Economia

Economia dá sinais de retomada

Com o resultado do Caged de outubro, o melhor deste ano, o Brasil soma 303,2 mil vagas criadas em 2017

Créditos: Lucas George Wendt
LAJEADO: a indústria de transformação foi a área que mais empregou em outubro na cidade - Lidiane Mallmann

Lajeado - Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego divulgados para outubro apontam para a melhora progressiva das contratação para o País. Os resultados para outubro foram divulgados na segunda, dia 20. O saldo positivo corresponde a 76.599 postos de trabalho formais criado no último mês no País. Na cidade, foi registrada, em outubro, a abertura de 1.156 vagas.

As demissões foram 960. O saldo positivo de contratações é, dessa forma, de 196. Para setembro, a diferença entre o total de admissões, que foi 1.111 e o total de demissões, foi 916, resultou num saldo positivo de 195 pessoas empregadas. O saldo positivo de outubro é maior que o de que setembro em apenas um novo posto de trabalho ocupado.

Em Lajeado, o setor com o maior saldo positivo foi a indústria de transformação, cuja diferença entre contratações (355) e demissões (270) em outubro é de 85 postos de trabalho ocupados. A seguir, na relação do MTE, aparece o comércio.

No comércio foram admitidas 278 pessoas, e desligadas outras 232 - o que resulta num saldo positivo de 46 pessoas a mais empregadas. Trinta e quatro é o saldo positivo resultante da relação entre as admissões (108) e as demissões (74) registradas para o setor de construção civil. A administração pública é o único setor que apresenta saldo negativo na cidade em outubro de 2017.

Apenas um posto de trabalho foi ocupado em Lajeado, ao passo que 6 vagas foram deixadas, o que representa um saldo negativo de -5.

Em comparação com os números de outubro de 2016, a situação melhorou de forma considerável no mesmo mês de 2017. Na relação entre admissões e demissões, que foram, respectivamente, 886 e 829 no período, o saldo positivo de outubro de 2016 foi de 57 novos postos ocupados. O de outubro de 2017 é 196, ou seja, mais 139 contratos feitos. Em 2016, de janeiro até outubro, haviam sido contratadas 10.197 pessoas na cidade.

As demissões foram 10.223. Os números indicam que no período as demissões foram superiores às contratações na cidade, o que significa dizer que -26 pessoas estavam empregadas. Os mesmos meses - janeiro a outubro - de 2017 atestam uma situação muito diferente.

Enquanto as admissões acumulam 10.758 vagas ocupadas no ano, as demissões são 9.995 até agora em 2017. A diferença positiva para este ano é de 763 pessoas ocupando postos de trabalho. No cenário nacional, o setor de serviços, seguido da indústria de transformação e da agropecuária foram os que mais reagiram considerando os dados dos últimos 12 meses. Nacionalmente, em outubro, o comércio foi o setor que mais despontou.

A diferença entre as contratações e demissões é de mais de 37 mil vagas novas ocupadas no mês. A seguir, na relação, está a indústria de transformação, com saldo positivo superior a 33 mil, e o setor de serviços, com quase 16 mil postos ocupados. Nos últimos 12 meses, o total de vagas formais ocupadas foi 376. Apenas nos dez meses de 2017, o número é 763.

Os dois últimos meses de 2016 foram responsáveis por puxar a soma para baixo - o número de pessoas demitidas em novembro e dezembro do último ano foi 387. Esse é período em que, normalmente, setores como comércio e serviços contratam mais - o que demonstra o enfraquecimento da economia no período.

"Ciclos econômicos sempre existiram"
A presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, resgata a economia política internacional recente para explicar as causas crise econômica no Brasil. Conforme Cíntia, a origem da crise que afetou o país é externa, porém fragilidades internas potencializaram os efeitos.

A recessão externa é de 2008, e teve reflexos em todo o mundo. No Brasil, como uma forma de promover o resguardo econômico, os governos do país estimularam uma política conhecida como anticíclica - deram condições de acesso a créditos e diminuíram a tributação, justamente para que as pessoas comprassem mais.

Conforme Cíntia, no entendimento do governo, com a população consumindo mais o país estaria longe da crise. "De fato isso aconteceu durante um tempo", diz.

Enquanto o mundo enfrentava problemas, por aqui as coisas iam bem entre 2010 e 2013, revela. Períodos de crescimento e outros de recessão são comuns na economia mundial.

