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O Brasil em 2018

Por aqui pode-se tudo e isso explica até a velocidade da justiça. Aqui nada se planeja, pois daí fica mais fácil aditivar.


"Além de corrupto sou cleptomaníaco." Millor Fernandes

Decerto não é novidade para ninguém que a crise continuará castigando o Brasil em 2018. Levará ainda muito tempo para desaparecer, pois nossa crise não é algo mágico ou imprevisível com um terremoto ou uma tormenta. Nossa crise é fruto da imprevidência, da falta de planejamento e da permissividade.

Por aqui pode-se tudo e isso explica até a velocidade da justiça. Aqui nada se planeja, pois daí fica mais fácil aditivar.

A sabedoria popular nos ensina que momentos de crise são momentos de criar... Talvez seja mesmo, mas como um bom tratamento depende de um ótimo diagnóstico vamos então perguntar aos sábios brasileiros do passado que lições aprenderam e que conselhos podem nos dar...

Se têm uma coisa que brasileiro não gosta é de crítica. É verdade que nada ofende mais um brasileiro do quê ser criticado?
Responde Paulo Francis (1930-1997) jornalista, crítico de teatro, diretor e escritor brasileiro:
"Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado."

Há algo em nossa história, em nosso passado, a retardar ou impedir nosso desenvolvimento?
Responde Darcy Ribeiro (1922-1997), antropólogo, escritor e político brasileiro "O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem um perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso. O Brasil cresceu visivelmente nos últimos 80 anos. Cresceu mal, porém. Cresceu como um boi mantido, desde bezerro, dentro de uma jaula de ferro. Nossa jaula são as estruturas sociais medíocres, inscritas nas leis, para compor um país da pobreza na província mais bela da terra. Sendo assim, no Brasil do futuro, a maioria da gente nascerá e viverá nas ruas, em fome canina e ignorância figadal, enquanto a minoria rica, com medo dos pobres, se recolherá em confortáveis campos de concentração, cercados de arame farpado e eletrificado. Entretanto, é tão fácil nos livrarmos dessas teias, e tão necessário, que dói em nós..."

Há um futuro dourado esperando pelo Brasil?
Responde Roberto Campos economista, diplomata e político brasileiro (1917-2001): "A psicologia de berçário, que herdamos do hino nacional (gigante... deitado eternamente em berço esplêndido ...) e o ufanismo das riquezas naturais (as quais são apenas recursos à espera de investimentos), que mamamos nos livros escolares, têm agido como narcotizantes da vontade nacional de desenvolvimento, transformando-nos no país do futuro, enquanto afanosamente conquistam o presente. Infelizmente, como já disse alhures, a chupeta do otimismo é mau substituto para a bigorna do realismo"(...) "Persistem em nossa cultura e em nosso caráter elementos antagonísticos ao desenvolvimento. O primeiro desses elementos é o baixo nível de racionalidade de nosso comportamento, associado talvez ao tipo de educação beletrista e memorativa. A capacidade de exteriorizar emoções é mais prezada que a capacidade de resolver problemas".

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