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Tocqueville tinha razão

Não é de se estranhar então que nesse momento venha à tona toda estratégia de poder do lulo-petismo. Seu objetivo final era o poder; a infiltração e a destruição do que eles chamam de estado-burguês, não só no Brasil


"Se quisesse imaginar com que traços novos o despotismo poderia produzir-se no mundo, veria uma multidão incontável de homens semelhantes e iguais, que se movem sem cessar para alcançarem pequenos e vulgares prazeres, de que enchem a própria alma(...)" "Acima desses homens erige-se um poder imenso e tutelar que se encarrega sozinho de assegurar-lhes os prazeres e de velar-lhes a sorte. Este poder é absoluto, minucioso, regular, previdente e suave. Assemelhar-se-ia ao poder paterno, e, com ele, teria como objetivo preparar os homens para a idade viril; mas, ao contrário, procura mantê-los irrevogavelmente na infância; tem prazer em que os cidadãos se regozijem, desde que não pensem em outra coisa.(...)" "Após ter assim tomado em suas mãos poderosas cada indivíduo e após ter-lhes dado a forma que bem quis, o soberano estende os braços sobre toda a sociedade; cobre-lhe a superfície com uma rede de pequenas regras complicadas, minuciosas e uniformes, através das quais os espíritos mais originais e as almas mais vigorosas não conseguiriam aparecer para sobressair na massa; não dobra as vontades, amolece-as, inclina-as e as dirige; raramente força a agir, mas opõe-se frequentemente à ação; não destrói, impede o nascimento; não tiraniza, atrapalha, comprime, enerva, arrefece, embota, reduz, enfim, cada nação a nada mais ser que uma manada de animais tímidos e industriosos, cujo pastor é o governo." Alexis de Tocqueville (1805-1859)

O Estado derivou sua força da figura masculina. O pai, o sacerdote, o chefe do clã e depois o rei estão presentes na gênese do Estado.

No mundo árabe o poder continuou nas mãos ou de uma família (o rei-sheik) ou então nas mãos do descendente da entidade religiosa (o sacerdote-aiatolá).

Já no mundo ocidental, a revolução francesa teve o mérito de romper com o clero e a monarquia absolutista ao mesmo tempo.

Seus princípios de igualdade, liberdade e fraternidade bem como a separação dos poderes influenciaram o mundo todo.

Não seria demais dizer que os valores revolucionários de 1789 dominam ainda hoje o ideário do mundo ocidental. Ou seja, 200 anos depois ainda não se conseguiu pensar num modelo melhor.

No Brasil não é diferente. Em nossa Constituição estão alguns princípios revolucionários: a separação dos poderes, a proteção aos cidadãos e as garantias individuais.

A base teórica dessa revolução foi pensada pelo filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, falecido em 1778. Ele concebia o homem como um ser livre, igual a seus semelhantes, com os quais deveria conviver fraternalmente. O Estado não deveria ser um elemento de dominação, mas um ente a serviço do cidadão. Essa vertente de pensamento do estado moderno é chamada hoje de jusnaturalista.

Nela ocorre um pacto entre os indivíduos para constituir o Estado. Cada um delega e abdica de sua própria autoridade em nome da autoridade única do soberano que é, ele próprio, um indivíduo.

A esse modelo se contrapõe o pensamento de Hegel e Marx: Para eles a liberdade é impossível dentro dos limites do Estado.

Contrário a Rousseau e selando o rompimento com o jusnaturlismo, Marx vê no Estado uma forma necessária apenas para as organizações sociais de exploração e afirma que apenas a extinção do Estado poderá dar origem à verdadeira história humana, o reino da liberdade sonhado por Rousseau. A realização da sociedade humana passa, pois, pela destruição do Estado, e não por sua instituição.

Fora da filosofia política, no mundo real, os Estados de inspiração marxista agonizam, com exceção da China que manteve o Estado forte típico dos governos com essa orientação, mas liberou a economia e caminha para se tornar mais capitalista que os Estados Unidos.

No Brasil nunca tivemos o Estado sonhado por Rousseau, o local idílico onde a razão preponderaria sobre as paixões individuais. Aqui sempre poucos se serviram da estrutura estatal para proveito próprio, embora se dissessem jusnaturalistas; ou seja, seduziam o eleitorado com propostas de um governo baseado nos princípios da razão mas na hora de governar era outra história...

Pois em 2002 pela primeira vez na história do Brasil assume um partido com pensamento hegeliano-marxista. E seguindo a lógica, logo um defensor do fim do Estado.

Mas como não se imagina uma sociedade sem Estado, talvez possamos dizer que o quê os partidos de orientação marxista realmente querem seja o fim dos adversários, a aniquilação dos opositores seja pela força ou pela cooptação.

Na prática, o que fizeram foi recriar um Estado forte que se envolve em tudo, mas resolve pouco. Porém muito eficaz na destruição dos adversários. Uma verdadeira máquina de guerra amoral e sem escrúpulos. Um partido assim é bom para a guerra, mas inepto para a paz.

Não é de se estranhar então que nesse momento venha à tona toda estratégia de poder do lulo-petismo. Seu objetivo final era o poder; a infiltração e a destruição do que eles chamam de estado-burguês, não só no Brasil, mas em toda América Latina. E na cabeça desse pessoal para tão supremo fim qualquer meio é justificável!

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