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O fim da Picada... Augusta

Cristiano Duarte, jornalista, [email protected]

Créditos: Cristiano Duarte

Foi desolador receber a notícia na Rádio Independente que um dia tudo vai acabar. Larguei a sopa de capeletti na mesinha de centro e me pus a pensar. Ora, poxa vida. Sobrevivi a virada do ano 2000 e a profecia Maia sobre o fim do mundo em 2012.
Acredito ter sobrevivido, inclusive, a dor de amor. Aquela que fere o âmago mais profundo de um ser amante. Muito pior que extração de siso ou tratamento de canal.
Mas desta vez era verdade pura. Nada de filme-tragédia-ficção ou pragas mesoamericanas pré-colombianas.
A Terra, redonda ou plana, tanto faz, estava com os dias contados. Hora ou outra o combustível do Sol vai se esgotar e dará seu último suspiro num pôr de sol qualquer em Cruzeiro do Sul. Do astro rei, o sol e não o Roberto Carlos, sobrará apenas uma bola gigante vermelha engolida pela galáxia.
Será o fim da Picada... Augusta, Scherer, Flor e Serra. De tudo. E de nada... Haverá um dia em que não se terá mais ex-namoradas, cerveja sem-álcool e o Shopping de Lajeado para andar naqueles cavalinhos motorizados num domingo qualquer.
As palestras na Acil deixarão de existir. A maionese do Carmelito nunca mais tocará os lábios de Andressa. A fábrica da Polar vai virar poeira cósmica. O Informativo do Vale se transformará numa fábula contada de estrelas maiores a discípulos de supernovas menores.
Isso tudo me deixa muito triste. Por mais que eu não viva para ver, saber que esta página de jornal e a mesa de botequim em que este texto é lido por alguém que um dia já amou acaba comigo.
Árvores, filhos e livros. As metas de um ser humano mundano não me fazem mais sentido. Nem a palavra mundano mais faz sentido, inclusive. Tudo é efêmero nesta Via Láctea.
Fiquei vendo a vida passar enquanto fitava sem pestanejar o pequeno rádio de pilha no meu pequeno apartamento kitnet.
Lembrei que li num livro que as ondas de rádio que emitimos vão continuar se propagando por aí no espaço para sempre. Pelo o que um dia foi a Rua Júlio de Castilhos restará apenas o conteúdo da FM e da AM viajando por antigas vitrinas.
Cheguei a conclusão que este anúncio de fim de mundo soará eternamente pelo cosmos como uma maldição Maia.
E em outras estações de rádio, "se ela dança, eu danço."
La vida és dura.

Enquanto isso...

No Brasil

"Patrimônio Nacional". Esta foi a definição dada pelo presidente Jair Bolsonaro ao Ministro de Justiça, Sérgio Moro, em evento promovido no Palácio do Planalto. O afago serve para reforçar a relação de confiança entre os dois.

Nos Pampas

Somente nesse ano, a Brigada Militar enfrentou tiros de bandidos mais de 997 vezes durante a abordagens no Rio Grande do Sul. Até  essa publicação chegar nas bancas, o número deve aumentar. Além disso, 113 viaturas foram atingidas por disparos de arma de fogo.

No Vale

Assim que foi anunciada a municipalização do Porto de Estrela, seis empresários ligaram para o prefeito Rafael Mallmann em menos de 24h. Menos Estado também significa maiores investimenos. O assunto evolui em Brasília com o apoio do senador Luis Carlos Heinze (PP).


Cristiano Duarte

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