Na opinião da presidente do Codevat, a crise mais recente é particularmente difícil para o Brasil. Ela traz os dados do Produto Interno Bruto dos últimos anos para demonstrar o enfraquecimento da economia. "A economia encolheu quase 8% nos últimos anos".

Conforme Cíntia, na ocasião, para as políticas anticíclicas acontecerem, o governo brasileiro abriu mão de uma série de incentivos e arcou com diferenças da conta de energia, do combustível e bancou juros mais baixos. Tudo isso tem um limite que, aos poucos, já vinha sendo demonstrado, na opinião de Cíntia. Ela complementa que o ano de 2014 foi importante, por ser ano eleitoral, além de ser o momento na história em que a crise começou a ser sentida efetivamente.

Foi, também, conforme a presidente do Codevat, o "momento em que nenhum administrador retomaria a cobrança de impostos e mudaria política econômica". Quando a presidente Dilma Rousseff foi reeleita, no entanto, uma série de questões na economia foi retomada - essa a oportunidade em que o governo reviu aspectos e reverteu políticas de flexibilização que haviam sido adotadas até então. A inflação aumentou, os preços aumentaram e a sociedade começou a pagar novamente as contas. A crise política e econômica se instaurou a partir de então.

"Os anos de 2015 e 2016 foram pesados para a sociedade brasileira". Dois anos mais tarde, quase em 2018, vivemos tempos mais otimistas. Independentemente do que aconteça na política econômica do país, a presidente do Codevat comenta que uma mudança de perspectiva por parte dos gestores, das administrações e da população em geral pode ser responsável pelo progresso econômico que estamos experimentando.

"Cada um tem que fazer por si e pensar o seu negócio. Vamos olhar para nós mesmos e fazer o que é possível". Neste novo contexto, é possível que as pessoas acessem novos patamares de consumo, de compras e de acesso aos bens e serviços, diz Cíntia. E as empresas, defende, devem repensar seus negócios, reduzir custos e encontrar alternativas. "Os dados de emprego demonstram que é possível ir adiante", diz. Para Cíntia, é cedo, no entanto, para pensar em retomada que seja generalizada.

"É necessário esperar mais alguns meses". Os números do PIB, para serem recuperados, diz ela, podem demorar pelo menos cinco anos. Para 2018, a economista comenta que é necessário cautela, especial em razão de que a política se relaciona de maneira muito próxima com a economia. O próximo ano é ano eleitoral no Brasil: "se o mercado não confia no que os candidatos dizem, ele não investe". Cíntia ainda comenta que 2018 marca uma década da recessão internacional. "Não podemos ficar parados. Mas temos que ter prudência", finaliza.

O panorama nacional
O relatório do Ministério do Trabalho e Emprego (parcial para o ano, considerando os dados de janeiro a outubro) indica um saldo acumulado de 303,2 mil brasileiros que conseguiram uma vaga formal de trabalho. No mesmo período do ano passado, o cenário era outro no Brasil. Em dez meses de 2016, 730 mil pessoas haviam sido demitidas. Em 2015, entre janeiro e outubro o quadro também era negativo, com mais de 786 mil postos perdidos.

No total, conforme o Caged, as admissões de outubro de 2017 foram 1.187.819 e as demissões, 1.111.220. O comércio criou 37,3 mil novos empregos - a maioria deles na área varejista.

O atacado também teve bom desempenho, com a abertura de 7,1 mil vagas. A indústria de transformação figurou em segundo lugar no mês, com 33,2 mil postos. De 12 ramos observados, 11 registraram crescimento do emprego. O setor de serviços também apresentou desempenho positivo, com 15,9 mil vagas no mês.

Os dados mostram ainda que apenas cinco unidades da federação não registraram desempenho positivo. Por região, as estatísticas também mostram uma recuperação generalizada do emprego, exceto a região Centro-Oeste. O Norte criou 4,2 mil vagas em outubro; a Nordeste, 37,8 mil; a Sudeste, 13,5 mil; a Sul, 21,4 mil. O Centro-Oeste foi a única região onde houve retração, com uma queda de 1,6 mil. Nos últimos 12 meses, o resultado ainda é negativo, com redução de 294.305 postos de trabalho. O número corresponde a uma retração de 0,76% em relação aos empregos celetistas para o mesmo período de outubro de 2016.

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