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"É um absurdo, a burocracia está liquidando o país", declara Conzatti

Prefeito de Encantado avalia o primeiro ano de gestão, faz projeção para o futuro do município e critica com indignação o governo federal

Créditos: Paulo Messa
CONTAS EM DIA: prefeito anuncia fechamento de 2017 com saldo zero e anuncia incremento no interior de Encantado - Paulo Messa

Encantado - Momentos antes de encerrar as atividades de 2017, na sede do Executivo de Encantado, o prefeito Adroaldo Conzatti recebeu a reportagem do jornal O Informativo do Vale e fez um balanço do primeiro ano de gestão e projeções de sua administração para 2018. Em entrevista, Conzatti falou sobre infraestrutura, saúde, gestão e fez duras críticas à burocracia, relacionando a morosidade dos processos licitatórios ao governo federal.

O Informativo do Vale - Neste primeiro ano de gestão, quais as principais ações da prefeitura que merecem destaque pelo benefício gerado à comunidade?
Adroaldo Conzatti - Temos dois grandes acontecimentos em Encantado. Implantamos o Posto Central, onde foram realizadas mais de 21 mil consultas durante 2017, com horário diferenciado (das 8h às 21h), atendendo a todos. Outro diferencial que temos em pauta é o zoneamento das escolas. Os alunos devem se matricular nas instituições mais próximas, reduzindo em torno de 80% o custo com transporte escolar. Teremos 100% das crianças de 0 a 6 anos de idade (cerca de mil) nas creches. No Ensino Fundamental, turno integral em todas as escolas municipais.

O Informativo do Vale - O Centro Oftalmológico é uma das importantes instituições de saúde em Encantado e retornou as atividades durante sua gestão no Consisa VRT. Quais as perspectivas daqui em diante?
Conzatti - A fiscalização não é de responsabilidade do Município, mas do Conselho Intermunicipal de Saúde do Vale do Rio Taquari (Consisa), da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde, e está tudo em dia. Ele está fazendo 40 cirurgias/mês, que é muito pouco para a região, tendo, no mínimo, que dobrar isso. Tudo é pelo SUS, ninguém paga por essas cirurgias, mas precisamos ampliar este número de consultas porque o centro está instalado com duas salas de cirurgia, capacidade dobrada e está ociosa, faltando apenas a autorização do SUS para fazer os procedimentos.

O Informativo do Vale - A Prefeitura tem anunciado uma série de investimentos em pavimentação. Quais os próximos indicativos neste sentido?
Conzatti - Uma das propostas, que está dentro do plano de governo, é calçar toda a cidade em quatro anos. Vamos conseguir fazer este trabalho em dois anos e meio. Queremos concluir todo o trabalho - aproximadamente 200 mil metros quadrados. Temos concluído até agora mais de 40 mil metros e em execução mais 45 mil. E em dois anos e meio queremos chegar aos 100% daquilo que é de responsabilidade do Município. No interior, há o projeto do asfalto comunitário - projeto que a gente prepara toda a base e só licita a camada asfáltica - em que temos o compromisso de asfaltar 20 quilômetros de estradas vicinais. Estamos recebendo oito máquinas novas e já em fevereiro ou março estaremos iniciando em alta velocidade essas obras.

O Informativo do Vale - Uma das lutas da comunidade de Encantado é para que o pedágio seja revisto na região. Como o prefeito tem articulado com o governo para atender esta demanda?
Conzatti - O pedágio só tem um problema: é o valor, que é muito alto. O que a gente pleiteia é uma redução. Sei que isso dificilmente vai acontecer, então o que vamos pleitear junto à EGR é uma redução para as placas de Encantado, considerando que temos a praça de pedágio dentro do município. A questão de desvio e rota alternativa não vejo com bons olhos porque se a fizermos, teremos que asfaltar.

O Informativo do Vale - Qual o maior empecilho encontrado pelo prefeito na administração do município em 2017?
Conzatti - A burocracia é a maior dificuldade. Ela emperra e está cada vez pior. Para que a compra de qualquer produto seja efetuada, também é necessário um processo de 100, 200, 500 folhas de papel. É um absurdo, a burocracia está liquidando o país. Todos os governos, quando assumem, prometem reduzir a burocracia, mas pelo contrário, ela aumenta. Existem algumas coisas erradas no país, no Estado, em todos nós, nos órgãos fiscalizadores, pela burocracia nacional. Não sabemos ser eficientes e isto foi a grande dificuldade que a gente teve e tem, porque não tem maneira de fazer alguma coisa rápida já que há uma burocracia toda a ser cumprida. Muitas vezes ela faz encarecer o produto, o custo operacional, mandando comprar o produto de terceira, quarta linha, porque é a Legislação que faz assim. Nós, brasileiros, precisamos repensar. Isso começa no governo federal, que não dá exemplo bom.

O Informativo do Vale - Como o prefeito avalia a equipe e o secretariado formado para administrar a cidade? E a relação com o governo do Estado nas demandas do município?
Conzatti - Boa. Tínhamos dez secretarias e hoje temos seis. Houve um período de adaptação, readequação, redução de cargos, de setores, acumulação de funções. E teve um certo tempo para acomodação. Hoje está fluindo bem. Não é ótimo, mas está bem. O prejuízo é sempre operacional, mas nenhum serviço foi prejudicado. A relação com o governo do Estado é muito boa, especialmente com o governador Sartori e o secretariado do Estado. O problema é a falta de recurso, a situação do Estado, que é conhecida por todos, com a dificuldade de recursos.

O Informativo do Vale - Quais as perspectivas para o interior de Encantado?
Conzatti - Nossa meta é aumentar 50% da produção primária e vamos atingir, porque estamos instalando dois condomínios, num projeto da Dália: são 550 mil frangos alojados e ainda temos projetos de mais 5.500 matrizes para produção de leitão.

O Informativo do Vale - Como a Administração fecha as contas do Município?
Conzatti - Fechamos o nosso ano com o saldo zero de compromissos. Tudo em dia. Pequena disponibilidade de recursos, mas tudo em dia. E temos obras licitadas para iniciar em janeiro: dois trechos de asfalto.

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