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Sobre eleição e manipulação

Créditos: Marcos Frank

Até o momento, a atual campanha política mostrou que o grande perdedor desses novos tempos é a mídia tradicional.

Se houve um fiasco nessa eleição foi aquele protagonizado pelos jornais, revistas e canais de televisão. Ficou claro não só seu papel secundário no novo mundo digital, mas também ficou quase que risivelmente visível a tentativa de manipulação desses velhos canais de comunicação.

A velha imprensa não soube se reinventar e foi tragada pela mesmo torrente de comunicação via redes sociais que recentemente elegeu Trump nos Estados Unidos e que fez a Inglaterra sair da zona do Euro, fenômeno conhecido como Brexit.

Nesses novos tempos, a antiga panfletagem política passou a ser feita em ambientes virtuais, o mesmo local onde boatos e acusações são produzidos e reproduzidos por atores políticos de todo o espectro partidário.

Como isso é feito de forma direta e sem a mediação da imprensa, ficamos sujeitos a uma invasão de notícias falsas. O leitor, antigamente muito mais passivo hoje, precisa apenas apertar um botão para passar adiante as noticias que lhe interessam. O problema é que parte dessas notícias são boatos ou mesmo invenções, os chamados fake news.

Como se isso não bastasse, ocorreu a automatização de ferramentas de publicação o que possibilitou o surgimento e a propagação de robôs: contas controladas por softwares se fazendo passar por seres humanos. Os robôs já dominam parte da vida nas redes sociais e participam ativamente das discussões em momentos políticos de grande repercussão.

Essas mensagens são produzidas e entregues usando inteligência artificial cada vez mais sofisticada. O protótipo é o bot do Twitter, que constrói perfis de seguidores e segmenta tweets para públicos selecionados, às vezes por meio de promoções pagas e às vezes por meio de planejamento cuidadoso, tempo e uso de hashtags.

Menos visíveis são os algoritmos que determinam quais mensagens (você quase certamente não receberá as mesmas que seus vizinhos) aparecem em seu cronograma do Facebook, feed do Twitter ou página de pesquisa do Google com base em uma combinação complexa de regras, pagamentos e dados com base em sua atividade anterior.

Para piorar, alguns desses robôs representam interesses de potencias estrangeiras como ficou demonstrado na ultima eleição americana: "Contas automatizadas do Twitter ligadas ao russos, retweetaram Donald Trump quase meio milhão de vezes nas últimas semanas antes da campanha presidencial dos EUA em 2016, disse o Twitter ao Comitê Judiciário do Senado".

As 50 mil contas automatizadas que a empresa determinou tinham ligações com a Rússia enviaram mais de dois milhões de tweets relacionados a eleições entre 1º de setembro e 15 de novembro de 2016. Essas contas retweetaram o então candidato Donald Trump dez vezes mais do que retweetaram sua rival Hillary Clinton, de acordo com a declaração escrita do Twitter ao comitê.

Nossa eleição mostrou que os novos tempos são diferentes, mas não menos perigosos. A velha tentativa de manipular o eleitor continua existindo como bem nos mostrou a campanha do #elenão.


Marcos Frank

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