Economia

"Não tenho formação acadêmica. Sou um sorveteiro formado"

O lajeadense Martin Eckhardt fundou a Sorvebom, marca de excelência na produção de sorvetes e picolés. Em janeiro, a empresa completou 35 anos de atuação

Créditos: Lucas George Wendt
- Lidiane Mallmann

O Informativo do Vale - Como começou a Sorvebom?
Martin Eckhardt - São 35 anos. Eu tenho hoje, 57, e comecei com 22 a ser sorveteiro. Nós começamos por uma oportunidade. Era funcionário da Costaneira em Novo Hamburgo. Através de uma amizade que fiz com sorveteiro de lá, surgiu a oportunidade de iniciar esse negócio. Na época, o pai do amigo faleceu em um acidente e a viúva não quis continuar. Eles tinham uma pequena sorveteria montada em Carazinho. O filho deles pediu se eu não queria comprar. Acabei comprando - sem dinheiro, sem nada. Fiz uma dívida. Eu jamais esperava ser sorveteiro. Peguei o negócio de Carazinho e trouxe para Estrela. Começamos lá em janeiro de 1983. Nos chamou a atenção que mais da metade dos clientes era de Lajeado. Em outubro do mesmo ano, abrimos aqui em Lajeado, uma loja que passou a ser a matriz.

O Informativo do Vale - De lá para cá...
Eckhardt - Até 1998, vendía­mos em lojas próprias. Não imaginávamos que chegaríamos ao tamanho de empresa que chegamos hoje, mas, a partir de 1998, começamos o plano de expansão para todo o Estado. Continuamos a expansão até hoje. A cada ano abrimos em uma área nova. Depende de quanto podemos investir. Nosso plano de expansão é muito rigoroso. Não consigo estocar o sorvete em qualquer lugar. Podemos dizer que vamos fabricar mais de dois milhões de litros de produtos acabados nesta temporada - nosso ciclo é 1º de maio a 30 de abril.

O Informativo do Vale - Qual foi o maior desafio?
Eckhardt - Nestes 35 anos, sem dúvidas, o maior desafio foi sobreviver nos primeiros anos. Começamos sem dinheiro. Se não fosse o apoio dos pais e dos clientes que apostaram a gente... Passando essa primeira fase, não paramos de crescer. Saímos fortalecidos depois das dificuldades. Os nossos produtos têm que ser fabricados com o gostinho de quero mais. Não queremos perder essa essência. A gente quer que as pessoas encontrem em contato pelo nosso site e redes sociais e digam 'Nossa, comi um sorvete e achei bom demais'. Nos últimos dois anos, eu tive que me reinventar, e os parâmetros e os conceitos do que é a nossa empresa. Aprendemos muito com isso.

O Informativo do Vale - Como é a gestão da marca?
Eckhardt - A empresa sempre foi familiar. A gestão familiar é compartilhada. Nós temos hoje um timaço conosco. Tenho pessoas com mais de 30 anos de empresa. Estamos muito contentes. São 85 pessoas empregadas, nas lojas e na fábrica. Eu e a minha esposa estamos há 35 anos à frente da empresa. Somos empreendedores, somos investidores e inovadores. Somos pessoas experientes, mas nossas ideias podem não estar de acordo com o momento atual. Temos a mente aberta para aceitar a ideias que, às vezes, não conseguimos acompanhar. Tem perguntas que eu preciso deles (dos filhos) para responder. Posso convidar meus filhos para participar? (Eckhardt saiu da sala e volta com Lucas e Tassiana, que auxiliam na gestão)...

Tassiana - Estamos tentando nos aproximar dos clientes através das redes sociais. Respondemos todo mundo que entra em contato pelas redes sociais. Queremos trazer a magia. Não é só um sorvete. É um produto que leva felicidade às pessoas, leva a um momento de magia e alegria.

Lucas - De 2015 para cá o mercado dos gelados está passando por uma grande mudança, muitos produtos com baixa qualidade. Vamos fazer o que todo mundo faz ou queremos fazer diferente? É um trabalho que está começando. A ideia é aproximar ainda mais o cliente não só pelo produto, mas pela magia, pela felicidade, pelo prazer que esse momento proporciona. 

O Informativo do Vale - Quais são as perspectivas para o futuro?
Eckhardt - Intensificar a presença em comunicação. Temos vários projetos interessantes para serem implantados durante este ano. E que vão orgulhar a população. Eu sou apaixonado pelo negócio e pelo produto - sempre fui. Nestes últimos dois anos, tivemos muitas decepções, economicamente falando. Tínhamos o costume fazer o planejamento estratégico a longo prazo. Do jeito que as coisas estão, é impossível. Esta estrutura aqui (a fábrica) foi planejada para produção ser dobrada no futuro. Ela está pronta. Porém, o desafio é decidir em qual nicho. Vamos mudar de produto? De foco? Vamos inventar outras coisas? Temos algumas ideias que vão ser definidas nos próximos meses. Estamos estudando. Gosto de trabalhar quando eu sei onde quero chegar. Rendo mais. Temos que ter um sonho. Quando eu decidi fazer a fábrica aqui eu não sosseguei até que estivesse pronta. Eu conseguia imaginar até onde iriam as tomadas.

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