Agronegócio

A Lajeado rural ainda existe

Mesmo com a retração de áreas agrícolas, só para milho, soja e trigo são 1,2 mil hectares na cidade

Créditos: Lucas George Wendt
PLANTAÇÃO: milho - em grão e para a silagem - é a cultura que ocupa a maior área do município, com 540 hectares - Lidiane Mallmann
Lajeado - Dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística demonstram o que já é visível na cidade. Conforme o IBGE, que finaliza a coleta de dados do Censo Agropecuário, cerca de 310 estabelecimentos agropecuários no município já foram recenseados. Em 2010, eram 632. Ao longo dos últimos anos, o urbanismo sobrepujou as áreas rurais, restringindo-as a pequenos redutos, nos limites de Lajeado. A expansão gradual de loteamentos, residenciais e prédios tornou mais abrangente o perímetro urbano - até que ele correspondesse aos aproximados 90% do território (o percentual atual). O término do levantamento deve indicar se a cidade manteve os cerca de 4,5 mil hectares que destinava à agropecuária em 2006.
 
De olho na evolução

Lajeado não é mais rural e isso não é novidade. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura trabalha em conjunto com o IBGE para entender este novo contexto. "Vemos um movimento que é natural. A única certeza que temos é a de que a cidade vai mudar", aponta o titular da pasta, Douglas Sandri. Diante da retração, na opinião dele, é necessário que a agropecuária se reinvente. "Estamos trabalhando com os agricultores para tornar as propriedades mais intensivas, usando a tecnologia", diz. Isso significa que a prefeitura incentiva a produção, mesmo com as áreas reduzidas, atenta às mudanças espaciais do setor. "A migração é muito clara. Essas pessoas vão para as áreas de serviço ou comércio. As agroindústrias são uma alternativa para quem quer produzir e continuar ligado ao campo."

Adaptação ao contexto

Emancipações das últimas décadas tornaram a cidade espacialmente menor, o que viabiliza que prefeituras vizinhas possam focar nas áreas prioritárias identificadas dentro de cada cidade. No entorno, os municípios são mais rurais, o que os torna diferentes de Lajeado. "Para as administrações, é mais fácil um contexto de gestão que seja mais homogêneo", avalia Douglas Sandri. Isso torna necessário, à Administração, uma adaptação do modelo de governo, com políticas públicas específicas e mais benéficas à população. Manter o foco - no rural ou no urbano, como é o caso de Lajeado -, no entanto, não significa deixar de olhar para o produtor. Parcerias de entidades como as firmadas com a Emater/RS-Ascar oferecem suporte a quem planta ou cria. "As pessoas estão se reinventando. Isso é a transformação da cidade."

O Plano Diretor

O secretário de Planejamento, Rafael Zanatta, explica o que acontece com a ruralidade da Lajeado, conforme as delimitações propostas pelo Plano Diretor - estudo que prevê a orientação do desenvolvimento do município para os próximos anos. "As últimas revisões do plano já abrangeram áreas que antes eram rurais." A maior zona deste tipo que permanece na cidade é a de Alto Conventos. A área agrícola corresponde a cerca de 11% do território. "Os estabelecimentos rurais que existem e estão dentro do perímetro urbano permanecerão onde estão." Conforme Zanatta, o município não tem como intenção forçar nenhum tipo de movimento. "Precisamos entender a cidade e encontrar um meio-termo".

A fotografia do campo

A Sedetag organiza periodicamente o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, entregue ao IBGE. A coleta de dados mais recente para a cidade foi feita em novembro do ano passado e, por meio da pesquisa, é possível compreender as práticas agrícolas mais expressivas do município. Destaca-se a produção de grãos, em tamanho de área. A maior plantação é a de milho - cerca de 400 hectares para exploração do grão; e outros 140 para silagem, com produção média de 35 toneladas por hectare. No primeiro caso, são seis toneladas por hectare. A soja vem a seguir, com cerca de 500 hectares. São cerca de 3,5 mil quilos produzidos (em média) em cada hectare. O trigo ocupa em 160 hectares, rendendo, em média, 1,9 mil quilos por hectare. A bovinocultura abrange 60 propriedades, com 950 animais e produção de 2,3 milhões de litros de leite. Além disso, Lajeado tem 25 produtores comerciais de hortaliças e a produção de ovos é expressiva na cidade - 4,6 milhões de dúzias de ovos de galinha, e outras 1,4 milhão de dúzias de ovos de codorna.

 

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