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Ponto de vista


Mau negócio à vista e a prazo

Chegamos ao oitavo recomeço da Nova República com a posse de Jair Messias Bolsonaro. A bem da verdade, em momento algum, durante a complexa caminhada até a redemocratização, o Brasil esteve perto de um fim. Aliás, este é o problema: como não engrena, descumpre o destino de realizar-se como nação.
De José Sarney a Michel Temer, o poder oscila do centro para a esquerda, mas mantém-se atrelado ao centro. É refém do vai e vem fisiológico criador de partidos para servir os políticos. Nada a ver com ideologia, embora a conveniência política-partidária queira confundir alhos com bugalhos. Agora o eixo desloca-se à direita com dois tropeços na partida. Primeiro: confirmação de Carlos Marun (fiel escudeiro de Temer) no bem pago conselho de Itaipu Binacional - era para ser "indicação técnica". Segundo: apoio do governo à recondução de Rodrigo Maia à presidência da Câmara Federal para tornar viável a "governabilidade". O caminho é à direita, mas o "em frente, marche!" depende do MDB - dizem os sinais.

LUMINOSA. A posse presidencial teve a grandeza luminosa de Michelle Bolsonaro. A primeira-dama, suave e discreta, brilhou no mais que correto discurso em Libras, e subverteu a importância da palavra falada. Bolsonaro dividiu-se em dois: amistoso e conciliador no Congresso; em campanha no Parlatório: "Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será vermelha se preciso nosso sangue para mantê-la verde e amarela". Vai levar um tempo até perceber que é o presidente de todos brasileiros e, como tal, deve aparar arestas e pacificar um país dividido por picuinhas.
Em Porto Alegre, Eduardo Leite assumiu como os governadores anteriores, à exceção de Tarso Genro. Segurando renovações de contratos, nomeação e horas-extras. Precisa tirar um coelho da cartola para transformar este estado falimentar - apesar do cinto permanentemente apertado de José Sartori. O Rio Grande do Sul tornou-se caro para viver, ruim de fazer negócios e voltou a ser farrapo.

ISRAEL. Dos muitos atos simbólicos do recente período de transição, o mais relevante é a aproximação a Israel. A disposição trouxe o primeiro-ministro Benjamin Netanyhau para uma semana em Pindorama. Transferência de tecnologias foi a primeira justificativa para alguns agrados aos israelenses. Técnicas de dessanilização de água a ser aplicada no Nordeste, entre as quais. Parece haver desinformação na equipe do presidente, pois o Ministério do Meio Ambiente, desde 2004, atende mais de 230 mil famílias com um programa de... dessalinização. A transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém é o mimo mais preocupante a ser entregue a Israel. A iniciativa de política externa transforma o país em um peão ativo em um atoleiro. Tão complexo a ponto de não ser resolvido por três Deuses, que são um. Apenas Estados Unidos e Guatemala providenciaram a transferência que desobedece à Resolução 478 do Conselho de Segurança da ONU. Honduras, Islas Marshall, Micronésia, Nauru, Palau, Togo e o Brasil estão na fila que contraria os demais 190 integrantes da ONU.

VALE. O reconhecimento brasileiro de Jerusalém - cidade sagrada de cristão, judeus e muçulmanos - deverá trazer reflexos danosos ao Vale do Taquari. Em novembro de 2018, o Egito suspendeu uma reunião de negócios agendada pelo Itamaraty. E eram só primeiras conversas sobre uma provável transferência de embaixada. Agora, com o avanço das relações, podemos esperar pelo fim da cordialidade do principal destino das exportações da região. Resta torcer para que a luta para abrir de fronteiras, implementar sistemas específicos e exportar não retorne ao ponto anterior ao de partida.
É daltonismo estabelecer diretrizes da política externa por imitação ou simpatia por liderança. O maior parceiro comercial do Brasil é a comunista China. É péssimo negócio alimentar uma fogueira que nem o Rio Jordão apaga.

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