega a R$ 1,28. A nossa economia aqui no Vale vai ser extremamente atingida. A produção de leite é uma questão cultural. A renda do leite circula mensalmente na economia regional. O consumidor precisa ajudar a cadeia.

O Informativo do Vale - Quanto ao futuro??

Baum - O Sindicato sempre avançou. Nós estamos numa fase de transformação. Os ciclos estão mais curtos. As mudanças estão muito acentuadas e atingem, também, a agricultura e a pequena propriedade. Novas tecnologias estão avançando, é um compromisso do Sindicato acompanhar esse progresso e orientar o produtor. Aconselhamos para que o produtor possa se programar. Vai ou não haver sucessão? Quais os investimentos para fazer? Planejamento familiar é fundamental. São 25 localidades na área de abrangência. Hoje, o agricultor tem muita informação à disposição. Hoje, é muito dinâmico. Não é só esforço físico.

O Informativo do Vale - E os projetos para os supermercados?

Baum - Entre 6 mil e 7 mil pessoas passam por aqui todos os dias, na matriz. Em torno de 100 mil por mês. É um desafio diário, representar um orçamento mensal razoável e cerca de 500 funcionários. Ao mesmo tempo, é gratificante. Recebemos reclamações? Sim. Mas recebemos muitos elogios, também. O STR é da comunidade. Temos outros bons mercados na cidade e o STR também está aqui. Enquanto rede, honrar os compromissos é essencial. Perceber tendências e participar de feiras também é fundamental. Eu acompanho relatórios diariamente pelo smartphone. É uma ferramenta da tecnologia. É só usar. Temos que nos adaptar às coisas. A rede de supermercados surge como uma fonte de renda ao Sindicato. Recentemente, começamos a construir o Centro de Distribuição. Adquirimos a área do Sesi, ano passado - esse foi um momento de realização de um sonho. Com isso, vamos proporcionar mais conforto aos clientes. Vamos abrir uma filial em Conventos. Fazer nosso trabalho bem feito e confiar.

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