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A segurança pública no Vale do Taquari

Nesse cenário, temos assistido à multiplicação de ações criminosas violentas no Vale, notadamente explosões de caixas eletrônicos, assaltos, homicídios, etc.


Reconhecida como uma região extremamente desenvolvida e organizada, com população ordeira e trabalhadora, o Vale do Taquari sempre apresentou índices de criminalidade e de violência controlados, excetuadas eventuais variações a maior relacionadas a crimes pontuais, em épocas específicas, cuja recomposição da ordem pública, no entanto, se operava de forma praticamente imediata.

E esse estado de segurança sempre derivou do trabalho sério e competente dos órgãos de segurança pública, do Ministério Público e do Poder Judiciário, com irrestrito apoio da sociedade por meio de entidades voltadas ao apoiamento à causa, cuja atuação, invariavelmente sistêmica, fez-se modelar no Estado e fora dele.

Não obstante os propósitos e a forma de atuação dos atores envolvidos persistirem nos dias atuais, inegável que os órgãos de segurança pública experimentam agudos problemas na sua estrutura de pessoal - cuja defasagem ultrapassa a fronteira do razoável, com mais de 50% de carência -, além de não contarem com equipamentos e meios adequados à concretização de suas missões.

Nesse cenário, temos assistido à multiplicação de ações criminosas violentas no Vale, notadamente explosões de caixas eletrônicos, assaltos, homicídios, etc., sem que os órgãos policiais tenham estrutura operacional capaz de fazer frente a esses fatos de forma minimamente compatível ao poderio que as organizações criminosas evidenciam. Algumas dessas organizações, aliás, têm forte estrutura na região.

A sociedade, por seu turno, está amedrontada com tamanha ousadia dessas organizações criminosas, evidenciando, igualmente, grande preocupação com os rumos que a segurança pública está tomando, apesar dos esforços dos valorosos homens e mulheres que compõem as instituições policiais no Vale do Taquari.

Em decorrência disso, cremos que a ordeira e produtiva sociedade do Vale tem dois caminhos a percorrer nesse cenário: a um, exigir a adoção de medidas efetivamente proativas de parte dos Governos com o fim de reestruturar os órgãos policiais, e, a dois, unir-se em colaboração a eles para que, enquanto não suprido esse vazio estatal, essas instituições tenham as condições minimamente necessárias ao exercício de suas atividades para recompor o nível de segurança pública na região.

E é exatamente com esse propósito que a Associação Lajeadense Pró-Segurança Pública (Alsepro) deliberou, à unanimidade de seus integrantes, em iniciar uma discussão em nível regional, reunindo representantes das entidades de apoio à segurança pública, tais como os Conselhos Comunitários de Segurança Pública (Consepros), os Grupos de Apoio às Polícias (GAP), os Conselhos Municipais de Segurança Pública (Conseg), etc., na próxima quarta-feira, às 8h30min, na sede da Acil.

Na ocasião, pretende-se discutir não só o estado de segurança pública em cada um dos municípios que formam a região, como também o que a sociedade regional pode e deve fazer para colaborar na reestruturação dos órgãos policiais, nas duas frentes antes anunciadas.

Temos certeza de que será o início de um processo que trará grandes contribuições à causa, no cumprimento do enunciado constitucional que diz que a segurança pública é um dever do Estado, assim como um direito e uma responsabilidade de toda a sociedade.

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