Colunistas

Nós e o tempo

Coluna da Nara


"Quem nunca mudou com o tempo? Aos poucos você vai deixando de escutar certas músicas, de usar certas roupas, de falar com certas pessoas. Mudar faz parte do ciclo da vida, embora a essência seja sempre a mesma..." Mudamos, sim, e muito!
Amigo leitor, pensando na minha geração, esses adolescentes de mais de 60 anos passaram por muitos ciclos na vida. Quando crianças, poucos de nós possuíamos água encanada. Vaso sanitário, nem pensar! Tínhamos as "casinhas", chamadas de "capungas". Brincávamos muito nos campinhos das redondezas. E era bom! Curtíamos a vida sem medo! Mais tarde, já adolescentes, muita coisa já havia mudado. Já não acreditávamos mais em coelhinho, Papai Noel; já estávamos criando fantasias românticas em nossas cabeças, pois a televisão já fazia parte de nossas salas. No toca-discos, as canções falavam de amor, de alegria e de esperança. Sonhávamos com o príncipe encantado. Pensávamos que poderíamos mudar as coisas e que nossos pais eram os errados e protegiam os irmãos, pois, para nós, tudo era feio e proibido. Assim, o tempo foi passando e nós desacostumando de ouvir certas músicas, deixando certas roupas de lado, pois eram "cafonas", usando conjuntinhos de banlon, vestidos tubinhos, eslaques de elanca, calças pantalonas, dançado muito twist, chorando ao assistir o filme "O Candelabro Italiano", escutando os compactos simples ou duplos das músicas dos Beatles, do Roberto Carlos e tantos outros que faziam nossas tardes de domingos serem especiais, na época da Jovem Guarda.
Quando penso que sobrevivemos a tantas mudanças, digo que realmente "somos uma brasa mora!" Realmente somos seres humanos maleáveis, pois crescemos somente ouvindo rádio por um bom tempo; caminhamos por ruas não pavimentadas. Tínhamos muito respeito por nossos pais e por nossos professores. Nos adequamos aos novos tempos e a tudo que eles nos ofereceram. Tivemos, talvez, um pouco de dificuldades, mas estamos sobrevivendo a tantas mudanças.
Hoje, quando olhamos determinadas fotos, dizemos: "Como fui capaz de usar isto? Olha só meu cabelo!" Temos quase certeza de que melhoramos bastante! Contudo, vivemos cada época dentro das nossas possibilidades, dentro do padrão exigido, mas nossa essência permaneceu intacta, pois trazemos conosco os ensinamentos do berço. Sabemos que muitos preferiram pegar atalhos, enquanto que outros seguiram firmes nos exemplos vindos dos pais.
Caro leitor, hoje a saudade de muitos desses ciclos habita nossos corações. As lembranças fazem voltas em nossos pensamentos e neles residem muita vida, amor, amizades. Pessoas que não vemos há anos, mas que, de repente, uma palavra nos traz de volta aquele tempo e, com esta palavra, somos capazes de reconstruir uma história inesquecível, da qual não fomos apenas atores coadjuvantes, mas do elenco principal.
Espero continuarmos firmes a cada etapa da vida que ainda teremos que passar. E que nossa passagem hoje, como pais, avós, sirva de exemplo a todos que, como nós, terão discernimento nas escolhas de seus caminhos, na passagem de cada um de seus ciclos, levando consigo muita fé, paz e amor.

Paz e bem.
Hoje, dia de Nossa Senhora de Lurdes, uma oração especial pelos 6 anos da partida do meu marido. Meu abraço à minha amiga e ex-colega Lia Mara Cima, que aniversaria amanhã e, no dia 16, minha querida amiga Neca Dalmoro, meu primo Jean Jacques e o padre Antônio Puhl. Felicidades a todos!

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