Economia

Feriados de 2018 representarão perda de R$ 11,7 bi no PIB do RS

Relação oficial de paradas no país foi divulgada em dezembro pelo governo. Estão previstas nove datas

Créditos: Lucas George Wendt
ECONOMIA: feriados têm reflexo negativo na movimentação econômica. PIB gaúcho pode perder até R$ 11,7 bi em 2017 - Lidiane Mallmann

Lajeado - Feriados geralmente são bem vistos. Oportunidade para descansar, recarregar energias, viajar e, para alguns, colocar tarefas individuais em dia, os feriados possuem impactos que vão além daqueles relacionados apenas à rotina dos cidadãos. A frequência de datas de recesso representa, também, impactos na economia.

A realização de feriados nacionais é instituída oficialmente, e foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), no dia 26 de dezembro. São nove feriados nacionais e outras cinco datas facultativas. Dos feriados nacionais apenas um cairá em fim de semana: o de Tiradentes. Cinco datas serão em terças-feiras ou quintas-feiras, o que pode criar os "feriadões": comemorados por uns, e por outros não.

O Brasil tem a frequência de feriados dentro da média mundial, acompanhada de perto por países como Canadá, França, Itália e Suécia. Por aqui, em 2018, serão apenas nove datas, enquanto que em outros países da América Latina, como é o caso da Colômbia, por exemplo, 18 datas são feriados nacionais. O país é seguido por Argentina e Chile, que tem 15 datas cada.

Perdas
Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul, Vitor Augusto Koch, não existem soluções prontas para a questão dos impactos dos feriados na economia gaúcha. Na avaliação da Federação, não é a incidência de feriados o que preocupa.

A questão é a distribuição das datas em dias da semana. A FCDL-RS entende que os feriados são momentos que comemoração e de simbolismo religioso, e que devem ser preservados. No entanto, vê como importante ajustes nos calendários como uma forma de maximizar a produtividade econômica do estado e do país. Isso acontece em razão de que os feriados que caem nas quintas e sextas acabam tomando, também, o período matutino do sábado - quando a indústria opera e o comércio, especialmente, tem o pico semanal de fluxo.

O mesmo acontece nas segundas, quando os feriados incidem nas terças. A entidade realizou um cálculo estimando o custo da improdutividade nos feriados. Cada dia de folga no RS representa R$ 1,3 bilhão a menos na economia do estado.

Para o comércio varejista, cerca de R$ 178 milhões a menos. Conforme a entidade, tendo por parâmetro Porto Alegre, em nove dias inteiros (seis sextas-feiras ou segundas e seis metades de sábados) a economia gaúcha fica praticamente parada em dias que deveriam ser de trabalho, quebrados por estarem entre feriados e finais de semana.

A média de feriados por município no RS é 12 - considerando datas nacionais, estaduais e os feriados municipais. "Em algumas cidades do estado pode ser até 14", calcula Koch. A implicação disso no PIB gaúcho é uma perda potencial de R$ 11,7 bilhões, e de R$ 1,6 bilhão ao comércio varejista, no total. Um projeto encabeçado pela FCDL-RS é a proposição, realizada ao governo, da adoção de um sistema de transferência de feriados que não é inédito. Apesar de levantar discussões ele foi utilizado no final dos anos 1980 e início dos 1990: excetuando-se o Natal e Ano Novo, todos os demais feriados que caírem em dias de semana seriam automaticamente transferidos para a segunda-feira.

A justificativa é de que este deslocamento de datas, gera um período mais extenso de descanso aos trabalhadores. "Na segunda é o prejuízo menor, já que o dia costuma apresentar menor fluxo de negócios no ramo de varejo". Também beneficia igualmente o turismo no RS evitando a desmobilização do sistema produtivo em dias que deveriam ser de trabalho normal. "Quando se para, a retomada é complexa", diz Koch.

Os feriados em 2017
No Brasil, além do 1º de janeiro (última segunda), feriado de Confraternização Universal:
30 de março (sexta): Paixão de Cristo;
21 de abril (sábado): Tiradentes;
1º de maio (terça): Dia Mundial do Trabalho;
7 de setembro (sexta): Independência do Brasil;
12 de outubro (sexta): Nossa Senhora Aparecida;
2 de novembro (sexta): Finados;
15 de novembro (quinta): Proclamação da República;
25 de dezembro (terça): Natal.

A publicação oficial também prevê a ocorrência de feriados facultativos. São as datas:
12 de fevereiro (segunda): Carnaval;

13 de fevereiro (terça): Carnaval;
14 de fevereiro (quarta): Quarta-feira de cinzas (ponto facultativo até as 14h);
31 de maio (quinta): Corpus Christi;
28 de outubro (domingo): Dia do Servidor Público.

Em Lajeado
Além dos feriados nacionais, a cidade respeita outros dois calendários de feriados - o estadual e o próprio, municipal. O Rio Grande do Sul possui apenas um feriado estadual, o dia 20 de setembro, quando é comemorada a Revolução Farroupilha. Os gaúchos têm menos feriados estaduais, diferente de outros locais no país, como o Acre e o Rio de Janeiro, onde são comemoradas seis datas de recesso instituídas no nível de cada uma das UFs. Lajeado comemora apenas o dia da Reforma Luterana, em 31 de outubro. Na cidade, diferentemente de outros municípios da região, o aniversário, em 26 de janeiro, não é comemorado com feriado. Comércio e indústria são as áreas mais afetadas pelas paralisações geradas a partir dos feriados. Na avaliação do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Lajeado, Heinz Rockenback, é possível identificar perdas com a realização de feriados até mesmo na esfera municipal. "Afeta o crescimento da economia", avalia. Ao mesmo tempo em que o comércio sai em desvantagem, ele aponta negócios que podem lucrar com o movimento e o trânsito de pessoas durante períodos de recesso. "Turismo, negócios que envolvam passeio e áreas de lazer", exemplifica. Ele comenta que a discussão em torno dos feriados vai entrar na pauta da CDL em 2018. "O dia que não se trabalha é difícil de recuperar", opina Rockenbach.

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